HIV, TOXICODEPENDÊNCIA E ESTIGMAS


Dói dizer mas nem todos somos iguais na doença e na morte. Nem no prazer nem na forma de amar. Há riscos acrescidos para quem vive nas margens do mundo e as estigmatizações cruzam-se e multiplicam-se, em ambientes excluídos, exclusivos de quem vive para além daqueles limites que a sociedade impõe.

A toxicodependência é um flagelo das sociedades modernas. Não porque o consumo de drogas não fosse conhecido e praticado noutras sociedades, e noutros tempos, mas porque o narcotráfico se tornou o monstro que devora vidas, ceifa ilusões e atira pessoas para as ruas onde os guetos representam a antecâmara da morte e onde os estigmas se cruzam com outros estigmas retirando a seres humanos a sua condição humana.

Entre os portadores do HIV, os toxicodependentes são uma população que, em Portugal, surge como a mais atingida. Em Dezembro de 2007 dos 32.491 casos de infecção de VIH/SIDA constantes dos dados do Centro de Vigilância Epidemológica das Doenças Transmissíveis do Instituto Ricardo Jorge, os toxicodependentes são o grupo mais afectado havendo uma clara predominância masculina (85%). Porém, ainda na população toxicodependente, os dados apontam para 57,9% de casos de co-infecção SIDA e tuberculose. Porém, e segundo os mesmos dados de 2007, é a via heterossexual a principal responsável pela transmissão da doença que revela uma crescente tendência evolutiva.

Os problemas sociais são altamente preocupantes bem como os encargos resultantes de uma situação que continua a ser das mais dramáticas e preocupantes no quadro da U.E.


O narcotráfico que continua a dominar o sub-mundo do negócio com ramificações a diferentes níveis de poder, está longe de ser combatido. A moldura penal continua a não responder à gravidade das situações e os traficantes actuam, quase impunemente, junto a escolas frequentadas por jovens a despontar para a adolescência onde a curiosidade é mais forte que os alertas lançados pelos educadores.

Políticas de educação mais actuantes do ponto de vista de prevenção exigem-se dos progenitores e professores sendo de tudo louvável a iniciativa apresentada pelo médico Manuel Pinto Coelho e apoiada pelo presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, de as escolas portuguesas fazerem despistagem do consumo de drogas. É que um quarto dos alunos dos 15 aos 19 anos já consumiu drogas e outras substâncias psicotrópicas, segundo o Inquérito Nacional em Meio Escolar (INME), relativo a 2006 e divulgado recentemente. O documento revela também que 11% dos alunos do 3º.Ciclo, entre os 12 e os 15 anos, experimentaram droga pelo menos uma vez.

Estas situações que atiram para as margens da vida adolescentes que nem sequer têm a consciência plena das suas decisões e muito menos das suas implicações futuras, potenciam todo um conjunto de situações de alto risco, a nível de contágio pelo HIV, sobretudo na fase da vida sexual que é quase sempre vivida ignorando a prevenção. Isto mesmo em casos de comportamento seguro no consumo das drogas.


Outro aspecto que convém realçar é de que se a saúde, para as sociedades modernas se tornou um indicador essencial do equilíbrio do bem estar geral e de desenvolvimento social, económico e cultural, a problemática da SIDA deixou transparecer as vulnerabilidades e fragilidades dos países mais desenvolvidos e distanciou, ainda mais, os países pobres no que respeita aos indicadores de saúde (ONUSIDA, 2000).

Os estudos apontam ainda que a precariedade económica e social – parcos recursos económicos, baixa escolaridade e fraco acesso aos recursos médico-sanitários e sociais – potencializa uma maior vulnerabilidade à transmissão do HIV/SIDA.

A ONUSIDA tem vindo, também, a alertar para a existência de um significativo volume da população mundial que permanece vulnerável ao vírus porque desconhece os conceitos básicos da doença e da sua transmissão.

Esta organização mundial refere, também, que quanto maior é o nível de escolaridade, maior é o nível de informação em relação à doença e, maior é a atenção dada à protecção nas relações sexuais ocasionais.

Esta fragilidade, característica das populações carenciadas, acumula no caso das mulheres, a sua particular vulnerabilidade de género: inseridas em ambientes culturais de dominância masculina, raramente questionam o comportamento do parceiro e dificilmente colocam exigências que possam interferir com a prerrogativa masculina de desfrutar de sexo livre de responsabilidades.

Notas Soltas em Comentários:

(cursor do rato sobre o texto, pára o movimento, retirando-o retoma)


...a pobreza, a falta de ocupação e trabalho, a ignorância leva ao aumento brutal destes dois binómios:toxicodependência/prostituição!M.Relvas


...é mais provável que alguém que sofra de cancro se cure que um consumidor de drogas duras cortar em absoluto com o mundo da droga e fazer uma vida normal. Lidia


...algumas destas que estão na prostituição por causa do tráfico de drogas,pois precisam de dinheiro para manter o vício e entre estas e estes "maridos" têm muitas pessoas com AIDS .Arnaldo Trindade


Receitar canabinóides com efeitos terapêuticos parece-me absolutamente razoável do ponto de vista do acto médico.Jorge P.G.


...ela sabia que estava infectada e já tinha desistido de viver... o objectivo de vida dela era apenas ter dinheiro para mais um consumo até ao dia em que a morte chegasse.Biby


Espero que estes textos, que tanto assustam, consciencializem as milhares de pessoas que acham que este virus só afecta os outros. Vera Marcia


As salas de chuto não virão acabar com a droga nas ruas.Compadre Alentejano


Quanto à cannabis eu tenho uma opinião liberal,sou a favor da prescrição médica e também a favor de clubes de plantio até 5 pés da planta, para consumo próprio.Raul


Acho que a droga poderá ser receitada para fins terapeuticos mas jamais aceitaria plantações para consumo próprio. Para desgraças já bastam as que temos.Mendonça


Conheci uma desgraçada que me pedia dinheiro que chegou a dizer-me que fazia um broche por 2 euros. Legalizar isto ou punir quem se aproveita da miséria alheia?Joseph


Com esse seu argumento legaliza-se tudo. Para não se roubar muito rouba-se pouco. As prostitutas e redes de tráfico e as que são sem quererem empurradas pela vida.Brito


Para evitar esta degradação, levada ao extremo, é importante um controlo sanitário eficaz e que os médicos mediante prescrição possam deixar «casos perdidos» consumirem. Robin Hood


... teimam em pegar o toiro de frente quando só existe possiblidade de o pegar de sernelha! Não admira pois que exista sangue na arena: o HIV.Pata Negra


O meu objectivo foi sempre recuperar o meu marido. Amei-o e acompanhei-o em tudo o que me foi possível. Chamei por Deus nas horas más. Mas ninguém me ouviu e o meu sofrimento já não cabia no meu espaço. Louise


Há que incutir valores de respeito pelos outros, de afecto e de cumprimento de normas sem as quais não há sociedades mas sim bichos que se agridem a esmo. São as regras sociais que estabelecem limites que, parecendo constrangedores, defendem a nossa liberdade. Abel Marques


Pronto eu concordo que se forneça droga com prescrição médica e que se dê apoio aos desgraçados que embarcaram nessa vida. Mas só isso. Abel Marques


Salas de chuto...
Porque não...? Se é a alternativa eficaz e segura, porquê tanto drama à volta das mesmas. Fracas mentalidades... Sérgio Figueiredo


93 comentários:

RAUL disse...

É um mau texto. Mau, não na forma como está escrito mas naquilo que revela e que é a panorâmica da situação da toxicodependência no nosso país e da associação ao HIV e não só, que não é nada boa.
Um ponto que gostaria de ver discutido pelos nossos leitores é a sua opinião quanto à implantação de salas de chuto no nosso país. Salas de consumo assistido, onde os utentes trazem a substância a consumirem e se auto-injectam com todas as condições de higiene, ou se preferirem a substância é lhes ministrada por profissionais de saúde devidamente qualificados. Estes locais seriam polivalentes, teriam aconselhamento psicológico e as portas abertas para tratamentos de substituição com metadona e outras substâncias entre as quais não se exclui o uso de heroína e outras drogas chamadas “ilícitas”.
Quando se iniciou o programa de troca de seringas, ouve resistência por parte das populações, que não o desejavam. Hoje é um programa de sucesso, que salvou mais de 70.000 pessoas de serem infectadas com o vírus da hepatite C e HIV entre outras DST. O programa segue sem perturbar ninguém.
Qual seria a reacção dos leitores se no seu bairro ou área de residência fosse implantada uma sala de chuto?
Gostaria também de saber a opinião dos leitores acerca da legalização das drogas leves (o termo não é correcto), com especial relevância para a Cannabis (Boi, Liamba, Erva) a qual tem propriedades terapêuticas. Mesmo sendo contra a liberização das drogas, o que acham acerca de os médicos poderem livremente prescrever o uso de cannabis terapêutico, em casos que achem necessário.
Um abraço e boas participações

Mário Relvas disse...

Um texto interessante. O narcotráfico é o maior "negócio", directo ou camuflado que existe.Sim, um negócio que circula nas nossas ruas em todo o Portugal. A lei actual incentiva o consumidor.Os traficantes circulam com pouca droga, dentro dos parâmetros exigidos por lei para ser considerado consumidor.Vende-a e depois vai buscar mais.Não se entende como não se descobrem os "mini-depósitos".Esta lei leva a que os agentes policiais se demarquem do consumidor e do pequeno tráfico, e se concentrem em actos maiores.Dividir para reinar é o estado da droga actual.Circula por aí e é consumida abertamente nas nossas ruas em todo o país, por todos os escalões ectários e sociais. As aldeias do interior estão um flagelo neste campo.Em relação aos dados apontados faltou referir que existe uma ligação entre a toxicodependência e a prostituição. Se tivermos em conta que muitos dos que frequentam as prostitutas(os) não usam preservativo e que aqueles poderão estar infectados por HIV, Hepatite B, C...e outras, encontramos aqui um foco de proliferação de doenças.
Também se sabe que o factor exclusivo, a pobreza, a falta de ocupação e trabalho, a ignorância leva ao aumento brutal destes dois binómios:toxicodependência/prostituição!

Saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Vou começar por dar a minha opinião pessoal às questões que colocas.
Penso que devemos fazer uma avaliação realista da situação da toxicodependência e perceber que é mais provável que alguém que sofra de cancro se cure que um consumidor de drogas duras cortar em absoluto com o mundo da droga e fazer uma vida normal. Até porque o cérebro tem uma zona de prazer que fica destruída o que, muito dificilmente, permitirá ao indivíduo voltar a ter uma vida normal.
Nesta perspectiva, há que encarar a possibilidade de programas que permitam a inserção social do toxicodependente quer através dum trabalho, ou duma profissão, quer através dum receituário médico que inclua as substâncias/drogas de que o indivíduo necessita. Estes programas já têm sido implementados com êxito em vários paises, nomeadamente, se não estou em erro, nos países nórdicos e no Canadá. Se um médico receita morfina a um doente em situação de sofrimento profundo porque não receitar a um toxico? Quanto à legalização das drogas leves, pura e simples, a minha opinião é: NUNCA EM CIRCUNSTÂNCIA ALGUMA.
Aliás quase todos os toxicodependentes de heroína e cocaína começaram com drogas leves e não gostaria de ver em Portugal o exemplo de Amesterdão que conheço relativamente bem e de perto.
Há que desincentivar o consumo das drogas e não criar condições para que proliferem.
Quanto às salas de chuto posso aceitar em zonas em que se justifiquem e com controlo sanitário. Porém também, e pelos motivos atrás descritos, tenho sérias reservas que se encarem estas práticas como soluções para os graves problemas que lhe estão subjacentes.
O meu "mau" texto foi objecto de várias pesquisas que apontam para o facto de que a troca de seringas, embora com resultados positivos, estará longe de evitar a propagação do HIV entre a população dos toxicodependentes visto que, os comportamentos de alto risco nas suas relações sexuais (nomeadamente para arranjarem dinheiro para a droga), são os principais responsáveis por essa propagação.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Tens razão mas quando eu refiro a situação de alto risco nas relações sexuais na população toxicodependente estou já a referir-me às situações em que o sexo é uma forma de conseguir donheiro para a droga.
Por esta razão eu penso que a droga deveria ser "fornecida" a indivíduos, identificados pelos médicos como toxicodependentes crónicos, para evitar a prostituição, o roubo e a proliferação do negócio.
O que tu dizes é verdade relativamente à forma de ludibriar as autoridades. Mas eu penso que nunca houve um real empenho, em nenhum dos países ditos desenvolvidos, em acabar realmente com a droga pelos impérios que movimenta e pelos tentáculos do polvo que se estendem sabe-se lá até onde.
O branqueamento de capitais que continua a fazer-se é uma forma de dar continuidade a uma situação que, tal como a prostituição, não pára de crescer, nós sabemos que existe mas preferimos hipocritamente manter na clandestinidade.
Abraço

Arnaldo Trindade disse...

A questão da mulher está mais vulnerável é algo que deveriamos,ou devemos comentar,já que em todo o mundo,não só o preconceito quanto ao uso da camisinha(dizem que é como chupar bala com embalagem) faz com que os homens não queiram usar a mesma e as mulheres com seus medos e também com seu fr[agil posição nos ciclos sociais de vários locais e em várias regiões,se veem sem muita força pra dizer que querm se proteger e proteger os maridos,os mesmos que em grande parte traem as mulheres,com prostitutas,algumas destas que estão na prostituição por causa do tráfico de drogas,pois precisam de dinheiro para manter o vício e entre estas e estes "maridos" têm muitas pessoas com AIDS e sem noção do perigo que correm e que podem acometer suas esposas e parceiros,deste modo o número de pessoas portadoras do VIH ou HIV aumentam gradativamente,mesmo com todo o aumento da propaganda do uso de preservativos e dos modos de transmissão do vírus.
Algo bem simples e que muita gente no mundo leu e que destes,muitos nem deram muita atenção,causando essa pandemia que vemos agora no mundo.

Bem simples:
ASSIM PEGA.

sexo vaginal sem camisinha

sexo anal sem camisinha

sexo oral sem camisinha

uso da mesma seringa ou agulha por mais de uma pessoa

transfusão de sangue contaminado

mãe infectada pode passar o HIV para o filho durante a gravidez, o parto e a amamentação

Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados


ASSIM NÃO PEGA.

sexo, desde que se use corretamente a camisinha

masturbação a dois

beijo no rosto ou na boca

suor e lágrima

picada de inseto

aperto de mão ou abraço

talheres / copos

assento de ônibus

piscina, banheiros, pelo ar

doação de sangue

sabonete / toalha / lençóis

Zé do Cão disse...

Minha querida Silencio. Todos os meus mails contêm humor e a grande maioria
referem-se a uns certos animais.
Vou enviar-te um que me mandou meu filho mais novo, agora mesmo, que lhe foi remetido pela Universidade do Minho. Curioso, muito curioso....

Bj.

Jorge P.G disse...

Prostitutas nas ruas e estradas, sem nenhuma garantia de condições higiénicas, ou em bordéis com grande controlo e proteção sanitária?
esta questão é bem antiga e países houve que se voltaram para segunda hipótese, que defendo à outrance.

A questão das salas de chuto tem algo de semelhante. Quando se destinem a proteger os consumidores, admito-as como boas.
Isso não acabará com a droga nas ruas, em sítios bem conhecidos das próprias autoridades policiais e sanitárias. Mas poderá, certamente, contribuir para a contenção na propagação do flagelo da droga a muitos que ainda não foram vítimas dos passadores ou da adulteração do produto consumido.

Receitar canabinóides com efeitos terapêuticos parece-me absolutamente razoável do ponto de vista do acto médico.

Um abraço.
Jorge P.G.

Biby disse...

Olá a todos!
Começo por responder ás perguntas do Raul. Salas de chuto? Talvez... mas tenho as minhas reservas...ninguem quer este tipo de sitios á porta da sua casa. Criar salas de chuto na perifieria longe da vista de todos tambem não resultaria porque os que iriam beneficiar delas não teriam condições/nem vontade para fazer kilometros para consumir...Toda a gente sabe que quando têm droga tem que a consumir no imediato.
Liberalização das dorgas ditas "leves"? Não, quase todos os utentes toxicodependentes que segui no meu estágio começaram com 13/14 anos por consumir drogas ditas leves, e depois "escalaram" para a heroina no sentido de experimentar algo mais forte.
Prescrição de algumas drogas com efeitos terapeuticos? Sim, mas com controlo apertado.
Em relação ao post achei muito bem escrito e retrata o panorama actual. Só acho que faltou um pequeno ponto. Aqueles/as que se prostituem para ter dinheiro para os consumos e cujo o desespero por mais uns "trocos" o fazem muitas vezes sem preservativo. Tive uma utente que me dizia "se me dão mais dinheiro para ser sem camisinha eu faço...já não tenho nada a perder"...
ela sabia que estava infectada e já tinha desistido de viver... o objectivo de vida dela era apenas ter dinheiro para mais um consumo até ao dia em que a morte chegasse.

Vera Márcia disse...

Todos os cidadaos deveriao ler este blog de "sidadania".
Assusta ler os seus textos de tao verdadeiros que sao.
Espero que estes textos, que tanto assustam, consciencializem as milhares de pessoas que acham que este virus só afecta os outros. Que se cuidem quando tem relaçoes sexuais com varios parceiros,entre outras coisas. E que nao estigmatizem as pessoas que ja estao infectadas!
É um bom Blog! Parabéns!

Compadre Alentejano disse...

As salas de chuto não virão acabar com a droga nas ruas. Como alguém disse, é mais fácil vencer o cancro que a droga. E, todos nós sabemos, que a droga é meio caminho andado para o HIV.
É um problema tão complexo, que não me atrevo a debater...
Um abraço
Compadre Alentejano

RAUL disse...

Ainda no inicio este debate está a tornar-se interessantissimo e começamos a alargar o leque passando à prostituição de rua,sem qualquer condições higienico-sanitárias.
Antes de mais quero dar a conhecer a minha opinião acerca dos vários assuntos que estão sobre a mesa para que fiquem claros os meus pontos de vista em próximas intervenções.
Salas de chuto? Sim, adaptadas à realidade portuguesa e seguindo os modelos de sucesso em toda a europa.
Quanto à cannabis eu tenho uma opinião liberal,sou a favor da prescrição médica e também a favor de clubes de plantio até 5 pés da planta, para consumo próprio.
Defendo também a legalização da prostituição para que haja um controlo eficaz na proliferação de DSTs.
Para a Biby, o talvez que dás na tua opinião, será o politicamente correcto para nada se fazer.Ou sim ou não, e se avançarmos e verificar que foi um erro teremos de o reconhecer.Quem nunca errou na vida e quantos milhões foram gastos em programas que foram autenticas aberrações.O grande problema nacional é não admitirmos os erros e tentarmos convencer o mundo que esse programa é um sucesso e continuarmos com ele.
Outro grande problema, são os boicotes ao desenvolvimento de vários programas, que poderiam ter sucesso e que morrem quase à nascença.Como está o programa de troca de seringas nas prisões entre a população reclusa? É para continuar aperfeiçoando-o ou é para desistir,sabendo que a droga circula livremente dentro das prisões e que a transmissão de HCV e HIV neste meio, tem custos incalculáveis?
"Maus" textos como este têm o condão de despertar consciências, para uma realidade nacional que precisa urgentemente de uma acção revolucionária para haja "Harm Reduction", quer a nivel humano quer económico.
Obrigado Lidia pela tua pesquisa, e por nos trazeres este excelente trabalho,para abanar consciências adormecidas para uma realidade perigosa para toda a comunidade.
Um abraço

M.M.MENDONÇA disse...

Lídia/Raul

Este texto é profundamente doloroso por tudo o que diz e fica implícito. Sou um homem que procura a verdade e a compreensão, que não admito o estigma. Mas tenho a minha visão do mundo baseada naqueles príncipios e valores sem os quais não acredito que a sociedade se sustente de forma sã e equilibrada.
Concordo com o que diz a Lídia e não tanto com o que diz o Raul.Acho que a droga poderá ser receitada para fins terapeuticos mas jamais aceitaria plantações para consumo próprio. Para desgraças já bastam as que temos.Já viram esse consumo próprio no que iria dar sobretudo trazendo membros do agregado familiar que em princípio não consumiriam e que com essa facilidade passavam a consumir?
Respeitar quem se droga e procurar uma solução para essas pessoas é bem diferente de andar por aí a aliciar, ainda que indirectamente, pessoas a consumirem. Não me digam que só consome quem quer. Eu já passei por momentos bem difíceis na minha vida e se tivesse à mão algo que me anestesiasse um pouco a dor tinha deitado a mão.Ainda bem que a droga não estava à mão de semear.
As salas de chuto também me merecem reserva. Elas são necessárias porque existe este cancro social que tem que ser combatido.Andar a espalhar salas de chuto pelo país quando se fecham os centros de saúde parece-me um contrasenso. Uma ou outra sala de chuto em locais de grande concentração de drogados e a título transitório ainda poderei aceitar.
Relativamente à prostituição considero que teria que haver um post só direccionado para essa situação e, por isso, não me pronuncio. Teria que fazer uma grande dissertação.
Abraço

Joseph disse...

