
Todos temos direito à vida e todos deveríamos ter direito a uma morte tranquila. Algo que fosse tão natural como o cair da folha no Outono ou como o pôr-do-sol numa tarde amena. Porém a vida, a vida natural, também não é justa para com as pessoas distinguindo-as com diferentes formas de viver e morrer. Formas que muitas delas não escolheram e nem sequer contribuíram para os desvios e as surpresas de percurso, coisas que o dinheiro não compra. Ou será que não compra totalmente?
A eutanásia é um tema fracturante.
A eutanásia é um tema fracturante.
Também aqui a religião tem uma influência preponderante incutindo nas pessoas que o sofrimento lhes é conferido por uma entidade superior com fins dos mais variados, desde o castigo dos pecados até à sua remissão para uma vida eterna no paraíso.
Para mim, que acredito que a morte é o fim, a eutanásia é uma decisão brutal que cortará o fio de esperança que ainda me prende, ou prenderia, a alguém que tivesse amado. É como se entregasse os pontos a uma morte que quis castigar, de forma lenta e com sofrimento, alguém que já não tinha como a enfrentar.
Por isso acho cruel e injusto que alguém tenha que decidir sobre o momento crucial do fim da vida de alguém que lhe é querido. É como que exigir que se tenha que pôr à prova um amor extremo, em que o decisor se magoa para a vida a fim de evitar a outrém a dolorosa agonia dum caminho sem regresso. Mas será que a eutanásia é mesmo o único recurso possível para uma situação extrema?
Quantas vezes os médicos não sabem já que o doente não tem cura e insistem em prolongar-lhe e vida e, logo o sofrimento, com medicamentos ou cirurgias que servem mais à investigação médica que ao doente sem si? Sim, porque uma coisa é tirar a vida e outra é não alimentar artificialmente o prolongamento para um fim inexorável.
E quantas vezes também, em situações terminais, não se fazem uso de todos os recursos que a medicina nos oferece, porque esses recursos são excessivamente onerosos para os cofres do Estado ou do cliente que não pode suportá-los?
Perdi um amigo ainda há pouco tempo. Foi surpreendido na curva da estrada, por uma doença que não perdoa e que se mostrou inflexível a qualquer tratamento. E, apesar de ser uma patologia conotada com um grande sofrimento, os cuidados paliativos permitiram-lhe morrer com dignidade. O percurso final foi feito a dormir e eu achei excelente.
Não sei se é possível, em todas as circunstâncias porém, em meu entender, é o mais desejável. Só em casos muito especiais em que a vida se prolonga de forma irracional, sem que o sofrimento ceda, nem a morte aconteça, se deverá dar ao doente a hipótese de poder escolher. Porque todos na vida, em todas as circunstâncias, devemos ter direito à escolha, princípio essencial da liberdade individual e que deverá ser respeitado. E, nestas circunstâncias, deverá ser o médico a cumprir a vontade do paciente.
Porém, casos haverá em que a situação clínica poderá não permitir ao próprio expressar a decisão de querer morrer, ficando a mesma na mão de terceiros. Terão estes legitimidade para o fazer?
Para mim, que acredito que a morte é o fim, a eutanásia é uma decisão brutal que cortará o fio de esperança que ainda me prende, ou prenderia, a alguém que tivesse amado. É como se entregasse os pontos a uma morte que quis castigar, de forma lenta e com sofrimento, alguém que já não tinha como a enfrentar.
Por isso acho cruel e injusto que alguém tenha que decidir sobre o momento crucial do fim da vida de alguém que lhe é querido. É como que exigir que se tenha que pôr à prova um amor extremo, em que o decisor se magoa para a vida a fim de evitar a outrém a dolorosa agonia dum caminho sem regresso. Mas será que a eutanásia é mesmo o único recurso possível para uma situação extrema?
Quantas vezes os médicos não sabem já que o doente não tem cura e insistem em prolongar-lhe e vida e, logo o sofrimento, com medicamentos ou cirurgias que servem mais à investigação médica que ao doente sem si? Sim, porque uma coisa é tirar a vida e outra é não alimentar artificialmente o prolongamento para um fim inexorável.
E quantas vezes também, em situações terminais, não se fazem uso de todos os recursos que a medicina nos oferece, porque esses recursos são excessivamente onerosos para os cofres do Estado ou do cliente que não pode suportá-los?
Perdi um amigo ainda há pouco tempo. Foi surpreendido na curva da estrada, por uma doença que não perdoa e que se mostrou inflexível a qualquer tratamento. E, apesar de ser uma patologia conotada com um grande sofrimento, os cuidados paliativos permitiram-lhe morrer com dignidade. O percurso final foi feito a dormir e eu achei excelente.
Não sei se é possível, em todas as circunstâncias porém, em meu entender, é o mais desejável. Só em casos muito especiais em que a vida se prolonga de forma irracional, sem que o sofrimento ceda, nem a morte aconteça, se deverá dar ao doente a hipótese de poder escolher. Porque todos na vida, em todas as circunstâncias, devemos ter direito à escolha, princípio essencial da liberdade individual e que deverá ser respeitado. E, nestas circunstâncias, deverá ser o médico a cumprir a vontade do paciente.
Porém, casos haverá em que a situação clínica poderá não permitir ao próprio expressar a decisão de querer morrer, ficando a mesma na mão de terceiros. Terão estes legitimidade para o fazer?
A esta pergunta todos lembrarão o caso de Ramón Sampedro que esteve tetraplégico durante 29 anos e a batalha inglória que travou com a justiça, nos últimos 5 anos da sua vida. Batalha que só terminou quando Ramon cometeu o suicídio assistido porque alguém, por piedade, lhe pôs ao alcance os meios para o fazer.
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