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HIV, TOXICODEPENDÊNCIA E ESTIGMAS


Dói dizer mas nem todos somos iguais na doença e na morte. Nem no prazer nem na forma de amar. Há riscos acrescidos para quem vive nas margens do mundo e as estigmatizações cruzam-se e multiplicam-se, em ambientes excluídos, exclusivos de quem vive para além daqueles limites que a sociedade impõe.

A toxicodependência é um flagelo das sociedades modernas. Não porque o consumo de drogas não fosse conhecido e praticado noutras sociedades, e noutros tempos, mas porque o narcotráfico se tornou o monstro que devora vidas, ceifa ilusões e atira pessoas para as ruas onde os guetos representam a antecâmara da morte e onde os estigmas se cruzam com outros estigmas retirando a seres humanos a sua condição humana.

Entre os portadores do HIV, os toxicodependentes são uma população que, em Portugal, surge como a mais atingida. Em Dezembro de 2007 dos 32.491 casos de infecção de VIH/SIDA constantes dos dados do Centro de Vigilância Epidemológica das Doenças Transmissíveis do Instituto Ricardo Jorge, os toxicodependentes são o grupo mais afectado havendo uma clara predominância masculina (85%). Porém, ainda na população toxicodependente, os dados apontam para 57,9% de casos de co-infecção SIDA e tuberculose. Porém, e segundo os mesmos dados de 2007, é a via heterossexual a principal responsável pela transmissão da doença que revela uma crescente tendência evolutiva.

Os problemas sociais são altamente preocupantes bem como os encargos resultantes de uma situação que continua a ser das mais dramáticas e preocupantes no quadro da U.E.


O narcotráfico que continua a dominar o sub-mundo do negócio com ramificações a diferentes níveis de poder, está longe de ser combatido. A moldura penal continua a não responder à gravidade das situações e os traficantes actuam, quase impunemente, junto a escolas frequentadas por jovens a despontar para a adolescência onde a curiosidade é mais forte que os alertas lançados pelos educadores.

Políticas de educação mais actuantes do ponto de vista de prevenção exigem-se dos progenitores e professores sendo de tudo louvável a iniciativa apresentada pelo médico Manuel Pinto Coelho e apoiada pelo presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, de as escolas portuguesas fazerem despistagem do consumo de drogas. É que um quarto dos alunos dos 15 aos 19 anos já consumiu drogas e outras substâncias psicotrópicas, segundo o Inquérito Nacional em Meio Escolar (INME), relativo a 2006 e divulgado recentemente. O documento revela também que 11% dos alunos do 3º.Ciclo, entre os 12 e os 15 anos, experimentaram droga pelo menos uma vez.

Estas situações que atiram para as margens da vida adolescentes que nem sequer têm a consciência plena das suas decisões e muito menos das suas implicações futuras, potenciam todo um conjunto de situações de alto risco, a nível de contágio pelo HIV, sobretudo na fase da vida sexual que é quase sempre vivida ignorando a prevenção. Isto mesmo em casos de comportamento seguro no consumo das drogas.


Outro aspecto que convém realçar é de que se a saúde, para as sociedades modernas se tornou um indicador essencial do equilíbrio do bem estar geral e de desenvolvimento social, económico e cultural, a problemática da SIDA deixou transparecer as vulnerabilidades e fragilidades dos países mais desenvolvidos e distanciou, ainda mais, os países pobres no que respeita aos indicadores de saúde (ONUSIDA, 2000).

Os estudos apontam ainda que a precariedade económica e social – parcos recursos económicos, baixa escolaridade e fraco acesso aos recursos médico-sanitários e sociais – potencializa uma maior vulnerabilidade à transmissão do HIV/SIDA.

A ONUSIDA tem vindo, também, a alertar para a existência de um significativo volume da população mundial que permanece vulnerável ao vírus porque desconhece os conceitos básicos da doença e da sua transmissão.

Esta organização mundial refere, também, que quanto maior é o nível de escolaridade, maior é o nível de informação em relação à doença e, maior é a atenção dada à protecção nas relações sexuais ocasionais.

Esta fragilidade, característica das populações carenciadas, acumula no caso das mulheres, a sua particular vulnerabilidade de género: inseridas em ambientes culturais de dominância masculina, raramente questionam o comportamento do parceiro e dificilmente colocam exigências que possam interferir com a prerrogativa masculina de desfrutar de sexo livre de responsabilidades.

Notas Soltas em Comentários:

(cursor do rato sobre o texto, pára o movimento, retirando-o retoma)


...a pobreza, a falta de ocupação e trabalho, a ignorância leva ao aumento brutal destes dois binómios:toxicodependência/prostituição!M.Relvas


...é mais provável que alguém que sofra de cancro se cure que um consumidor de drogas duras cortar em absoluto com o mundo da droga e fazer uma vida normal. Lidia


...algumas destas que estão na prostituição por causa do tráfico de drogas,pois precisam de dinheiro para manter o vício e entre estas e estes "maridos" têm muitas pessoas com AIDS .Arnaldo Trindade


Receitar canabinóides com efeitos terapêuticos parece-me absolutamente razoável do ponto de vista do acto médico.Jorge P.G.


...ela sabia que estava infectada e já tinha desistido de viver... o objectivo de vida dela era apenas ter dinheiro para mais um consumo até ao dia em que a morte chegasse.Biby


Espero que estes textos, que tanto assustam, consciencializem as milhares de pessoas que acham que este virus só afecta os outros. Vera Marcia


As salas de chuto não virão acabar com a droga nas ruas.Compadre Alentejano


Quanto à cannabis eu tenho uma opinião liberal,sou a favor da prescrição médica e também a favor de clubes de plantio até 5 pés da planta, para consumo próprio.Raul


Acho que a droga poderá ser receitada para fins terapeuticos mas jamais aceitaria plantações para consumo próprio. Para desgraças já bastam as que temos.Mendonça


Conheci uma desgraçada que me pedia dinheiro que chegou a dizer-me que fazia um broche por 2 euros. Legalizar isto ou punir quem se aproveita da miséria alheia?Joseph


Com esse seu argumento legaliza-se tudo. Para não se roubar muito rouba-se pouco. As prostitutas e redes de tráfico e as que são sem quererem empurradas pela vida.Brito


Para evitar esta degradação, levada ao extremo, é importante um controlo sanitário eficaz e que os médicos mediante prescrição possam deixar «casos perdidos» consumirem. Robin Hood


... teimam em pegar o toiro de frente quando só existe possiblidade de o pegar de sernelha! Não admira pois que exista sangue na arena: o HIV.Pata Negra


O meu objectivo foi sempre recuperar o meu marido. Amei-o e acompanhei-o em tudo o que me foi possível. Chamei por Deus nas horas más. Mas ninguém me ouviu e o meu sofrimento já não cabia no meu espaço. Louise


Há que incutir valores de respeito pelos outros, de afecto e de cumprimento de normas sem as quais não há sociedades mas sim bichos que se agridem a esmo. São as regras sociais que estabelecem limites que, parecendo constrangedores, defendem a nossa liberdade. Abel Marques


Pronto eu concordo que se forneça droga com prescrição médica e que se dê apoio aos desgraçados que embarcaram nessa vida. Mas só isso. Abel Marques


Salas de chuto...
Porque não...? Se é a alternativa eficaz e segura, porquê tanto drama à volta das mesmas. Fracas mentalidades... Sérgio Figueiredo