Seremos Seres Inteligentes?

Quando recebemos a notícia de que estamos infectados pelo HIV, isso significa que temos um invasor no nosso corpo que veio para ficar e que vai viver connosco todos os dias de nossa vida.
O nosso hóspede encontrou o lugar ideal, para se reproduzir, sente-se bem e tem todas as condições para assegurar a sua sobrevivência. Se nada fizermos ele continuará a reproduzir-se e não demorará muitos anos até que ele colonize o seu habitat e não tenha mais espaço para viver.
Aqui, o nosso hóspede tentará descobrir novos locais para povoar, com a colaboração do seu hospedeiro. Aguarda ansiosamente um transporte e quer emigrar para assegurar a continuidade da espécie. Uma agulha de uma seringa que venha a ser utilizada de novo, ou o sémen ou secreções vaginais são o cais de embarque para que ele se dirija a novos locais despovoados.
Assemelha-se em muito ao ser humano, que na sua procura pelo desenvolvimento, vai destruindo o seu habitat e um dia o planeta terra não terá condições para a sustentação da vida. Poluímos, destruímos as barreiras protectoras que permitem a continuidade da vida e um dia o planeta que já está dando sinais de fragilidade rebentará e destruirá a maior parte das espécies. Fogo ou água será que caminhamos para uma nova reciclagem à semelhança do que aconteceu no dilúvio bíblico? Creio que sim pois a nossa inteligência parece integrar o pólo oposto ou seja uma estupidez crónica.
O HIV assemelha-se em muito à mente humana no seu comportamento. Há quem defenda que teve origem em macacos e numa modificação do vírus SIV, existente nos símios. Outros defendem que foi desenvolvido pelo homem, para erradicar classes marginalizadas pela sociedade quer pela sua etnia quer pelas suas preferências sexuais. O importante é saber que o vírus existe e a sua origem passa para um papel secundário.
Um vírus que destrói, o corpo do seu hospedeiro levando-o à morte, a qual por si mesma fará com que ele morra também, parece não estar em sintonia com as defesas das espécies que asseguram a sua continuidade de vida. O vírus morrerá logo a seguir à morte do seu hospedeiro.
Porque será, que o vírus só apareceu há pouco mais de trinta anos? O consumo de carne de macaco crua existe há milhares de anos então porque será que os nossos antepassados não contraíram o vírus antes?
Pensamos, tornamos a pensar e se quisermos aprofundar a origem do vírus damos em loucos.
A verdade é que nunca descobriremos com toda a certeza a origem de um vírus que já matou milhões de pessoas. Arranjamos teorias, defendemos teses e pensamos estar certos à luz da ciência actual. No entanto com o passar dos anos tudo muda. Pensávamos que a terra era o centro do universo e que o sol girava à nossa volta. Hoje quem pensar isso, é considerado estúpido ou ignorante. A medicina descobriu que todos os males estavam no sangue e daí as sangrias do passado em que as pessoas acabavam por morrer. Hoje isso não passa pela cabeça de nenhum médico.
Quanto mais pensamos saber, mais certos estamos que nada sabemos sobre os mistérios da vida. Caminhamos para a nossa destruição, par a par com o HIV e com tantas outras doenças que dia a dia vamos descobrindo. Inventamos pensares e crenças que alimentam a esperança da continuidade de vida para além da morte. Procuramos defender-nos, mas estupidamente continuamos a praticar os mesmos erros do passado.
Os homens continuarão, a auto destruir-se arranjando desculpas para esse procedimento e inventando formas de amenizar o pensar que um dia tudo acabará para cada um de nós.
Continuarão a aparecer novas infecções e novas doenças quer por culpa nossa, quer por razões desconhecidas.
Sabemos como nos proteger, mas as defesas caem por nos convencermos que os males só acontecem aos outros. Escolhemos o nosso caminho, e ao tropeçarmos na adversidade não sabemos como agir. Afinal para que serve a nossa inteligência, e o sermos qualificados de animais racionais, se apenas a usamos para nos destruirmos? Vale a pena parar um pouco e meditar sobre os mistérios da vida, só que não temos tempo para isso. Até lá continuaremos a nossa caminhada até que o nosso ciclo de vida se cumpra.

11 comentários:

São disse...

Se não temos tempo para reflectir sobre a vida e seus mistérios, temos tempo para quê?
Bom fim de semana.

C Valente disse...

passei e gostei do que li,e vou voltar. Segui a sugest�o de Odele Souza
Sauda�es amigas

Robin Hood disse...