Raul
Este não é um mau texto, este é um texto com a qualidade necessária para um debate sério. Percebo que goste duma grande liberalização a vários níveis e respeito isso. Cada um é livre para defender e viver os seus pontos de vista desde que não colida com a liberdade dos outros. E quem não é liberal também deve ter direito à vida e a ser respeitado, razão pela qual estou a emitir um ponto de vista discordante.
Sou contra as salas de chuto e essa de plantar cannabis para consumir até me causa calafrios. Infelizmente este País - e muitos outros - têm droga a mais e não a menos.
Já a droga receitada pelo médico para tratamentos, ou porque já não pode ser doutra forma,para mim faz todo o sentido.
Os toxicodependentes chegam a um estado de miséria moral e fisica que estão por tudo. Da mesma forma que não se importam de utilizar a seringa do outro mesmo sabendo que pode não estar infectada, fazem sexo inseguro sem se importarem porque o que interessa é arranjar dinheiro para consumir.
Conheci uma desgraçada que me pedia dinheiro que chegou a dizer-me que fazia um broche por 2 euros. Legalizar isto ou punir quem se aproveita da miséria alheia? Sempre ajudei sem este tipo de contrapartidas que me repugnam.

Mário Relvas disse...

Caros companheiros de debate,
a minha opinião sobre este assunto é conhecida. Curar significa não depender. Como é possível alguém ser curado da dependência aditiva quando se substitui uma droga por outra? Sou contra as salas de chuto e obviamente acabava com elas.Agarrava nos "técnicos" e no dinheiro gasto nas instalações e na droga METADONA,para criar um programa de tratamento -suportando gratuitamente o Estado, apenas, até 2 tratamentos/recaída- e criava zonas de tratamento livre de drogas. A FRIO, com todo o apoio social e psicológico. Com acompanhamento médico.Passados cerca de 6 a 8 dias a dependência física já era... e iniciava-se o tratamento da dependência psicológica. Este programa serviria também para dotar os internados em algumas profissões e contrapartidas em empresas ao fim de X meses livres de droga.
Alguém dá um emprego a uma pessoa que faça tratamento num CAT -mudem-lhe o nome, mas treta é a mesma-?Sabem que é dependente e que tomando metadona continua ainda mais dependente. Ouçam-os. Perguntem-lhes. Quantas vezes tomam metadona quando não arranjam heroína? E depois deixam de aparecer ao tratamento enquanto têm a dita?
Sobretudo estes tratamentos têm que se reger pelo exemplo e inserção dos que já se livraram da droga. Um indivíduo que se droga está emocionalmente muito fraco. É necessário que as pessoas lhe prestem atenção a nível psicológico, inquirindo de toda a sua situação social e familiar.
Depois de tratada a dependência,
e com o rendimento de inserção, possivelmente com algum subsídio para residir numquarto, numa pensão, comparticipado pela segurança social, atiram-nos para a rua, sem qualquer horizonte de trabalho. Logo, para a droga, para a prostituição e para o crime.
Tratar, curar e inserir.A única hipótese de não recair

Saudações e um sorriso

RAUL disse...

Amigo Mendonça
Li o seu comentário, a sua opinião que respeito em especial no que diz respeito à formação de clubes de plantio.
Algo que considero abominável, na problemática da droga é o narcotráfico. Acho que neste ponto a maioria estará de acordo, e os que não estiverem não se revelarão excepto se entre eles houver alguém que defenda o narcotráfico, como um travão ao desenvolvimento do consumo de drogas, um problema que o governo com as politicas actuais não consegue resolver, nem nenhum governo resolverá excepto se adoptarem medidas revolucionárias para as quais têm medos dos riscos que daí possam advir. Um primeiro passo terá de ser dado e logo a seguir outros mais arrojados, e eu acredito que esses passos se iniciam pela cannabis, primeiro pela parte médica e logo a seguir pela formação de clubes de plantio. Ter um vaso em casa com uma planta em meio urbano ou uma ou duas plantas em meio rural, para consumo próprio não pode ser crime e é uma forma de reduzir a necessidade de se recorrer ao narcotráfico, contribuindo assim para o enfraquecer.
Não sei se viu na televisão hoje, uma apreensão de mais de 4 toneladas de Haxixe, no Algarve.
Viu os meios que o narcotráfico tem? Um semi-rígido de alta qualidade, com quatro motores de mais de cem cavalos cada. Aquilo voa sobre as águas e esconde-se facilmente. Armas também as têm e quem faz as entregas são operacionais altamente treinados. Há uma equipa em terra para actuar imediatamente e dar destino imediato ao produto recebido. Não se pode armazenar a droga por muito tempo. Sente-se que há poder por trás do narcotráfico e não o podemos subestimar.
Acha que o mercado não continua a funcionar? Imagina o número de operações bem sucedidas por parte do narcotráfico para abastecer o mercado? Acha que enquanto esta operação decorria, combatida com os meios que o governo tem ao seu dispor, em algum outro lugar não estava a ser feita outra entrega com sucesso para os traficantes.
Talvez agora compreenda melhor o sentido do meu ponto de vista. O narcotráfico deve ser combatido, e se quisermos medir forças em capacidade económica nenhum governo terá forças e capacidade financeira para o combater eficazmente, especialmente na via de entrada marítima por termos muitos quilómetros de costa.
O combate ao narcotráfico passa por o combater economicamente, e isso pode começado com uma abertura e uma nova política sobre drogas atendendo às necessidades dos consumidores os quais devem ter uma alternativa ao consumo das substâncias que obtêm através da rede de traficantes que abastece o mercado.
Um abraço e obrigado pelas suas participações no Sidadania. Aqui eu sou do contra, mas em muitas outras situações poderei ter a mesma opinião. Cá para nós que ninguém nos ouve diga-me “Eu adoraria ter ali na varanda um vaso com uma Indica, sou criminoso por isso?”

RAUL disse...

Joseph
É arrepiante o que descreve no seu comentário. Temos um ponto em comum que é combater para que situações como as que descreveu desapareçam. As maneiras de o fazer é que diferem. No meu comentário ao Mendonça acho que ficaram claras. O que devemos fazer? Reprimir que é o que temos vindo a fazer desde sempre, sem conseguirmos resolver o problema ou mudar de política e iniciar outras formas de luta, inovando e tomando atitudes radicais que depois de aplicadas caso não surtam efeitos têm sempre a vantagem de se cancelarem e estudar outras formas de combate. Não vai ser fácil, vai demorar tempo a tomarem-se medidas politicas diferentes, mas é inevitável que é o que irá acontecer no futuro.

G.BRITO disse...

Vasos de cannabis na varanda para quê? É criminoso sim. Não será um criminoso dos grandes mas é um criminoso pequeno porque a droga é para se combater e não para se promover. Desculpe-me Raul mas tenho que lhe dizer isto porque sinto assim e estamos em debate franco e aberto. Quem não concordar opina contra.
Com esse seu argumento legaliza-se tudo. Para não se roubar muito rouba-se pouco. As prostitutas e redes de tráfico e as que são sem quererem empurradas pela vida. Tudo legal.
Amigo também sou homem e gosto de curtir mas há limites entre a minha liberdade e a dos outros. As pessoas que querem fazer tudo isso e retirar o prazer que podem da vida, quando a coisa dá para o torto não sofrem sozinhas as consequências. Sofre a família e sofre a sociedade.
Sou o primeiro a defender que se deve amar, proteger e acolher quem está em maus lençóis mas não podemos ser egoístas relativamente ao que esperamos e desejamos dos outros.
É preciso pensar se não estamos a exigir um altruismo quase sobrehumano.
E digo-lhe mais, sou patrão dum empregado que tem HIV. Trabalha ao pé de mim e dei-lhe trabalho porque ele precisava e não tinha facilidade.Usa as máquinas de café os copos e tudo o resto e não admito que nenhum outro funcionário diga o que quer que seja e todos sabem a situação clínica dele.
Agora não gosto que se vire o bico ao prego e até parece que o toxicodependente é que é a vítima da sociedade que tem que aceitar todos os desvios derivantes duma opção que fez em certa época da vida.
Peço desculpa se fui agressivo mas sou um homem franco e não sei expor por meias palavras.

RAUL disse...

Caro Brito
Adorei o seu comentário ele é genuíno, e franco. A agressividade que refere não é mais do que o entusiasmo com que defende aquilo em que acredita. Apenas quero que fique bem claro que naquilo que eu expresso, não há promoção ou incentivo ao consumo de drogas, antes pelo contrário. O que eu defendo é uma nova abordagem às políticas actuais sobre a droga em que a repressão não tem surtido efeito. No combate ao narcotráfico está a chave para a solução do problema. Como o combater é que realmente estão as diferenças, uma vez que por muitas apreensões de droga que se façam, o mercado continua abastecido. É difícil entender a rede de distribuição de droga, pois ela está tão bem organizada e tem tal poderio económico que os governos não têm meios operacionais para a desmantelarem. Quantas redes actuam no nosso país e estão a nível nacional ou europeu? Há muitos milhões envolvidos e onde há milhões existem interesses financeiros. Nós vemos o problema da droga, no consumidor e nos problemas sociais e humanos que ela causa. O que deve ser feito na luta de combate contra a droga? Qual a sua opinião? Opiniões com possíveis soluções são o que procuramos. A situação actual é grave e é necessário encontrar alternativas.
Um abraço e continue a comentar da forma genuína como o faz.

sideny disse...

ola

Mário Relvas disse...

ESTIGMAS!!
Convido-vos a ler a postagem no Aromas de Portugal:
Criança autista expulsa de restaurante.
Pais revoltados

Saudações e um sorriso

Robin Hood disse...

Lídia/Raul
O texto faz justiça à autora. Sempre bem fundamentado e com os pés assentes no chão mas não amorfo.
O HIV, entre toxicodependentes, propaga-se através das seringas e aí funciona a troca de seringas mas propaga-se, sobretudo, por via sexual. O toxicodependente faz seja o que for para obter droga: rouba, bate aos pais, maltrata, trafica e prostitui-se. Prostitui-se em qualquer sítio, com vários parceiros, às vezes em simultâneo, aceita sevícias, aceita tudo. A droga é o pagamento seja ele qual for.
Para evitar esta degradação, levada ao extremo, é importante um controlo sanitário eficaz e que os médicos mediante prescrição possam deixar «casos perdidos» consumirem. Não gosto da ideia das salas de chuto porque para mim as salas de chuto não servem para mais nada senão para tirar dos nossos olhares os drogados a injectarem-se. Se eles forem «medicados» já não precisam de salas de chuto.
Quanto a cannabis e outras assim acho que devemos evoluir e não regredir.
Diz o Raul que a sociedade evoluirá nesse sentido. Espero bem que não porque seria um fim abrupto para a nossa civilização. Há quem defenda que é necessária uma rotura brusca para que seja iniciado um novo ciclo mas eu não sou apologista da terra queimada. Ainda acredito na possibilidade de regeneração do homem.
Abraço

Boris disse...

