Colírio para as nossas almas

Certas noticias, são colírio para os olhos da alma daqueles que infectados pelo HIV, procuram agarrar-se à vida com a preocupação de quantos anos vão viver. Um estudo que fez o seguimento de doentes que em 1996 estavam infectados, e em fase terminal definidora de SIDA, concluiu que mais de 50 % se encontram vivos com cd4 acima das 350 cópias e com cargas virais indetectáveis, isto graças às terapias triplas que nessa altura começaram a ser utilizadas.
A mediana da contagem de cd4 nessa altura era de 26 cópias e a da carga viral 160.000 cópias.
A percentagem de sobrevivência seria muito maior, caso não fosse perdido o rasto a alguns doentes, pois um em cada seis por mudança de residência ou outro factor deixaram de ser seguidos no local onde o estudo foi feito.
É encorajador sabermos de notícias como esta numa altura em que a nossa preocupação parece estar concentrada nos efeitos secundários dos medicamentos, lipodistrofias, toxicidades etc., sem nos lembramos daqueles que infectados na era das mono terapias e mesmo anteriores ao aparecimento do AZT morriam aos milhares.
Claro que todos desejamos a cura, e enquanto ela não vier desejamos medicamentos menos tóxicos e mais eficazes. Queremos igualmente vacinas, um comprimido ao dia se possível, e quando isso for possível estaremos pedindo um comprimido por semana ou ao mês, mas isso faz parte do inconformismo da espécie humana e é a isso que chamamos progresso.
O que será que a ciência nos reserva daqui a mais dez anos, e quais serão os nossos anseios?
Pessoalmente vou esperar para ver, dentro das minhas possibilidades de imortalidade temporal.

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