O BOM, O MAU E O VIHLÃO



Uma notícia recente sobre o rastreio do VIH nas escolas a menores sem que fosse necessária a autorização dos pais provocou um abalo, quase terramoto entre os ministérios da saúde e da educação. Entrou a Ética. Começou o cabo dos trabalhos.
De súbito, tudo em banho-maria. Calaram-se, desistiram nem sei de quê e deixou de ser notícia.

A comunidade científica reconhece as vantagens de um diagnóstico precoce da infecção ao VIH e o seu impacto na saúde do doente no futuro.
Aqui entra o BOM. Para além de bom para a saúde de jovens infectados é algo que de tanto importante é necessário.

O MAU aparece por os decisores políticos não se entenderem e não compreenderem a necessidade de uma medida deste género.
O menor não é legalmente senhor da sua saúde diz a ética e a lei. Quem decide são os pais.
O curioso é que perante esta situação levanta-se outra muito mais importante e que questiona: - Quem são os responsáveis pela doença dos menores? Porque não lhes dar o direito de prevenirem a sua saúde futura?
Admito que uma medida excepcional fosse aplicada à lei concedendo aos menores esse privilégio. Seria uma medida de prevenção muito útil.
Uma sensibilização aos pais seria igualmente urgente e necessária.

No campo do sonho, caminho na recordação de heróis do nosso rico passado histórico e tento encontrá-lo na democracia como o salvador da pátria.
É que tomar uma decisão neste sentido é um acto de coragem e um quase suicídio político, com muitos amargos de boca.
O raio dos votos fazem tremer muitos e é possivelmente aí que a democracia falha.
O fascínio do poder, face ao medo de o perder impede acções necessárias.

O VIHLÃO, como não podia deixar de ser é sempre o VIH e enquanto as mentalidades não mudarem ele continuará a proliferar e a destruir vidas.


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15 comentários:

O Árabe disse...

Pura verdade. Infelizmente. :(

Fatyly disse...

Quando ouvi e li a noticia tive que me pôr no lugar de ambas as partes, sem censuras:

- a lei considera maior e responsável a partir dos 16 anos
- assim sendo os pais respondem pelos actos dos filhos e como educadora que fui não acharia graça nenhuma que fizessem análises sem o meu conhecimento. Temos o caso da Casa Pia...onde bem menores foram testados...e como reagiu a sociedade?
É crime!

Mas a meu ver e porque sei que cada vez mais cedo começam uma vida sexual, deveriam todas as partes conversarem, mudarem a lei para "a responsabilidade" ser aos 12 anos (como a maioria dos países) e não aos 16.
Igualmente sabemos que há menores e menores, como há maiores e maiores e assim sendo, ficaria ao critério do(a) menor.

Já agora e a talhe de foice, porque não implementar uma medida dessas também para os adultos?

Aliás, vou mais longe, deveria constar das análises que fazemos nas revisões, como é óbvio, mantendo o sigilo e para este haver duras medidas penais duras, para quem divulga e sobretudo para quem descrimina isolando os doentes (como há tempos li num dos teus posts.

Aqui não vejo questões políticas, mas se existe uma lei é para ser respeitada (o que não acontece com milhentas leis, mas isso é outro assunto).

Beijocas

Ana Martins disse...

Como concordo consigo Raul!
Actualmente segundo ouvi falar toda a mulher que esteja grávida faz as análises do HIV, são-lhes passadas sem sequer perguntar se as pretendem fazer.
Concordo com este método, penso que é como fazer qualquer outro exame, normalmente os médicos também não nos perguntam se os queremos fazer.

Beijinhos,
Ana Martins

Odele Souza disse...

Minha opinião é de que os exames para detectar o virus do HIV deveriam ser feitos de forma rotineira independentemente da idade da pessoa. Adulto ou criança, homem ou mulher, seria um exame de rotina de tal forma que passasse a ser visto como algo absolutamente normal.

:-)

Lilith disse...