Reflectir sobre a vida e os seus mistérios e encontrar soluções para os problemas que se nos apresentam.
Há avanços espectaculares em várias áreas e acredito que, muito em breve, o HIV poderá deixar de ser um papão.
Até lá urge o esclarecimento que nos obrigue ao cumprimento de certos preceitos com vista a evitar que a doença se propague.
Este blog de excelente qualidade de informação devia ser a nossa biblia, lida um pouco todos os dias.
Um abraço ao Raul. Não vejo a marca dele mas faço votos para que esteja em franca recuperação.

Mário Relvas disse...

Olá Raul,

mais um texto importantíssimo na ajuda e conhecimento da SIDA.
Agradeço o seu blog que é bastante informativo e escrito na 1ª pessoa é ainda mais significativo.

Venho também agradecer-lhe a visita e comentário no Aromas de Portugal, porque o autismo existe.Agradeço ainda o destaque que faz ao Autismo e ao aromas na sua barra lateral.

saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Todos os textos do Sidadania não mais do que simples textos informativos. Eles formam-nos para as realidades que temos que enfrentar no nosso percurso de vida. Realidades que, por vezes, ferem e quase sempre doem porque, mesmo que não sejam directamente connosco, dizem respeito à família humana a que pertencemos. Uma família que temos que conhecer bem para ajudar a construir.
Porém, só as almas grandes se constroem com o sofrimento. As outras remetem-se para a frustração que as tornam odientas.
Porém, Raul, tu és das almas grandes que nós ficamos mais ricos por conhecer. Uma grande pessoa que esperamos ter em pleno neste cantinho para nos ensinar a caminhar quando os pés se ferem na jornada.
Um abraço muito apertado para ti

Brancamar disse...

Olá Raul,
Gostei muito deste texto. É uma realidade incontornável que apesar da sua inteligência(?) o homem acaba por ser mais predador que outras espécies, que lutam apenas pela sobrevivência.
E cada vez mais o egoísmo e a ambição se sobrepoem à inteligência.
Esperemos que um dia destes paremos pare reflectir se ainda tivermos tempo de recuperar pelo menos um bocadinho os erros cometidos.
Venho da Isabel e soube que vais ser operado no dia 20. Venho desejar-te que tudo corra bem, vai correr concerteza e sendo dia de Primavera vais voltar com a força e a luz da natureza a renascer.
Beijinhos

M.M.MENDONÇA disse...

Raul
Quem não é solidário nem procura meditar, de forma consciente, sobre as realidades que o cercam, não é inteligente com toda a certeza.
Um abraço Raul, homem valente, que espero ter aqui sempre a acompanhar-nos com os seus textos humanos e didácticos.

Odele Souza disse...

Olá Raul,
Fico sempre muito contente por ti ao ler os comentários que te deixam. Todos te admiram, todos te respeitam, todos te querem bem. Esta é uma conquista tua Raul. Sabes por que? Porque passas informações da maior utilidade para as pessoas sem te esqueceres de ser gentil, e de nos mimar com teu carinho. És um querido.

Um beijo meu e de Flavia pra ti.

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Você tem muita razão em suas suposições!
Vivemos num mundo em que o fato e a notícia estão totalmente divorciados!
O que nos contam os meios de comunicação são as coisas que o poder econômico, social e político quer que conheçamos!
E não me venham com essa balela de liberdade de expressão!
Qual é a liberdade de expressão que eu tenho, se para divulgar minhas idéias pela internet, tenho que pagar à Microsoft pelo Word, pelo Windows, caso contrario fico isolado do mundo!
Como achar que um revista é livre se 75% do espaço de papel é preenchido por propagando de empresas privadas, bancos e de órgãos do Governo!
Porque uma revista ou um jornal não vive apenas do valor de sua edição?
Porque só os escritores devem viver do preço de capa de seus livros?
E ainda assim um dízimo apenas do preço da capa!
Então, amigo, infelizmente vivemos a utopia da liberdade!

Abraço do Luiz

Vieira Calado disse...

Diz bem:
o comportamento do vírus assemelha-se
ao de (alguns) homens - digo eu - que procuram o lado fraco para prosperar.
Boa Páscoa para si

Fatyly disse...

Parabéns rapaz por este momento de reflexão e senta-te aqui ao meu lado, não te armes em esperto, ora trepa lá o embondeiro sff e vamos dividir esta múcua. Hummmmm tão ácido que arrepia, mas é gostosa. Foi o que senti ao ler-te.
Aplaudo-te de pé e tiro o meu chapéu.

Aquele abraço ao som de uma ocarina:)