A droga, a sida são males
díficeis de combater
todos conhecem as causas
mas há a grana a correr.

Muitos interesses envolvidos
muita gente bem graúda
que de dia nos saúda
para à noite sermos traídos.

Há dois males grandes fundidos
que noutro maior vão dar
a droga quer droga e vencidos
deixam o corpo violar.

Porque não têm desejo
porque nada têm para dar
porque o sexo é um ensejo
para mais droga comprar.

E esses que não são drogados
e se aproveitam do mal
andam por aí engravatados
nesta vida em carnaval.

Ninguém vai à mão dos senhores
que são trampa da mais rasca
vão aos pobres consumidores
em que a droga os atasca.

E a sida nestes casos
propaga-se até mais não
ninguém quer saber da sida
e menos da prevenção.

Resultado, meus senhores,
é pôr uns certos na prisão
não os que sofrem horrores
mas o que horrores lhes dão.

sideny disse...

acabar com os grandes que enriquecem a custa dos mais fracos
sim as salas de chuto ,pelo nenos eram assistidos novas seringas evitava-se novos contagios .
um consumidor qua ndo quer consegue deixar o consumo nao e trocar as drogas por metadona ,assim e souma troca.
legalizar drogas leves porque nao o que e proibido e sempre apetecido.
se um doente com cancro tem a sorte de o apanhar a tempo ha ai sim tem cura pior e que quando começa adar sinal ja nao ha nada fazer.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Arnaldo Trindade
Concordo com o que dizes sobre a prevenção. E é verdade também o que dizes sobre a desvantagem social da mulher. Continuamos com uma visão machista que o estigma não esbate, antes acentua. Poderá haver segregação em relação aos indivíduos masculinos portadores de HIV. Poderá haver segregação em relação aos toxicodependentes masculinos. Mas se for uma mulher a ser simultaneamente toxicodependente e portadora de HIV ela representará a exclusão em toda a linha. E será discriminada por alguns daqueles que sendo portadores do HIV ou toxicodependentes ou.... consideram que o facto de serem homens merece outras atenuantes.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé do Cão
Cá fico à espera do mail.
Um abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Jorge
Em primeiro lugar convém pensar a que se destinam as salas de chuto e quais as vantagens resultantes das mesmas.
Por aquilo que me é dado saber as salas chuto não podem servir para intervir nem identificar.
A vantagem que me parece óbvia é a de não se assistir a pessoas a injectarem-se em vãos de escada ou nos passeios e poderem disponibilizar uma maior higiene. Nesta perspectiva fariam sentido em locais identificados como críticos, e com carácter transitório, porquanto o combate à toxicodependência terá que passar por programas específicos a serem implantados de forma multidisciplinar e abrangente. Medidas avulsas jamais poderão ser eficazes pese embora a bondade de algumas delas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

BIBY
A apreciação que fazes vem de encontro à minha visão.
Realmente a questão da prostituição entre toxicodependentes revela um duplo alto risco porque é praticada nas condições mais sub-humanas e aviltantes sem o mínimo respeito pela prevenção e pela vida humana. Não é só o HIV que se propaga no corpo: o HIV propaga-se na alma e sem fármacos que minimizem os danos.
Porque o toxicodependente já não tem prazer no sexo e deixa-se dissecar sexualmente para obter dinheiro para o "produto".
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Vera Márcia
O objectivo dos posts e do blog é combater o estigma, indigno duma sociedade do século XXI e do respeito que os outros nos merecem mesmo quando, por opções próprias, sofrem encontraram a dor, a doença e o sofrimento.
Também há que esclarecer e prevenir.
Por vezes o tratamento de "choque" através dos debates nus e crus, se revela o mais adequado.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Compadre Alentejano
As salas de chuto não virão acabar com a droga nas ruas. O problema da droga carece dum plano integrado que terá que ser posto em prática no curto-médio prazo nomeadamente através da despistagem nas escolas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Não podemos nem devemos enterrar a cabeça na areia fazendo de conta que a toxicodependência não existe ou que o HIV só acontece aos outros.
Por isso há que fazer um esforço no sentido de encontrar uma solução digna para os problemas existentes e de redução drástica de aparecimento de novos casos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

M.M.MENDONÇA
A grosso modo, com um pouco mais de intransigência do que eu, andas próximo da minah visão. Como estamos em debate e porque o Raul já te respondeu, eu vou dar a minha visão em relação ao texto do Raul se não te impostas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Tu adorarias ter um vaso com uma planta dessas e eu odiaria ver esse vaso onde quer que seja.
Sou retrógrada? Não sei do que estou a falar? Infelizmente sei. E sei o suficiente para afirmar que esse vaso serviria para estimular o vício mas nunca para o saciar. Porque o vício, uma vez desperto, é um monstro sempre de goelas abertas, que engole vidas, dignidade e a esperança dum amanhã melhor.
Eu tenho uma prima-irmã filha duns pais que a amaram e acompanharam com desvelo.Aos 13 anos foi aliciada para drogas leves e nunca mais parou. A coca passou a ser a sua companheira. Não acabou o liceu, casou e foi trabalhar numa empresa da família. Roubou, despediu-se, prostituiu-se, traficou.Os pais venderam tudo para pagar cauções. Eu própria paguei algumas e fui reagatá-la à policia. Andei com o meu tio pelos hospitais destapando acidentados, à procura dela quando fez quatro tentativas de suicídio que, apesar de serem para valer, não a levaram.
Eu vi ela como louca apontar uma faca ao peito da mãe para lhe exigir dinheiro.Eu também fui roubada e uma vez agredida fisicamente. Até a minha pobre avó que Deus tem não se livrou de ser assaltada aos 87 pela neta que lhe partiu os vidros e revirou toda a casa.
Ela tem um filho do segundo casamento do qual também se divorciou.
Não, ela não vive na rua. Nós fomos sempre à procura dela.Eu fui sempre também. Isto dura há 30 anos. Já passou por centros de recuperação mas nunca desliga por completo. Recai embora por vezes de forma controlada.
Ela acha-se vitima e nós o que temos sido? Só que ela escolheu e nós não. Eu encho-me de paciência a apoiá-la mas ela não gosta de mim. Acha que sou uma privilegiada e que todo o mundo está em dívida para com ela. A sociedade deve-lhe tudo e ela não deve nada a ninguém. Inclusivé ao filho que tem 15 anos e está farto de sofrer. Está agora ao meu cuidado mas vive intensamente a situação da mãe a quem ama apesar de tudo.
Posso dizer-te, Raul,que durante este tempo tenho ajudado não só a minha prima como outros desgraçados que me vêm pedir dinheiro e comida.Mas ajudo por uma questão racional porque o meu coração está seco.E se visse alguém com um vaso na varanda com essa tal planta haveria de fazer para que o vaso lhe caísse na cabeça.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Como habitualmente vou respondendo aos comentadores sobre o texto que escrevi. Agora estou na tua resposta ao Joseph.
O narcotráfico não termina com as plantações de cannabis nem com a liberalização das drogas leves.
Eu estive a trabalhar 3 meses em Amesterdão e fiquei hospedada praticamente junto ao Red Light District.
Apanhei o período de Verão em que Amesterdão tem, em permanência, 12 milhões de turistas. No hotel havia dépliants que falavam dos drogados, muito bem comportadinhos e das prostitutas com certificado sanitário.
E eu vi drogados pelas ruas, tão transparentes como a morte e a pedirem moedas. Fui alertada no Hotel e em vários estabelecimentos para ter cuidado com os cartões de crédito. Há uma rua em Amesterdão que é a rua do mijo em que os drogados mijam no chão e para as paredes.
Lembro-me de numa noite maravilhosa estar jantar num bom restaurante junto ao canal e ver um drogado no chão a picar-se por tudo o que era sítio. E a comida não me passou da garganta. Lembro-me de ter percorrido o Red Light District e visto espectáculos na casa Ross.
Um Amesterdão português? Jamais.
Da mesma forma que não se combate a criminalidade com a pena de morte (não diminui por isso) não é liberalizando a droga que se combate o consumo e se acaba com o narcotráfico.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Qual é a tua proposta para a toxicodependência? Meu amigo, os toxicodependentes só irão tratar-se se quiserem. São pessoas livres. Também não defendo que se lhes deva dar a pena de morte ou levá-los algemados. Logo têm que ser encontradas soluções mais humanistas. Porque se não as encontrarmos eles vão engrossando o número dos sem-abrigo e dos assaltos para obtenção de droga. Ao defender que em casos que já não é possível retrocesso, o médico lhes dê a droga que precisam, estou a defender uma solução digna para eles e para a sociedade em que se inserem.
As salas de chuto permitem que os toxico não se andem a espetar ao pé de escolas, em vãos de escada, nas ruas e possam fazê-lo de forma mais higiénica. Não estou a defender que devam existir em tudo o que é sítio como se fosse um local de lazer ou um centro de saúde. Mas há locais em que se justifica.
O combate ao narcotráfico será uma prioridade que os países terão que adoptar no curto prazo pese embora os interesses envolvidos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Sobre o G.Brito quero esclarecer o seguinte: o empregado a que ele se refere estava a dormir na rua e foi posto fora de casa pela família.
O G.Brito, que eu conheço pessoalmente, fez mais com exemplo que deu que muitos fazem com as palavras.
O que dizes sobre o narcotráfico também se dizia sobre o tabaco ainda que numa lógica diferente. Uma moldura penal mais pesada para o traficante e mais meios nas forças policiais.
Apesar de tudo o que se diz sinto que está a haver um combate mais eficaz ao narcotráfico.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Robin Hood
Percebo o que queres dizer e sublinho com um caso que conheço de perto: enquanto uma toxicodependente fazia sexo dentro do carro o marido aguardava que ela acabasse para trazer dinheiro para a "pica".
Por que é que ninguém fala dos homens que se aproveitam da miséria dos outros para extravasarem o líbido da forma mais animalesca possível?
Alguns dão-se ares de grandes senhores e são reverenciados como tal.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

BORIA
Magnífico. Adorei.
Assim é que é falar ou melhor dito, assim é que é versejar.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SIDNEY
Para se ajudar alguém é preciso que esse alguém queira ser ajudado. Depois há vários caminhos para a cura.
Quanto ao fruto proíbido...