Raul

Todas as experiências (de vida ou não) são necessárias para se poder chegar a uma conclusão. Eu fiz uma. Comprovei o resultado que esperava baseando-me apenas no instinto: a previsibilidade de comportamento. Et voilá!
Com os políticos acontece o mesmo, abanamos um pouco as cabeças e eles reagem como se espera. Fica-se com uma ideia dos partidos a que pertencem e se valerá a pena dar-lhes o próximo voto ou simplesmente denunciar publicamente as más acções que fizeram, algumas das quais chegam ao cúmulo de violação da lei. Os maus entretanto enterram a cabeça mais uns dias com a esperança que não tenham de tomar decisões numa época que se avizinha crítica para os governantes. Qualquer decisao que tomem ser-lhes-á desfavorável, de um lado, os activistas e a comunidade científica, do outro os pais, avós e afins que acham que não devem existir segredos entre eles e os menores em questão... É um impasse.
O VIHlão esse, terá a sua rota desmascarada mais cedo ou mais tarde. A História humana sempre nos demonstrou isso e este, mas em especial este, não escapa à regra tal é a informação que já se possui dele: como escolhe as vítimas. Como se reproduz. Como se esconde fingindo-se adormecido enquanto espalha os efeitos da virulência a quem por ignorância se acha imune. Um dia acorda com um abalo maior do que esta notícia e não haverá ética que o valha. Espero sinceramente que os benefícios cheguem ao alcance de todos. Mudar mentalidades será tão importante mas no sentido de fazer chegar à comunidade jovem: previnam-se contra o VIHlão. Mesmo tenha bom aspecto e se carregue de doçura. É a mensagem que eles precisam de entender.

Beijo e abraço forte.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sabes, Raul, tenho alguma dificuldade em comentar este texto. Se por um lado sou defensora da prevenção, por outro defendo o espaço de liberdade a que todo o ser humano tem direito.
Assim sendo, acho que os testes de despistagem do HIV deverão ser feitos através do desenvolvimento duma consciência cívica que deverá levar as pessoas a tomarem essa decisão nomeadamente em relação aos menores que estão ao seu cuidado.
Fazer esses testes à revelia dos pais e até dos menores envolvidos que não têm, na sua grande maioria, ideias formadas sobre tal matéria é, na minha perspectiva, uma invasão de privacidade que a prevenção não justifica.
Eduque-se o povo retirando-lhe falsos preconceitos e incutindo-lhe uma consciência proactiva mas não decidamos o que é melhor para cada ser.

Abraço

carla disse...

Olá Raul,
parece-me exagerado falar em invasão de privacidade realizar uma simples análise de sangue, quando diariamente, em qualquer internamento hospitalar, se realizam todos os tipos de exames complementares de diagnostico...podes acreditar que bem mais ivasivos e com grandes riscos na sua realização... nem as famílias, nem mesmo o próprio doen te questionam o porquê desse exame. muitos deles necessitam uma assinatura, num impresso denominado "consentimento informado", que é tipo "abominavel homem das neves", que todos ouvimos falar, mas nunca ninguém o viu!...e mesmo assim, realiza-se o exame...
mesmo que o doente tenho um cancro em estadio terminal, e o médico lhe peça qualquer exame invasivo e doloroso...faz-se e ninguém questiona... não será isto invasão de privacidade?
fazem-se tantas análises sanguineas diariamente, nunca são questionadas... porquê questionar o HIV?!
Não sera já, o acto de questionar, uma atitude descriminatória? se estas questões continuam a colocar-se, é porque, na realidade, ninguém encara a sida como uma doença crónica como tantas outras... nem mesmo aqueles dizem encarar...
nbão se faz, em algumas escolas, despiste para hepatite B/C? porque não fazer para HIV?! não é óbvio?!
certamente alguns dos pais iriam até agradecer posteriormente.
beijo.

VANUZA PANTALEÃO disse...

