Preservativo, barreira ao prazer


Não usar o preservativo, numa relação sexual com parceiro desconhecido é um pouco como o jogo da roleta russa.
O certo é que as pessoas continuam a praticar sexo sem preservativo assim como continuam a brincar com revólveres que só têm uma bala.
O peso da bala faz com que esta fique na parte inferior do tambor e sexo bem lubrificado que não produza lesões nas mucosas parecem ser as justificações que levam as pessoas a correr o risco.
Semelhantes em relação ao risco, diferentes no prazer após a acção. Na primeira passado o risco vem a satisfação da sobrevivência pois a bala não estava lá e não tem consequências posteriores. No caso da relação sexual desprotegida vem primeiro o prazer e depois o pesadelo, de poder ter sido infectado.
Reflectindo sobre a razão de não usar o preservativo temos uma quantidade enorme de questões a colocar e teremos de seleccionar as que parecerem ter mais peso nessa prática.
Desconhecer que o seu uso previne a infecção pelo HIV parece ser uma que devemos descartar, devido às campanhas que durante anos encheram as nossas ruas.
Dificuldade em obter os preservativos e o seu custo, poderá ser considerada mas não será certamente a principal, embora haja trabalho a fazer quer a nível de aumentar os locais de venda e de distribuição gratuita de preservativos em centros de saúde e nas consultas dos hospitais.
O preservativo ser a arma do crime, que denuncia a infidelidade, para quem é casado ou vive uma união de facto tem o seu peso. Preservativos na carteira, no porta-luvas do carro ou qualquer outro lugar necessitam de uma justificação de peso e convincente, por vezes difícil de arranjar. Uma lei a mais, entre tantas tão estúpidas que existem no nosso país em que obrigasse todas as pessoas a terem em sua posse preservativos à semelhança dos documentos, poderia ter o seu impacto mas certamente iria gerar muita polémica.
Poderia continuar a enumerar causas para justificar o não uso do preservativo mas vou passar à razão que penso ser a causa principal, e de seguida dar sugestões de como a eliminar.
O preservativo é eficaz como método barreira à infecção pelo VIH, mas é uma barreira ao completo prazer e torna o orgasmo mais difícil. Cada caso é um caso e há pessoas que não têm qualquer problema usando-o. Há casos em que pessoas que têm ejaculação precoce o usam para retardar o orgasmo com sucesso. Outros dependendo da maneira como este é colocado sentem-se umas vezes bem usando-o e não representa qualquer dificuldade, e outras vezes por muito que se esforcem não conseguem ejacular. Outras pessoas necessitam de lubrificante extra para um bom desempenho no interior do preservativo. Quase todos referem sentir diferença para pior em relação ao sexo sem preservativo.
Argumentações, todas dirigidas ao foro psicológico não resolvem os problemas daqueles para os quais o preservativo é uma inibição ao prazer total. As pessoas que não se sentem bem usando o preservativo, continuarão a correr riscos e em muitos casos a infectarem-se. O numero da não adesão completa ao uso do preservativo, não será tão pequeno como muitos querem fazer crer e isso pode ser verificado considerando o aumento de novas infecções.
Haverá solução? Pessoalmente creio que sim, se houver vontade e investimento no desenvolvimento dos preservativos.
Se os testes para o HIV foram desenvolvidos e os medicamentos também e os apelidamos de segunda e terceira geração, porque razão ainda não apareceram os preservativos de terceira geração?
A ciência que desenvolveu químicos para a impotência sexual, e para mais ou menos tudo e mais alguma coisa que são eficazes, será incapaz de desenvolver um composto que colocado junto ao lubrificante dos preservativos provoque um melhor desempenho sexual e mais prazer para ambos os intervenientes na relação sexual?
Será assim tão difícil, ou não haverá investimento, interesse nem vontade em transformar o preservativo num bem de consumo, procurado não pela sua acção protectora mas sim como um acessório essencial a maior prazer.
Matar dois coelhos com uma cajadada não seria fantástico? É necessário pensar e desenvolver uma nova geração de preservativos.
O preservativo enquanto apresentado como protecção á transmissão do VIH e outras DST, para além de prevenir a gravidez não desejada, nunca cumprirá a sua missão em pleno.
Será que sou o primeiro e único a pensar desta forma? Será que sou o único que vê com apreensão que os números de novas infecções continuam a aumentar?
Tenho apenas a certeza, de que não está nas minhas mãos a solução do problema. Escrever sobre o assunto poderá nada resolver, mas resta-me a esperança de que alguém possa eventualmente pensar da mesma forma e tenha o poder e os meios para por em prática uma ideia que certamente poderá dar frutos.
Declino qualquer responsabilidade, no caso da diminuição da natalidade devido a toda a gente só querer dar “kekas” com os novos preservativos, mas desde já informo que tenho ideias para resolver este efeito secundário dos preservativos do futuro.

2 comentários:

Biby disse...

Algumas coisas já tem sido feitas para melhorar os preservativos, desde com sabores, coloridos, extrafinos, que brilham no escuro, com e sem lubrificante,...Até já vi á venda preservativos com o clube de futebol (embora esses tenham que ser usados com um preservativo normal por dentro)...
mas pensando bem seria uma boa ideia melhora-los ainda mais!

Zé da Burra o Alentejano disse...

Natalidade e a Segurança Social

Dizem alguns que a fraca natalidade portuguesa põe em risco o futuro da Segurança Social por dificuldade de substituição da população activa, o que implicará uma redução das contribuições para a SS. Contesto a afirmação: a baixa natalidade acontece nos países desenvolvidos (Luxemburgo, França, Alemanha,...) há muitas dezenas de anos e essa teoria nunca se confirmou, pelo contrário, são os países com a população mais jovem (países africanos em geral) que a miséria é maior. Há países cuja população é quase exclusivamente composta por população imigrante: EUA, Canadá, Austrália...

Com a taxa de desemprego actual, em que não há empregos para os jovens que temos, porque é que acham que deveríamos ter mais? obviamente que para aumentar o número de desempregados. A eventual falta de mão de obra (qualificada ou não) pode ser e é facilmente suprida com a aceitação de imigrantes, embora isso devesse ser feito de forma selectiva, de acordo com as necessidades do país.

A reposição da força de trabalho com recurso aos nossos filhos, embora louvável, implica um investimento de vinte e tantos anos: entretanto, tanto os pais como o país terão que prestar-lhes cuidados vários: alimentação, vestuário, lazer, saúde, educação e formação profissional. Quanto aos trabalhadores imigrantes, esses custos foram suportados pelos seus pais e pelos países de origem, por isso, vêm aptos para, de imediato, começarem a trabalhar e a descontar para a Segurança Social. Só por isso, ficam mais económicos ao país de acolhimento. Aliás, não temos nós já cerca de um milhão de imigrantes? Se quisermos poderão vir ainda mais e não faltarão candidatos.

Muitos deles nem sequer irão beneficiar dos descontos feitos para a SS, durante a sua estadia em Portugal porque o seu objectivo é juntarem alguns milhares de euros e voltarem aos seus países e trocá-los por moeda local para construírem aí então o seu sonho e futuro. Não foi isso que aconteceu aos portugueses há algumas décadas quando emigravam para a França, Alemanha, Luxemburgo, etc..?

A justificação apenas tem um objectivo, o de convencer os portugueses a prescindir das poucas ajudas da Segurança Social e a aumentar a idade da reforma, para que os trabalhadores morram antes disso e a SS poupe assim o dinheiro que descontaram. Impede-se assim os jovens de acederem ao trabalho.

Zé da Burra o Alentejano