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O HIV COM PESSOAS DENTRO

Quantas vezes ouvi falar de pessoas com Sida nos últimos anos? Muitas certamente. Porém, ouvia de forma distante como se fizessem parte dum mundo que eu não pisava. Sabia que um ou outro dos meus conhecidos era portador de HIV. Podia ser um dos toxicodependentes a quem dou moedas sem indagar o seu destino, ou um ou outro indivíduo dum meio onde se conhece muita gente.

Nunca achei que me pudesse acontecer ou mesmo a alguém próximo. Hoje, depois de conhecer o Sidadania e de tudo o que aprendi, reconheço como fui leviana, eu que, normalmente, não costumo ser. Porém o HIV não fazia, decididamente, parte das minhas preocupações quotidianas.

Esta aprendizagem intensiva começo-a pela mão do Raul, uma pessoa fabulosa de que me orgulho de ser amiga. Depois conheço o Paulo e fico maravilhada com a sua sensibilidade e a sua força. O que faz destas pessoas tão especiais para além da sua forte vontade de viver?
O que os torna especiais é a sua dimensão humana que não transpira ódio nem frustração quando se sente em desvantagem. Pessoas capazes de se entregarem a uma causa e ainda arranjarem forças para se reverem nas causas alheias.

Pessoas que me ensinaram novos caminhos na solidariedade e na sensibilidade. Porque no mundo do HIV ninguém fica como era dantes. Ou se opera uma superação ou se soçobra no desânimo. E não tanto pela doença em si mas pela representação social que há sobre ela. Algo que magoa quem está particularmente fragilizado e sensível.

Só agora me apercebo do sentir de certas reacções que me pareciam algo exageradas face a comentários que lhes davam origem. Neste mundo de hipersensibilidade há uma dor latente que é preciso dissipar.

Quem não está a sofrer neste momento? Quanto complexo e frustração não estão escondidos? Quantas pessoas não sofrem de enfermidades do corpo e da alma?

Porque alguém se deveria achar acima de quem é portador do HIV? Tenho alguma dificuldade em entender a discriminação. E neste mundo intenso de emoções procuro respostas para muitas das minhas insuficiências quando procuro.

Porém e acima de tudo, o Sidadania ajudou-me a olhar esta patologia com olhar mais cuidado e, sobretudo, com uma vontade enorme de procurar uma nova visão redentora que acabe com estigma, esse grande inimigo da nossa afectividade.

E não apenas em relação ao HIV mas em relação a todos os que sofrem sejam elas doenças do corpo ou do espírito.

Só o amor redime e nos acrescenta.