Raul,
A sua explanação não deixa margem à dúvida. A questão tem tudo a ver com as "consequências políticas". Enquanto isso...
Assino embaixo!
Abraços!!!

Me chamo Maria Dias disse...

Oi Raul...

Preciso de ti(este vírus chegou em minha família).Gostaria de saber se vc tem um e-mail pessoal.

Abraços

Maria

R. Rudoisxis disse...

Maria Dias
Pode utilizar o email sidadania@gmail.com
Através dele eu respondo a todos quantos pedem ajuda é mesmo privado só eu tenho acesso a ele.
O mundo não acabou e escreva-me rapidinho eu responderei rapidinho também.
Aos Outros Comentadores
Agradeço os vosso comentários. Não é costume últimamente devido à falta de tempo responder aos comentários. Prefiro em vez disso visitar os blogues de cada um e deixar as minhas impressões lá.
Neste caso e em relação ao assunto tratado em epígrafe as opiniões são tão importantes e diversificadas, que estou a pensar escrever um novo post sobre o mesmo tema. Note-se, pois para alguns leitores ficou a dúvida, que os testes em escolas e a menores não seriam obrigatórios, mas simplesmente existiria a possibilidade de os poderem fazer se demonstrassem esse desejo mesmo sem a autorização da autoridade parental.
Fazer o teste obrigatóriamente é algo que sou contra seja no caso de menores ou adultos.
Penso que as autorizações sobre os testes ao HIV são o reflexo da onda de descriminação e estigma que caiu sobre a doença. As normas a seguir deveriam ser as mesmas para qualquer outra doença em que as análises são apenas meios de diagnóstico que ajudam o profissional de saúde a saber do que o doente padece.
Gratos pela vossa visita e em breve verão as vossas opiniões discutidas num novo texto.
Um abraço
Raul Rudoisxis

Maria João disse...

Raul

Como sabes, a necessidade de autorização para a realização de testes de seropositividade, advém não só da necessidade, imposta pela lei , sobre a obtenção de consentimento informado para a realização de exames ou outros actos médicos. Muitas vezes e em muitas situações este consentimento é assinado, delegado ou ainda presumido, conforme a necessidade e a urgência do procedimento. Mas advém também do facto de o HIV, ser ainda uma doença, infelizmente, muito estigmatizante.
Não contesto o facto de as crianças e jovens menores, quererem de livre vontade, fazer os referidos testes.
Não contesto que o possam querer fazer, de consciência livre e informada e com capacidade decisória segura...
Agora há uma questão que eu coloco:
O que fazer, depois com os casos positivos?
Vais dizer-me... " Informam-se os Pais, nessa altura "
Será correcto?
Será correcto que seja omitida aos Pais a informação sobre a realização dos testes, se cabe a eles a responsabilidade de autorizar legalmente quaisquer tratamento ou atitude terapêutica posterior?
Quem melhor que os pais para conhecerem a maturidade dos filhos, na sua capacidade de tomar decisões? Quem melhor que os pais para decidirem se e quanto a opinião e a vontade do menor, deve ser tomada em linha de conta na decisão final que a eles a lei exige e por esse motivo lhes pede responsabilidades?
A autonomia deve ser progressivamente estimulada na criança e no jovem de modo a que ele possa não só fazer as escolhas mais acertadas e seguras para si, como também tomar as decisões que estejam mais de acordo com a sua vontade. Mas isso não implica que seja pedido às crianças e aos jovens que decidam sobre coisas para as quais não têm ainda( por isso estão sob tutela), capacidade para assumir a responsabilidade e decidir sobre as consequências!
A ausência e o excesso de autonomia são perigosos, como são todos os extremos.
Apostar na educação cívica, para a informação e a prevenção da doença, parece-me urgente! Se apostarmos nisto, a autorização parental para a realização dos testes será encarada com a maior normalidade.

Beijinhos

mariam disse...