Um abraço

sideny disse...

silencio
claro que para ajudar e preciso que queiram senao nada feito.
mas tambem alguns consumidoresque por eles proprios consguem sair das drogas e nao voltar mais a elas.
quanto a injectarem.-se nao e precisso ir a holanda ca e o prato do dia. as salas de chuto evita algumas overdoses e tambem alguma seguraca para quem esta a consumir.
ontem vi na televisao uma entrevista onde diziam que usar preservativo tira o romantismo enquanto houver pensamentos deste vai haver sempre contagios de doencas.nao e so o hiv entao e as outras.
sera que dao trabalho a uma pessoas que consumiu drogas ? nao dao claro.sera que fazem um seguro a uma pessoa infetada com hiv ? nao fazem.
pois olha eu conheco pessoas que consumiram bastantes anos e hoje nao consomem a muitos anos e tem uma vida mormal como qalquer pessoa que nunca consumiu.
quanto a planta no vaso a planta ate e cheirosa e a folha e bonita nao quer dizer que se va consumi-la.
ha tanta coisa feita dessa planta
e os medicos ja estao a usar em doentes com cancro abre o apetite
quem faz quimio come pouco como sabe teem enjoo e um mal estar horroso.
caminhos para a cura se tiverem dinheiro bastante e facil esse medico que fala em sintra leva oa olhos da cara, senao teem de esperar meses para tatramentoa mais em conta nas taipas isto pata nao falar em tratamentos a frio

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

Oi Lídia so queria dizer isto:

A luta para a liberação das drogas só interessa o futuro viciado e a indústria ilegal da exploração do mesmo.
Porque sabemos que o viciado não feliz é um dependente, nao vanos gostar de ver nosso irmão nestas condições de ESCRAVO.
A liberação estimula quem não usou por achar que ESSA LiBERAÇâO significa Liberdação, mas não nunca será humanamente falando!
Um Grande beijo
Ray

Arte Autismo e www.arteautismo.com disse...

Oi Lídia so queria dizer isto:

A luta para a liberação das drogas só interessa o futuro viciado e a indústria ilegal da exploração do mesmo.
Porque sabemos que o viciado não feliz é um dependente, nao vanos gostar de ver nosso irmão nestas condições de ESCRAVO.
A liberação estimula quem não usou por achar que ESSA LiBERAÇâO significa Liberdação, mas não nunca será humanamente falando!
Um Grande beijo
Ray

sideny disse...

e quanto ha mijar na rua ca tambem
e o que nao falta. e olha nao sao so os drogados que o fazem.
o barco do aborto quando ca esteve poi um escandalo para que, depois tudos votaram a favor do aborto.
as miudas hoje em dia usam e abusam da pilulas do dia seguinte
preferem abusar dela a usar o preservativo. nao e?

RAUL disse...

Lidia e participantes comentadores
E sou um sério candidato a ser um pequeno criminoso, por parte do amigo Brito e arrisco-me a levar com um vaso na cabeça pela nossa amiga Lidia. Estejam, descansados que isso não vai acontecer pois não tenho nenhuma "Indica" na minha varanda.Gosto de plantas e à falta de quintal tenho uns vasos dos quais cuido.Uma erva Cidereira,cujas folhas seco e depois faço um chá maravilhoso 100% natural.Tenho uma hortelã também cujas folhas adoro pelo gostinho que dão numa sopa, em especial na canja.Tenho mais uns três vasos a cuidar de espécies decorativas,mas que não dão "harvest"das quais gosto pela sua beleza.Embora não esteja aqui para falar do meu gosto pelo plantio de plantas, acho importante referir que já tive uma Indica ,não num vaso mas sim num canteiro. Já lá vão trinta e muitos anos.... Escusado será dizer que eu tive um passado de drogas.Durante muitos anos fumei Liamba (Boi, Erva, Marijuana, Cangonha ou Maconha)Eu sou tóxico dependente,eu sou um adicto, tenho que reconhecer.
Um amigo meu holandês de nome Stijn,que está envolvido na redução de danos e na politica europeia para a drogas,diz : "A Drug User never quits". Esta frase parece vir ao encontro da opinião que há mais probabilidades de um doente oncológico com uma neoplasia se curar,do que um toxico dependente deixar totalmente a droga.
A SIDA não tem cura, mas tratamos a doença para controlar o virus.Vale a pena este esforço?Eu acho que sim.
A tóxico dependência também não tem cura então urge que a tratemos.
Como iremos tratar essa dependência eficazmente? Esta é a questão que devemos focar, na procura de soluções.Acho que vale a pena o esforço.
Eu tenho um ou mais comentários que irei publicar,e tenho artigos publicados em revistas que irei trazer para o blog, logo que me seja possivel. Este tema da Lidia é deveras importante para se conter num post só e vai ter continuidade.Eu escrevi este texto on-line face às participações da Lidia. Os meus parabéns a todos os participantes que estão enriquecendo o debate e os meus parabéns à Lidia por ter escolhido e preparado este tema, com muito profissionalismo e sentido de oportunidade tal é o impacto que o tema está a causar,na comunidade da blogosfera.Devo confessar que adoro este tipo de texto participado por quem nos lê e que nos permite despertar consciencias para a necessidade de uma acção imediata.
Bem Hajam

RAUL disse...

Apenas um esclarecimento, que tomo a liberdade de fazer sem consultar a sideny,cuja identificação está protegida por um nick, e porque a informação que vou referir não está conotada exclusivamente à pessoa em causa.Faço-o para uma melhor compreensão dos seus pontos de vista.
Sideny = Doente oncológica,infectada HIV + HCV
Quanto à sua experiência com drogas e tratamentos terá de ser a própria a revelar.
Um Abraço

sideny disse...

raul
como eu disse num comentario anterior o cancro tem cura dectado a tempo.
a sida ainda nao tem cura mas os medicamentos prolongam avida e contrlam o virus.
a toxicodependencia tem cura ha apoios e a tal forca de vontade,ela nao e uma doenca e um vicio ,como o alcool.o tabaco custa mas consegue-se.

sideny disse...

raul
embora tenha varios vasos com plantas em casa chas. flores palmeiras e outras .
tambem existe um vasos com 3 pes da tal planta nao quere diser que ha va consumir . so se for os meus gatos que lhe dem umas trincas

RAUL disse...

Sideny
Fizeste-me rir,no meio de um debate sério.
Olha falando agora dos teus 3 pés de Indica. Não vale a pena tê-los a planta no clima português não está no seu habitat e não se desenvolve excepto em estufas.Como substância terapêutica, será de pouca utilidade excepto se for em chá, mas se queres a minha opinião como perito o chá de cannabis tem um gosto horrivel e a menos que seja misturado numa teasana agradável, é intragável. A mistura não sei se afectará os poderes curativos da planta e a sensação de tranquilidade que se procura. Acho que os Xanax,e os Metabons são um bom substituto,e são drogas legais, pelo que o risco de usar uma droga "ilicita",não se justifica.

Pata Negra disse...

Pelos resultados que se tem conseguido podemos concluir que o combate ao problema da toxidependência se tem feito pelo lado errado - apesar de tudo continua-se a insistir no mesmo caminho, teimam em pegar o toiro de frente quando só existe possiblidade de o pegar de sernelha! Não admira pois que exista sangue na arena: o HIV.

sideny disse...

raul
tem dado a varada e estilo estufa
eu gosto de as ver crescer
nao preciso de nada para dormir ainda.
elas acabam por morrer passado um tempo

Divinius disse...

Temas pertinentes...)*
Para ti linda*

RAUL disse...

Entre os muitos amigos e conhecidos que durante muitos anos “andaram a dar nela”, felizmente conheço muitos que conseguiram deixar o consumo. A quase totalidade desses amigos estão infectados pelo menos com um dos vírus HIV, HCV e HBV e alguns tiveram tuberculoses activas e outros estão co-infectados com mais do que um vírus. Não usam o termo ex- tóxico dependente, e para se definirem geralmente dizem humildemente, sou tóxico dependente em recuperação e deixei de consumir há X anos. Muitos recuperaram a sua dignidade humana e refizeram as suas vidas, com uma força admirável e com muito custo, contra ventos e marés. Uns passaram pelos programas de substituição de metadona, outros por diversos outros programas de desintoxicação. Questiona-se a utilidade e eficácia desses programas, ou melhor eles (utentes, pacientes, doentes etc.) questionam.
Fiz um Zapping mental, aos que me consegui lembrar e o panorama é o seguinte: Há os que têm recaídas anuais ou mais longas, e depois se levantam de novo para nova etapa livres de drogas endo-venosas; Há os que fumam uns charros de Haxixe mais ou menos intensamente e em simultâneo Bebidas alcoólicas (Droga legal); há os que deixaram completamente todo o tipo de substâncias ílicitas. Tentei visualizar um só que não fosse fumador compulsivo (Tabagismo) e não consegui encontrar nenhum.
O ponto que quero deixar em cima da mesa, é se devemos dar valor ou não a indivíduos tóxico dependentes, nestas condições em que têm uma vida normal, muitas vezes difícil, mas que conseguiram sair da miséria humana, retratada em alguns casos aqui relatados, e que é assustadora. Este grupo de pessoas, que referi não precisam de salas de chuto, felizmente pois estão num patamar mais elevado da dependência, não se injectam mas precisam de apoios.
As salas de chuto na minha visão, são entre outras coisas úteis para ajudar outros companheiros a subirem a este patamar de liberdade e auto-estima, que embora não se possa dizer que é o ideal é no mínimo visto por qualquer pessoa sensata como desejável.
Apoiar este tipo de pessoas em recuperação sim ou não? Será que com isso vamos desperdiçar recursos que podiam ser canalizados para outras áreas? Não é fácil a resolução do problema, mas temos de humildemente reconhecer (fazendo minhas as palavras do Pata Negra) que se não conseguimos pegar o touro pelos chifres, teremos que optar por uma pega de cernelha.
Um abraço a todos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Ray
Amiga como já referi sou contra a liberalização mas também não concordo que se fechem as portas pura e simplesmente a quem foi apanhado nas malhas do consumo.
Há que encarar situações realistas e implementar programas que visem a integração/recuperação do indivíduo.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SIDNEY
Eu quero ajudar, não quero apontar o dedo.Mas a ajuda não passa por tomar como bons os maus exemplos.
Não é o facto de haver coisas ruins, como as que apontaste, que torna aceitáveis as que referi.
Porém a vida é sempre vida enquanto é vida e, nessa perspectiva, há que criar uma vida para quem tem o HIV ou é toxicodependente. Uma vida que lhes permita a dignidade e o afecto coisas que acabam por perder na voragem do vício.
É isso que procuro.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra
Pois é, meu amigo o narcotráfico jamais deixará de existir enquanto não houver vontade política para o fazer. E há demasiados interesses envolvidos. Porém acredito que medidas terão que ser tomadas no curto prazo.E há que retirar das ruas esses deambulantes da morte que sofrem e se auto-flagelam e que interferem nas nossas vidas quer queiramos quer não.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

DIVINIUS
Um abraço.

SILÊNCIO CULPADO disse...

