
É anunciada como peste e algo temível. Nasce um medo do desconhecido na mente do povo e dos governantes.
Não vou divagar sobre o que todos já conhecem., nem falar do esquema de segurança, prevenção e combate à conhecida GRIPE A.
Vou falar da paranóia colectiva. Pode haver quem ache que não o é. É apenas a opinião de um cidadão distraído às vezes mas não desatento que acompanhou muito de perto como funcionam as coisas pelo serviço público de combate à gripe.
Até pensei em tom sarcástico, se as medidas de higiene como lavar as mãos, não serão um modo elegante de chamar porco ao povo, já que a peste é suína. A eterna mania ou não, de quem está preso à ex-doença da moda SIDA e conhece os seus estigmas e a discriminação.
A senhora Generala na guerra da gripe levou isto muito a sério. Os directores clínicos dos hospitais também mobilizando uma vasta equipa de serviços de saúde. Anuncia-se um alerta de mão pesada por crime de propagação de doença infecciosa a quem se deslocar aos hospitais.
Ao telefone na linha saúde 24: um inquérito de um enfermeiro, de seguida o contacto com um médico. Novo inquérito. Que contactos houve, estudam-se os riscos. Saem conselhos. Longa espera, horas que passam. A angústia por parte do doente. Todo um preparado de rotinas, o isolamento no quarto durante quatro dias. Era certa ou quase pelos sintomas. Retiram-se as crianças de casa, usa-se máscara e lixívia. Os soldados cumprem as ordens dadas.
Decorrem os quatro e a maldita não passa. O paciente já não consegue engolir e telefona a queixar-se. Conclusão: uma amigdalite feia que acabaria por passar com antibióticos.
Era, não era. Ninguém sabe. Não se fizeram testes. Não houve observação do doente. Há que poupar e não desperdiçar.
Assim foi resumidamente o meu contacto com a pandemia num familiar.
Na mesma casa pouco tempo depois, o meu pequeno neto de um ano adoece com febre alta e garganta inflamada.
Para um melhor direccionamento, claro, a linha Saúde. É inscrito depois do primeiro atendimento. Uma longa espera. Desliga-se, eles telefonarão de seguida. A mãe do bebé sai e fico encarregue de esperar pela chamada.
O telefone toca. É o senhor fulano (nome do bebé)? Estou a falar com o próprio? – Sem esperar pela resposta continua a voz do outro lado da linha – já estou a ver que sim.
Apeteceu-me responder dahh dahh, mã e dar uns gritinhos a simular o bebé.
Mas a missão a cumprir era dar o número do telefone da mãe do bebé-prodígio que fala e explica os seus problemas de saúde.
Acabou por ir a um centro de saúde, que por sua vez tinha recebido uma comunicação por fax do processo. O diagnóstico final: quatro dentinhos a sair e uma inflamação na garganta.

Tenha medo, tenha muito medo. É um sério candidato a cair nas malhas da paranóia colectiva e nacional da gripe A.
Moral da história. “O povo aprendeu a lavar as mãozinhas e a não mandar perdigotos para cima dos outros”





