Raul,

ai.... o mesmo de sempre... 'portugal dos pequeninos' é o que é!

tenho estado a por a 'leitura em dia' . Obrigada p'la partilha.

deixo uma mão-cheia de cerejas a toda a equipa e o meu sorriso :)
mariam

nota:já estava com saudades deste 'Universo' tão especial... mas tive alguns problemas informáticos rsrs

saheda.com disse...

النائب مشير المصري رئيس "الحملة الدولية للإفراج عن النواب المختطفين".. هل لكم أن تعطونا تعريفًا بالحملة التي ترأسونها؟

** بدايةً.. دعني أشكر "المركز الفلسطيني للإعلام" على اهتمامه الكبير بهذه القضية المهمة، ونحن نؤكد أنه مضى ثلاثة أعوام متواصلة على اختطاف نواب المجلس التشريعي الفلسطيني من قِبل الاحتلال الصهيوني أمام مرأى العالم ومسمعه، وهذا شكَّل سابقة خطيرة وجريمة سياسية وانتهاكًا صارخًا لمبادئ القانون واتفاقية "جنيف" الرابعة، ناهيك عن تجاوز الاحتلال قواعد الديمقراطية وأسس احترام إرادة الشعوب.

وإن الاحتلال الصهيوني يصر حتى الآن على انتهاك كرامة الديمقراطية بل ومحاكمتها من خلال استمراره في اختطاف النواب وتقديمهم إلى المحاكمات، والإمعان في ذلك بتمديد محكومياتهم غير الشرعية بعد انتهائها؛ بغية تغييبهم خلف قضبان السجون طيلة الدورة الانتخابية.

ومن منطلق رفضنا القاطع لاختطاف النواب ومحاكمتهم، واللذين شكلا محاكمة للديمقراطية واختطافًا لنتائجها، وإدراكًا منا أن مكان هؤلاء النواب المختطفين ليس في أقبية السجون ولكن في مواقعهم البرلمانية التي اختارهم لها الشعب الفلسطيني عبر صناديق الاقتراع واستمرارًا للجهود التي بذلت دفاعًا عن هذه القضية، وتوحيدًا لطاقات البرلمانيين والأحرار في العالم وصولاً إلى فجر حرية النواب المختطفين.. فقد قرَّرنا إطلاق "الحملة الدولية للإفراج عن النواب المختطفين".

ونحن في "الحملة الدولية للإفراج عن النواب المختطفين" نؤكد رفضنا القاطع للقرصنة الصهيونية والتدخل الفظ في الشأن الداخلي الفلسطيني ومحاولات تغيير الخارطة السياسية الفلسطينية عبر اختطاف النواب ونسف الخيار الديمقراطي، ونطالب بضرورة تحرك المجتمع الدولي لحماية القيم الإنسانية والأخلاق الديمقراطية ومواجهة الانتهاكات الصهيونية للأعراف والمواثيق الدولية، كما ندعو البرلمانيين في العالم وكل الأحرار إلى الانضمام إلى هذه "الحملة الدولية للإفراج عن النواب المختطفين" وتحمُّل مسؤولياتهم في الدفاع عن الديمقراطية، والعمل على تشكيل رأي عام عالمي ضاغط للإفراج عن النواب وتجريم هذه السياسة "الإسرائيلية" الخطيرة.

M disse...

القارئ حتى نتوقع أن نجاح الحملة التي تريد وتستطيع تحقيق المثل العليا الخاصة بك. هنا ، قد sidadania سؤال آخر ، وهو أيضا النبيلة في مكافحة التمييز والتحيز الذي يحيط بهذا المرض. لقد طلبت من هنا السؤال الذي يشمل ، وهذا هو أن يعرض. حتى لو تسمع كل الاصوات.

:)

elvira carvalho disse...

Absolutamente de acordo. A mim apesar de ser mãe não me escandaliza a medida, que hoje já não serviria para meu filho, que já tem 30 anos para para os meus netos.
Deixo um abraço e votos de bom fim de semana?