RAUL
Sou de opinião que todas as pessoas devem ser ajudadas e portanto não ponho em causa os recursos que são canalizados para as ajudar.Nem sequer se uns merecem mais que outros. A vida e a dignidade humana não têm preço.
Relativamente à recuperação da droga tenho dúvidas. Apenas 7% dos que consumiram drogas duras conseguirá libertar-se delas e, mesmo assim, continuo a duvidar. Depois dum programa de reabilitação, e mesmo que o indivíduo fique "limpo", durante 10 anos as probabilidades de recair são muito elevadas. Claro que há os que conseguem consumir de forma controlada e com a dignidade possível,e há os que não conseguem. A pessoa que consome drogas duras nunca mais volta a ser a mesma. O cérebro fica afectado.
Claro que também há os consumos exagerados de tabaco e de alcool que funcionam como substitutos.
É importante referir, para que se perceba bem do que se está a falar, que o consumo do toxicodependente de drogas duras pode atingir valores superiores a 500 euros/dia. Para se obter este valor, em estado de desespero, tem que se deitar mão a tudo. É aqui que os programas não direi de recuperação porque não acredito na recuperação (acredito que a pessoa passe a consumir de forma controlada e apenas isso) poderão ter um papel decisivo fornecendo a droga em quantidades necessárias. Um drogado em ressaca tem dores horríveis. Eu já os vi verdes, cheios de termuras e a vomitar num espectáculo deprimente que não se esquece.
Infelizmente a droga é consumida por vários tipos de pessoas. Há muitos senhores da praça que têm dinheiro para consumir e que nos passam despercebidos. E estão em vários sectores de actividade nomeadamente em profissões que não se esperaria tais tipos de comportamento.
Há pois que encarar a situação de forma realista. A despistagem nas escolas é fundamental porque permitirá actuar logo de início sobre as situações e porque as crianças não têm maturidade para fazerem opções e se entraram no mundo da droga foi porque foram aliciadas. Quem o faz deverá ser exemplarmente punido.
Abraço

RAUL disse...

Lidia
Como sabes, desde que nos conhecemos, um dos pontos que defendo, quer a nível de educação sexual, quer a nível de drogas problemas que estão interligados, deveria começar nas escolas e bem cedo. As crianças, para além de absorverem aquilo que lhe é ensinado se lhes despertar interesse, são um óptimo veiculo na divulgação da informação podendo-a levar para casa onde actuam junto dos pais, fazendo com que o tema deixe de ser tabu em casa e haja conversas sobre o assunto entre pais e filhos.
Pela primeira vez é aqui referido, o consumo dentro das classes sociais mais favorecidas, ditas ricas, o qual passa despercebido devido ao seu poder económico para manterem o vício e para o camuflarem aos olhos da sociedade.
O problema é o mesmo no que se refere à degradação do ser humano e à dependência das substâncias que consomem. A única diferença está nas consequências sociais que a droga origina. Se a capacidade económica desaparecesse para a aquisição da droga, essas pessoas teriam o mesmo comportamento a nível de roubo, prostituição e agressão a familiares, comum entre os toxicodependentes das classes mais desfavorecidas.
No entanto pouco ou nada se fala sobre o assunto, como se ele não fosse também um problema. Problemas de tóxico-dependência e HIV, existem em todos os estratos sociais e aqui não há “intocáveis”, e quem pensar que não há ligação entre eles corre o risco de se enganar.
Vou encerrar este comentário, pois enquanto vou escrevendo, sentimentos de revolta vão-se desenvolvendo e isso não é nada bom para a minha saúde física e mental. Muito mais há a dizer mas eu vou soltando “bocas” com o desenvolver do debate, pois não tenho pressa para o acabar. Para manter a chama do debate a arder precisamos de mais participantes da sociedade civil que são leitores do blogue. Os responsáveis (Oficialmente) para a resolução dos problemas que são trazidos á mesa, aqui têm o papel de organizadores dos jogos “OLIMPIOS”. Aqui, em sentido figurativo e em analogia com as Olimpíadas, há os “Tibetanos”que têm uma palavra a dizer. Nada poderá ser feito por eles, sem eles.
O sucesso do “Jogos”está no entendimento entre as partes. Um Abraço a todos.

ABEL MARQUES disse...

Lídia
Depois de ler esta maratona de comentários que acrescentam o texto surgem-me vários pontos de referência.

Não basta que a escola e a família eduquem sexualmente e estejam atentas ao problema das drogas. Há que incutir valores de respeito pelos outros, de afecto e de cumprimento de normas sem as quais não há sociedades mas sim bichos que se agridem a esmo. São as regras sociais que estabelecem limites que, parecendo constrangedores, defendem a nossa liberdade. Sem respeito pelos outros vivemos na selva. E todos devem ser respeitados sobretudo os mais fracos e indefesos.
O que contas sobre a tua prima é revoltante porque não há direito que alguém para fazer o que quer a seu bel prazer imponha tamanho sofrimento aos que a rodeiam. Os toxicodependentes não são coitadinhos porque eles escolheram esse caminho que muitas vezes desembocou em circunstâncias trágicas. Nós temos que levar com eles e com os estragos que fazem numa sociedade que não pára de ser ferida pelas drogas. Em relação a quem tem dinheiro para consumir e portanto não rouba, não mata nem agride para obter o produto, só posso dizer que é pena que gastem o dinheiro tão mal. É como jogar nos casinos. Agora quem não tem e quer consumir batendo, roubando e até matando deverá responder por esses actos. Há muita coisa que eu desejo e não tenho. São os tais limites que a sociedade nos diz que devemos respeitar.
Pronto eu concordo que se forneça droga com prescrição médica e que se dê apoio aos desgraçados que embarcaram nessa vida. Mas só isso.
É que senão até parece que os malandros somos nós os que defendemos uma família estável e trabalhamos duramente para pagarmos as nossas necessidades.
Abraço

Louise disse...

Lídia
Como sabes fui casada com um toxicodependente que vim a descobrir, após 5 anos de casamento, que era portador de HIV.
Quando casei já sabia que o meu namorado era toxicodependente. Era ele mais dois dos irmãos e as respectivas cunhadas. Eu nunca consumi, nem sequer drogas leves, o que muita gente achava motivo de admiração. Estava eu a acabar o curso de psicologia quando me casei e os meus pais cortaram comigo apesar de ser filha única. Trabalhei e estudei e exerci e exerço como psicóloga clínica.O meu objectivo foi sempre recuperar o meu marido. Amei-o e acompanhei-o em tudo o que me foi possível. Chamei por Deus nas horas más. Mas ninguém me ouviu e o meu sofrimento já não cabia no meu espaço. Tudo o que eu ganhava era para a droga que ele consumia.Ele perdeu o emprego, roubou, esteve preso. Tentei as doses controladas dando-lhe um X diário mas era como segurar uma montanha.
Depois de divorciados ainda o deixei ficar na casa que era só minha mas era impossível continuar na situação. Vendi a casa e dei-lhe metade do dinheiro para ele se tratar e hoje vivo muito longe e sem que ele saiba onde estou ou como me encontrar.
Concordo com a despistagem nas escolas. Foi aí que tudo começou para o meu ex e era então um puto de apenas 15 anos.
Actualmente evito, mesmo no meu consultório, envolver-me ou tratar situações de toxicodependentes. Foi um fracasso que nunca consegui superar e que dói só de pensar nele.
Abraço

Silvia Madureira disse...

Olá:

Devo dizer que tudo o que é descrito neste texto é a nossa realidade e devo também dizer que é uma realidade preocupante.

Está nas nossas mãos colocar um travão nesta propagação. Está nas nossas mãos reconhecer que se cada um contribuir, a vida de todos poderá ser bem vivida...com responsabilidades...claro.

beijo

Michael disse...

Lídia

Vou acrescentar uma noticia que li hoje no Portugal Diário:
«Milhões de jovens europeus tomam drogas e bebem de uma maneira que altera as suas decisões sexuais e aumenta suas probabilidades de manter relações sem protecção ou de se arrepender sobre relações», diz o coordenador do estudo, Mark Bellis, director do Centro de Saúde Pública da John Moore`s University, em Liverpool. «Mas apesar das consequências negativas, verificamos que muitos tomam deliberadamente essas substâncias para alcançar efeitos sexuais bem específicos», afirma.

Bellis acrescenta ainda que as estratégias para reduzir o abuso do álcool e drogas e encorajar o comportamento sexual seguro devem ter em conta o facto de que os dois estão directamente ligados.

sideny disse...

silencio culpado
depois de ler o seu comentario vi que tem sofrido bastante por causa da sua prima.
lamento bastante,mas a vida de um consumidor e assim sofre ele e a familia.quanto a ela nao gostar de si como refere,nao e verdade os consumidores gostam da familia.
agora que nao acredita numa cura total ,descordo pois ha mais de 11 anos que nao consumo nem faco tensoes de voltar ao consumo.
tambem nuca me passou pela ideia de me matar, gosto tanto de viver agora mais que nunca, ja chega as outras doencas que tenho que me pode tirar a vida.
devo fazer parte da percentagem 7%
e quato a minha cabeca esta melhor que nunca.
um abraco
deixe-lhe uma mensagem no blogg
ja lido um pouco melhor com o computador

sideny disse...

silencio
espero que se algum dia me VIER A conhecer
nao me mande nenhum vaso a cabeCA.
ABRACO

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sidney
Vou sair agora e peço desculpa aos comentadores anteriores por não lhes responder de imediato, porém não posso deixar de te responder a ti.
Se um dia eu te vier a conhecer terei muito orgulho em abraçar quem foi capaz de passar por tudo isso e deixar de consumir. Terei muito orgulho mesmo. Fazes parte dos tais 7%. Diz-me só uma coisa: se o consumo de drogas leves fosse permitido poderias ter a tentação de voltar a experimentá-las e atrás deles fazeres um percurso de reincidência? É muito importante a tua resposta para este debate.
E, por isso, sinceridade acima de tudo.
Um abraço especialmente apertado

RAUL disse...

Sideny
Estás livre de levar com o vaso da Indica,na Cabeça.
A Pergunta da Lídia, é pertinente e é muito importante que respondas,com sinceridade como ela pede.
Eu tenho uma pergunta a fazer-te também,e só a faço devido a conhecer-te há muitos anos e a termos ua amizade que não é de hoje. Se não me quiseres responder em público vais-me responder em privado por mail ou telefone.
Não me venhas com, aquelas tuas respostas tipicas de encolher os ombros, dar uma risada e dizer ehmmm.....
A pergunta é a seguinte: Estando livre de drogas endo-venosas há muitos anos e sentindo uma força interior para nunca mais lhes tocares,que eu sei que é inabalável,é tua prática fumares casualmente um charro de haxixe ou então (aqui entra a minha má lingua)daquelas plantas (do vaso)que começam a morrer e são secas para aproveitar.
Ahh...continuas a fumar tabaco isso eu sei.E umas bejectas no bar do irlandês?
É importante que respondas a esta pergunta também, para que se entenda a redução de danos,e o porquê eu entender que uma politica mais aberta em relação ao consumo de cannabis como terapia,pode ser benéfica para toda a comunidade.BJS

Sei que existes disse...

