Lipodistrofia e Tratamentos

Não se conhece, ou pelo menos é contraditória a causa do desenvolvimento da lipodistrofia em pessoas infectadas pelo HIV. Será do vírus, da genética de algumas pessoas infectadas ou de medicamentos retro virais específicos ou de combinações de vários medicamentos? Os resultados obtidos através de vários estudos são contraditórios e há necessidade de se efectuarem mais estudos para se chegar a um consenso.
Tenho notado em companheiros/as infectados, que por serem progressores lentos da infecção pelo HIV, e não necessitarem de medicamentos retro virais, que os mesmos não sofrem de alterações na distribuição das gorduras corporais, portanto e embora a amostra seja pequena posso concluir que a lipodistrofia não está directamente associada à infecção pelo HIV mas sim à toma de alguns medicamentos ou combinações de medicamentos. Não conheço estudos feitos neste tipo de doentes, mas seria bom que alguém os pudesse fazer para chegarmos a uma conclusão, ou pelo menos identificar a causa deste efeito, se na realidade é ou não dos medicamentos e quais são os que provocam a distribuição anormal das gorduras no corpo humano.
Na opinião dos investigadores há dois tipos mais importantes que se notam na distribuição das gorduras corporais e que são a lipohipertrofia ou seja a acumulação de gorduras na zona dos seios, na coluna dorso cervical, normalmente conhecida por “pescoço de búfalo” e na zona abdominal “barriga de cerveja ou pneu”. O outro tipo é chamado de lipoatrofia, e diz respeito à perda de gordura subcutânea e é notada geralmente no rosto, braços e pernas, bem como nas nádegas e que constitui a mudança física mais notada em pessoas infectadas pelo VIH, que tomam anti-retrovirais.
Há tratamento para minimizar os efeitos visíveis, como enchimentos e outros, no entanto não tenho conhecimento que façam parte do tratamento das pessoas infectadas e se possam fazer nos hospitais do estado. A qualidade de vida para os seropositivos, não passará por se sentirem bem com os seus corpos, para que a sua auto estima se mantenha ou por outro lado é pretendido que estes efeitos sejam mantidos como imagem de marca, a acrescentar ao estigma social, dos quais os mesmos são vítimas desde há muitos anos?
Pessoalmente acho que seria óptimo haver tratamentos gratuitos para estes efeitos especialmente no rosto, para que as pessoas se sentissem melhor com elas próprias, e gostassem mais delas mesmas. Acho que contribuiria para uma maior adesão ao tratamento retro viral, diminuiria o peso da discriminação e ao mesmo tempo seria um incentivo à inclusão social dos infectados, muitos dos quais se auto marginalizam devido a este grave problema.
Talvez os nossos governantes e muitos dos que apontam o dedo aos infectados, como se tivessem cometido o maior dos crimes em se terem infectado, pensem que já gastam demais connosco e somos um peso para o estado, não se lembrando que uma grande parte da população infectada é uma força de trabalho activa, que produz riqueza para o país e paga impostos. Podíamos ser mais se houvesse politicas de incentivo para quem empregasse pessoas seropositivas, e se acabasse de uma vez por todas com o medo que os infectados sentem de perder o seu posto de trabalho caso se saiba que estão infectados.
Não estou pretendendo para mim um enchimento facial, embora não goste das covas que se notam no meu rosto. Por outro lado e se fosse possível um enchimento das nádegas ele seria bem-vindo, pois não teria de suportar as dores que sinto quando estou sentado por muito tempo aguardando pelas consultas, ou para que me chamem para ir tirar sangue para as análises ou ainda quando vou buscar medicamentos à farmácia do hospital.
Acções governamentais, com vista à inclusão social dos seropositivos, melhorar a sua qualidade de vida para se tornarem cada vez mais responsáveis em relação à infecção pelo VIH, não deixa de ser uma medida de prevenção à pandemia, pois com o nosso “know how” podemos em muito contribuir para que o alastramento da SIDA seja reduzido.
Reconhecer o impacto do VIH na nossa sociedade é importante, mas mais importante é reconhecer que ninguém melhor do que nós conhece os efeitos da SIDA e sabe onde todas as campanhas de informação falharam, pois de outra maneira não estaríamos infectados.
Numa altura em que se fala em qualificações especializadas para todas as áreas, porque razão a nossa opinião não é escutada? Considerar-nos doentinhos, ter pena de nós e ignorar o nosso saber em relação à SIDA, não deixa de ser descriminação para com todos os infectados.
Já estamos habituados à marginalização, e ao estigma que a SIDA acarreta, mas por favor deixem de uma vez por todas de ser hipócritas, com falinhas mansas para amaciar o ego aos menos atentos.

1 comentário:

Neide disse...

Amei o post.
Mas não te habitues não. Quando uma coisa esta errada não devemos nos habituar, nunca. Podemos quanto muito deixar de nos incomudar com a ignoransia dos outros.
Gostei do blog, vou add tá?

Até mais e continua.