Estado da infecção


Já há tempos que o HIV andava arredado da minha mente e escrever sobre ele muito menos.
Existe… é preocupante, mas temos tido uma relação pacífica depois de ter domesticado o bicho.
Está presente mas não se manifesta e os anos vão passando tranquilamente com uma qualidade de vida satisfatória com alguns percalços pelo caminho.
Lembro-me do saudoso Raul Solnado e da sua ida ao médico. Imito-o no catálogo das doenças e escolho algumas. Tenho quanto baste sendo que algumas põem em risco a continuidade de vida, mas estou bem. Preocupantes? Sim, mas isso pouco importa pois o espectáculo da vida à semelhança de qualquer outro também tem fim. Cessação de actividade, fica a obra escrita.
Estabeleci prioridades e a vida tem de ser escrita. A Sida também, ou a vida com ela quando tiver de ser e houver vontade de o fazer.
Hoje é um desses dias em que me apetece divagar sobre o que tem sido feito e os avanços no campo das terapias. Há coisas interessantes.
O regresso às mono-terapias. Será bom ou mau?
Pela parte do doente poderá ser interessante, pois controla o vírus com menos químicos e assim poupa alguns órgãos do seu corpo especialmente o fígado. Permanece o medo de queimar um medicamento ou um grupo deles e assim ter menos opções terapêuticas eficazes. A coisa parece estar a correr bem e os espanhóis estão contentes com as mono-terapias e mantêm as cargas virais suprimidas. Vamos aguardar a continuidade dos estudos feitos às 48 semanas. Os governos ficam felizes, pois fica-lhes mais barato e se forem eficazes nós também devido a uma toxicidade muito menor que somará anos de vida. De Espanha nem bons ventos nem bons casamentos diz o povo e esperaremos que por condições economicistas e não cientificas o nosso ministério da saúde as não ponha em prática sem certezas.
Uma outra preocupação é a penetração dos medicamentos no cérebro. Mais dia, menos dia todos damos em maluquinhos pois o vírus afecta o cérebro à semelhança do nosso governo e das medidas de austeridade impostas. Infectados e não infectados corremos o risco de insanidade mental, portanto estamos em igualdade de circunstâncias.
É importante saber os medicamentos que atravessam a barreira hemato-encefálica e controlar a carga viral no liquor cerebral isto para proteger o Sistema Nervoso Central. São necessários estudos e em especial voluntários dispostos a regulares punções lombares.
Sinceramente não estarei muito disposto a isso pelo doloroso que é. Vamos aguardar.
Há umas vacinas estimulantes do sistema imunitário para aqueles que tendo a carga viral suprimida têm um baixo número de células CD4. Pretendem recuperar os sistemas imunitários mais fragilizados. Estão em fase III de desenvolvimento portanto já bem avançadas.

Por hoje chega de falar do mundo do HIV, embora haja mais coisas interessantes depois do congresso de Glasgow.
Os pipe-lines da investigação estão e ser bem guardados para serem apresentados no CROI que se realiza no principio do próximo ano.

6 comentários:

Fatyly disse...

Muito interessante e gostei de aprender um pouco mais. Obrigado!

Um abraço

Odele Souza disse...

Olá Raul,

Bom te ler. Bom aprender um pouco mais sobre o HIV. Mas eu quero mesmo é pra ontem uma solução.Que sempre demora pra ti na questão de uma vacina eficaz e pra Flavia em algo que da teoria passe à prática na regeneração de neurônios danificados. E assim a vida se resume a esperar. Esperemos então, já que nada mais nos resta a fazer. E que possamos colocar nessa espera, amor, carinho, afeto, que estes certamente também são terapêuticos.

Deixo um abraço e meu desejo de que tenhas uma boa semana.

sideny disse...

Olá Raul

Bem vindo!!!

´´E sempre bom continuarem adescobrir medicaçâo menos toxica e com poucos efeitos.

Venha ela mas testada como deve ser.

Sabes o que me preocupa é que qualquer dia os hospitais deixam de fornecer os retrovirais, e ai vai ser lindo.

è ver-los a tombar como corvos.

beijocas

sideny disse...

Olá Raul

Queria dizer tordos e nâo corvos.

Embora nâo ficasse mal também corvos.

Eu sei que tu nâo ligas a isso.

beijocas

Zé Ninguém disse...

Caro Raúl,

Estamos a viver periodos semelhantes... a normalizaçao tem destas coisas...
De vez em quando lá vem alguma pedra pelo caminho que teima em nos recordar a nossa condiçao, mas lá continuamos o nosso caminho que sabemos, algum dia terá a sua conclusao... até lá só nos resta a nossa dignidade!
Um enorme abraço! Zé

Ângela Coelho disse...

Se s Gvernos não desviassem tanto dinheiro da Saúde haveria mais pesquisas sobre a AIDS e outras doenças transmissíveis.
Beijos.