Tenho estado a ler alguns comentários a este excelente post que mais uma vez nos alerta para uma realiade da nossa sociedade, e apenas vou dizer que concordo totalmente com o comentário do Abel Marques, pois eu diria algo semelhante!...
Beijo grande

sideny disse...

silencio
posso dizer que tambem nao fumo drogas leves, sejam elas erva ou haxise fumo somente tabaco e tenho que largar o mais rapidamente ,estou a mentalizar-me.
quanto a liberacao das drogas leves nao me levava a consumir novamente, o meu consumo de drogas e passado.
estou no presente agora e o que me interessa .
e espero ter um bom futuro.
um abraco

sideny disse...

raul
quanto as drogas ja sei tudo sore elas infelismente, nunca bebi nao gosto ,so casualmente qua ndo saio nao vou beber agua , nao gosto de cerveja.,
tambem nao fumo as ditas drogas leves, as plantas coitadas nunca ficam grandes ,morrem e vao para o lixo,nada a aproveitar
e so uma questao de ter graca.
bej

Zé Povinho disse...

O negócio com o vício e a desgraça é umcancros sociais e uma das actividades mais lucrativas. O combate a este crime não obtém grandes resultados exactamente pelo volume de dinheiro e de lucro implícito.
Pouco mais há a acrescentar, dentro daquilo que são os meus conhecimentos.
Abraço do Zé

Joseph disse...

Lídia
Quando falas no estigma e no direito à diferença há que separar as águas.
Há quem nasça com uma deficiência, ou contraia uma doença, por mera fatalidade ou partida do destino.
O toxicodependente escolhe ser toxicodependente. Às vezes é aliciado em plena adolescência sem consciência plena mas, mesmo assim, escolheu a situação. Há quem escolha ter vários parceiros sexuais e até servir-se de prostitutas. Há comportamentos de alto risco propícios a contrair o HIV. Há quem escolha esses comportamentos.
Devemos ajudar toda a gente a recuperar-se, devemos não estigmatizar, devemos dar a segunda ou a terceira oportunidade. Mas as pessoas que entraram em comportamentos de risco podem ter contagiado com o HIV parceiros fiéis que pagaram opções que não fizeram.
Não quero dizer com isto, e entenda-se bem,que não se deva ajudar quem caiu na toxicodependência ou quem é portador de HIV. Dar uma segunda oportunidade significa acima de tudo não atirar com o passado à cara. Porque se o fizermos não conseguiremos trazer à tona de água quem mergulhou no fundo. Mas temos que pôr os dados em cima da mesa e não vender gato por lebre com certas visões românticas que escondem uma realidade triste e revelam egoísmo e inconsciência na forma como são defendidas.
Um indivíduo errou, nós estamos aqui para lhe dar a mão e para encontrar soluções futuras e não para assumir os seus erros como dogmas inquestionáveis.
A Sidney revela muito bons sentimentos e uma força enorme para romper as cadeias que a ligam, ainda que de forma ténue, ao vício.
É tudo por agora

Silvia Madureira disse...

Olá:

Que pena não ter acompanhado este debate. Mas...a minha vida tem ando de "pernas para o ar".

Bom...como professora posso dizer que este é mais um dos pesos desta profissão...

Na realidade todos sabemos que é na escola que começa a droga e o sexo como calha...

O facto de nos sentirmos impotentes perante isto é deprimente...

Mais...dar uma aula onde os miúdos possam estar drogados ou não (pode-se suspeitar e não ter provas) é doloroso...

Dói mais do que a mãe ver o filho assim...

Não se consegue fazer nada, prejudica-se toda uma turma e vê-se uma vida degradada que parece que arrasta todos dentro de uma sala...

É bom que quando se abrir a boca para falar mal de um professor se pense bem nestas situações...

Ninguém ensina ninguém a lidar com estes casos...sai-nos da nossa força que muitas vezes se desgasta.

Um abraço

Mário Relvas disse...

Lídia,
a minha proposta para a toxicodependência passa pelo aperto ao consumo. Não podemos andar a legalizar o que "queremos tratar".
A Lei desvirtualiza a realidade. A droga em Portugal é o flagelo maior que temos, associada ao crime diverso. Não se trata apenas de pequena criminalidade, que é praticada pelo consumidor e pequeno traficante. Envolve criminalidade organizada que trabalha em diversos sectores:lenocínio, tráfico de pessoas, fuga ao fisco e corrupção, entre outros. Algumas empresas são meras fantuchadas legais, sem lucro, e actividade reduzida, onde os seus donos vivem destes negócios.A "noite" gravita em torno de tudo isto.
Os polícias andam na ponta da lâmina.Podem cair para um dos lados. É difícil manter o equilíbrio na ponta da lâmina para quem não tiver uma sólida formação pessoal e policial, de modo a ultrapassar os obstáculos e as rasteiras que lhes passam diariamente.Cedem nas dificuldades -alguns- e depois é difícil reerguerem-se. É preciso fazer um despiste nacional de consumo de droga entre os agentes de todas as forças. Quem não deve não temerá e os que ali lutam com dignidade devem ser os primeiros a aplaudir.É preciso separar o trigo do jóio, mas isto só será possível se houver um autoridade nacional que controle e coordene as polícias, acima dos directores nacionais de cada polícia, que como sabemos são coorperativistas.
Não sou dos que ache que os toxicodependentes devem ser algemados apenas porque consomem, mas assim que cometem crimes puníveis no CP devem responder e ser tratados como criminosos.A droga tal como o álcool -outra droga legal- poderão servir apenas como atenuantes, como já é previsto. Temos casos no país em que alguns deles levam várias dezenas de assaltos, alguns violentos e estão cá fora, à espera de quê?
Porque não se internam para tratamento em locais de segurança?
A quem interessa gastar dinheiro em metadona se não se cura ninguém -quase ninguém-.
Sou defensor de uma política de informação causa/efeito, mas também de uma actuação séria a quem não cumpra a lei.
Acho piada qd dizem que com as salas de chuto não andam a picar-se à frente das escolas.Nada mais errado, ou significa que não tens conhecimento da realidade. A droga consome-se aos nossos olhos. Fuma-se e espeta-se à vista de todos.Podia dar-te sítios mais restritos, verdadeiros antros de droga e da morte, mas digo-te apenas que é mais perseguido quem fumar o seu cigarrito -actualmente- que os que a céu aberto, nas casas de banho dos cafés,metro, estações da CP, aeroportos, restaurantes, centros comercais, nas empresas, se "ganzam" matando a sua vida e a dos seus familiares.Á medida que o consumo aumenta e porque dizem sempre que param qd querem -conversa- aumenta o grau de toxicidade da droga.Haxixe - heroína- cocaína...
Os mais jovens são aliciados com droga "moderna- os comprimidos -ecstasy- em qualquer lugar -na escola- também, é claro.
Quem anda na droga e é um pequeno traficante não trabalha nem quer, apenas a sua missão é espalhar a droga:na escola, na rua, nas discotecas, nos ginásios... um pequeno exército que leva à destruição dos valores da família e do país.
A realidade é bem pior do que aqui está escrito!!

Para a combater tenho um plano que envolve todas as polícias,serviços policias, finanças, saúde e escolas.É um plano interministerial.

Isto só lá vai se alguém olhar isto como o verdadeiro flagelo que é, que rói e corrói a Nação.

Muito mais há para dizer...
Agora tenho escrito apenas sobre o autismo, mas continuo a acompanhar a criminalidade em Portugal e no mundo.

Saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

ABEL MARQUES
Apesar de procurar ter uma mente aberta a várias possibilidades de vida, continuo a defender os valores que o indivíduo deve incorporar para viver uma vida saudável em relação aos outros. A família e a escola são parte integrante da socialização e da aquisição desses mesmos valores.
Para mim é mau tudo o que prejudica os outros. E quem prejudica os outros deve responder por isso.
Porém, e salvo situações muito excepcionais de crime violento, deverá ser dada ao indíviduo a oportunidade de se regenerar o que significa que o estigma terá que ser apagado pois com ele não há possibilidades de cortar com um passado menos abonatório. Se eu não dou emprego a um indivíduo porque ele é toxicodependente ou porque roubou ele não terá possibilidades de deixar de ser aquilo que eu condeno. Logo devo ajudá-lo a dar os primeiros passos num caminho que o conduza ao regresso a si mesmo.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Louise
Sabes como te admiro porque fostes uma autêntica heroína no meio dessa situação.E foste também a prova provada de que não basta querer, lutar, amar e até saber, para vencer na ajuda a alguém toxicodependente. A tua história está muito perto da minha, até por laços familiares. Passaste por horrores tal como eu passei. Só que tu sofreste muito mais porque eras casada e eu era apenas uma prima embora envolvida e empenhada na situação.
Se houve alguém que deu amor e compreensão foste tu e, no entanto, tiveste que desistir.
Eu abraço-te com muita amizade, respeito e consideração.

SILÊNCIO CULPADO disse...

MICHAEL
A bebida, a droga, o alcool, o sexo pelo sexo, são caminhos sem regresso. Caminhos em que o puro prazer se transforma em mágoa e em sofrimento.
Insisto: há que fazer a despistagem nas escolas e um controlo apertado junto de adolescentes que, sem terem uma ideia das implicações futuras, hipotecam toda a sua vida e as possibilidades de serem felizes.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sílvia
Vi que comentaste mais à frente e, por isso, prefiro centrar a minha resposta na segunda visita/comentário.
Percebo a tua angústia que é legítima e consciente das responsabilidades e dificuldades que a escola de hoje apresenta aos professores que procuram dar o seu melhor na profissão que escolheram.
Penso que é de apoiar e incentivar a ideia da despistagem na escola e também dar aos professores formação e meios para lidar com estas situações.
Se assim não for perdem-se muitas vidas que terão um futuro sinuoso e sem perspectivas risonhas e os professores sentir-se-ão frustrados na sua missão de formar, educar e ensinar.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SIDNEY
Apesar da "cunha" do Raul sempre a defender o tal vaso, tu foste capaz de dizer não e demonstras estar a fazer um esforço enorme para cortar com tudo o que são drogas. É isso minha querida, não te deixes embalar pelas suaves seduções do momento.
Eu já fui fumadora durante 30 anos (comecei no liceu). Cheguei aos 2 maços de tabaco/dia. Fiz várias tentativas de redução drástica mas quando tinha uma maior pressão psicológica voltava tudo ao mesmo.Foi quando um dia decidi que o tabaco não seria mais forte que eu e que cortei radicalmente, que consegui superar o vício.A princípio andava como tonta mas aos poucos fui-me habituando.Hoje não tenho apetência sequer por um cigarro e nem quero.
Achei linda a forma como expuseste a questão.NADA DA PLANTA NO VASO E FORÇA NA VIDA. Acho que vais conseguir com toda essa determinação.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SEI QUE EXISTES
Fui ler o comentário do Abel Marques para te responder a ti. Isto é, dizer mais alguma coisa que o comentário dele me sugere.
Efectivamente, e segundo Foucault, o homem quando nasce é um lobo e são as regras e as normas que o transformam num ser social. Porém o lobo existe e extravasa em certas circunstâncias. Ele recorre a guerras e a várias outras formas de aliviar tensões porque a socilização que o obriga a ser educado e a cumprir todo um conjunto de regras, quanto mais perfeita, mais o afasta de si próprio.
É desta luta, em que acaba por sair perdedor quando lhe cede, que resulta o ser fortalecido ou enfraquecido pelo seu percurso.
Porém será sempre a procura da harmonia social a única forma de que seja gente.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Joseph
Percebo o que queres dizer na separação das águas e percebo também que o estigma te possa parecer mais injusto na situação em que se refere a características em que o indivíduo não é culpado. Porém um estigma é sempre um estigma. Algo que queima e marca e impede que alguém seja olhado como gente pelos seus semelhantes. Ninguém tem o direito de fazer isso. Ninguém é Deus, isto é, ninguém está acima de todo o comportamento humano para decidir pela não vida do outro.
Uma segunda oportunidade, ainda que numa ambiência diferente, é um direito que deverá ser reconhecido.
Amar o que nos parece perfeito não tem qualquer mérito e até poderá ser uma forma de satisfação do ego. Amar apesar de, esse sim o verdadeiro amor.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas

"Envolve criminalidade organizada que trabalha em diversos sectores: lenocínio, tráfico de pessoas, fuga ao fisco e corrupção, entre outros. Algumas empresas são meras fantochadas legais, sem lucro, e actividade reduzida, onde os seus donos vivem destes negócios.A "noite" gravita em torno de tudo isto."

É verdade e temos que ter a plena consciência de tudo isto.

Abraço

sideny disse...

joseph
muito obrigado.
e isso mesmo nao mandar a cara o passado.
ajudar quem bateu la no fundo e quer vir ao cima e seguir em frente
abraco

sideny disse...

lidia
concordo para deixar de fumar tem de ser radical e nao aos poucos
e como a droga cortar de vez nao subtituir por metadoras .ou doses mais pequenas.
vou vencer o vicio do tabaco acredita numca baixei os bracos a nada.
quanto ao tema em debate nao tenho mais nada a comentar, para mim chega.
esperarei por outro.
um abraco

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé Povinho
Pois é amigo, o narcotráfico é um polvo com muitos tentáculos e que interessa a muita gente.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SIDNEY
Assim é que se fala.São pessoas que falam assim que nos incentivam a agarrar estas causas.
Abraço

Mário Relvas disse...

Lídia,

para terminar, sabes que sou contra qualquer estigma, não sou contra os toxicodependentes, Per Si. Sou contra a impotência de quem diz que os ajuda, mas os enterra mais. Acredito no seu tratamento e na CURA.
Acredito na luta contra o narcotráfico e na optimização policial. Acredito no povo português e quero acreditar nos políticos, mas para isso temos que cair na realidade e atacar o problema. Acabou a propagação da SIDA nas cadeias? Será que todos os consumidores respeitam a seringa oferecida e não repetem a sua utilização entre eles? Será que as realções sexuais -entre seres do mesmo sexo- não prolifera e é um dos marcadores de contágio das infecções por HIV, H-C e outras?A política do preservativo deve ser tida em conta nas cadeias. A política das seringas também. Poderá minorar, mas a realidade é mais que isto. Como controlar a entrada de droga nos EP?Como fazer a revista e como alternar os guardas de serviço?
Deixo aqui para reflexão: os que recebem subsídios do estado, nomeadamente da segurança social, não deveriam prestar um serviço à comunidade? Existem tantas coisas onde o seu serviço era bem-vindo e a sociedade agradeceria. Não falo de trabalhos forçados, é claro.Falo de trabalho cívico, enquadrado numa área de formação profissional e que os dotaria de mais estima para qd saírem para a sociedade. Sentir-se-iam melhor com eles próprios, mais úteis, mais preparados. Outros poderiam optar por cumprir pena em serviços cívicos em organizações voluntárias, desde que a medida penal o permitisse. A cadeia é uma escola/hotel do crime nos termos actuais.Não acredito na reinserção social de quem sai da cadeia, devido ao estigma e à falta de horizonte social com que se deparam.
Para acabar com os estigmas é preciso olhar a realidade. Para se saber e falar da realidade temos que a conhecer. Para a conhecer temos que ir aos sítios certos e depois fazer bem, não o que parece bem, ou é bonito parecer.

Parabéns pelo tema e debate.Dava para falar e discutir durante dias.

Saudações e um sorriso

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mário Relvas
Há todo um caminho a percorrer e há que pôr em cima da mesa as diferentes correntes de opinião e visões sobre o tema. É desse confronto que resulta a reflexão.
As sociedades evoluídas, ao longo das épocas, quando atingem o pico destruturam-se e dão origem a um novo ciclo. Penso que terão que surgir políticas mais actuantes quer para resolver os problemas existentes de consumo de drogas quer para prevenir situações futuras.
Quanto ao HIV é uma doença que deverá ser prevenida e os seus portadores deverão merecer todo o nosso apoio, respeito e afecto. Exactamente como qualquer outra pessoa.
Abraço

Sérgio Figueiredo disse...

Este tema é bastante pertinente. É importante falar-se dele. É importante estabelecer debate para que se possa aprender sobre o "que estamos a falar". É certo que todos temos direito a ver e a interpretar as coisas à nossa maneira, mas isso não nos tira o interesse de ouvir e ler, quem por este tema, Luta para o desmistificar e libertá-lo de preconceitos. Sou completamente a favor da "Educação", devidamente cuidada e responsável a todos os toxicodependentes e os não toxicodependentes. Dos portadores do HIV e dos não portadores. Sou contra todos os que desprezam os portadores do HIV e os toxicodependentes. Tenho a certeza que ao apoiarem aqueles que o sendo mas que defendem minorizar o caos, mais resultados se obteriam que aqueles que hoje se vêem cada vez mais crescentes e dramáticos. Não nego a existência daqueles que o são e minam, por interesses corruptos, mas... podem crer que criando fortes e respeitadas instâncias de apoio e educação, provávelmente o tema seria visto e falado de uma outra forma. Salas de chuto...
Porque não...? Se é a alternativa eficaz e segura, porquê tanto drama à volta das mesmas. Fracas mentalidades...
As pessoas, cada vez mais, continuam só a pensar nelas e a não dedicarem um pouco do seu tempo, de um pouco de interesse a outros. Mesmo que esses "outros", sendo portadores, sejam no entanto os grandes cérebros, por experiência própria, para o caminho da libertação eficaz. Sózinhos...são impotentes, acompanhados...a luz é outra.
Claro que ninguém pode mudar o Mundo, mas pode contribuir para mudar a vida de muita gente.

Abraços

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sérgio Figueiredo
Acho maravilhosa essa tua sensibilidade abrangente. Efectivamente temos que combater os estigmas mas, para isso, temos que nos libertar dos preconceitos e, sobretudo, do nosso egoísmo.
Abraço

Arnaldo Trindade disse...

Bom gente,fui um dos primeiros a comentar o tema e continuo ainda com o mesmo comentario,sem adicionar nada,gostei de como andaram as coisas aqui no debate espero que todos os debates aqui acabem desta forma.

Abraço aos que por aqui passaram e em especial aos amigos, Raul,Lidia e Paulo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Arnaldo Trindade
Obrigada pela tua presença que enriquece qualquer espaço de comentários. Jovem e pertinente q.b.

Abraço

Å®t Øf £övë disse...

Lídia,
Esta é uma cruel realidade, e os numeros que nos apresentas neste texto são de facto assustadores.
É preciso fazer alguma coisa para se conseguir inverter esta tendência.
Bjo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

ART OF LOVE
Já estás a fazer alguma coisa ao visitares este espaço e ao tomares consciência desta realidade.
Neste patamar de esclarecimento qualquer pessoa saberá da importância da prevenção. Uma prevenção que assenta essencialmente em relações protegidas e, no caso dos toxicodependentes, na troca de seringas.

Abraço

Fatyly disse...

Li o texto e todos os comentários.

Infelizmente onde resido é uma área onde miúdos que andei com eles ao colo enveredaram pelo mundo das drogas e não é dar pontapés e tapar o sol com a peneira que se vai a porto seguro. Hoje já não são penalizados os que, ao serem apanhados, têm em seu poder uma dose de consumo próprio, mas torna-se uma bola de neve...para a terem também eles se tornam em pequenos traficantes e seguem a escalada da violência (assaltos, prostituição etc, etc).
Combater os "grandes traficantes" sim, mas quase sempre ao apanhar uma "carga", como diz Raul...noutro local a descarga é bem sucedida.
Lembro-me a quando implementação do programa da "troca de seringas por quites seguros" a "vaia" que levou e hoje é um programa de sucesso.
A minha opinião pelo que já vi, pelo que sei e sobretudo pelo que rodeia familias cujos filhos hoje na casa dos trinta sofrem:

1- Sou a favor da liberalização das drogas porque estou convicta que não iria aumentar o número de drogados, mas sim acabar ou lapidar grandemente o "império do negócio".

2- Sou a favor da abertura das "salas de chuto" desde que estas não se tornassem num dos muitos negócios que envolveram e envolvem "casas de desintoxicação".
Prefiro saber que naquela casa há uma assistência digna e eficaz, do que descer a escada e deparar-me com um rapaz a injectar-se porque chovia e a porta do prédio estar estragada foi ali que encontrou o abrigo. Foi há uns anos e educadamente disse-lhe o que lhe disse e lá foi, mas protegido por um chapéu de chuva que lhe dei e também, com muita dor e sofrimento perante alguém que podia ser meu filho: uns limões, um rolo de aluminio novinho em folha e uma caixa com o que iria ser o meu almoço, acompanhado de um talher descartável, para não falar da fruta.
Vi-o chorar mediante o que fiz e eu além de comovida, fiquei bem comigo própria porque há quem apregoe lições (mas eles não ouvem nada), há quem atire pedras(mas eles não sentem nada), há quem saiba a teoria toda (mas eles não aplicam em nada) e perante um flagelo social jamais pagar com a mesma moeda (agressão).

3- Sim à legalização da prostituição

4- Mais programas de informação que possam chegar a todos os níveis, mas sobretudo aos mais pobres (não é esta a palavra mas agora não me ocorre o termo).

Obrigado por este momento de debate e um abraço a todos.