Relações Serodiscordantes

A infecção pelo HIV, actualmente entendida como uma patologia crónica, que permite aos infectados, usufruirem de uma vida em pleno, como qualquer pessoa não infectada, possibilita aos seropositivos a possibilidade de se apaixonarem por alguém, de constituirem familia e de poderem ter uma vida a dois, repleta de unidade e de amor, como qualquer outra pessoa. Consequentemente, quando nos apaixonamos por alguém, essa paixão não é, nem poderá ser condicionada, à serologia da pessoa pela qual nos apaixonamos. Gostamos de alguém, por aquilo que esse alguém representa para nós, independentemente de esse alguém, ser ou não ser seropositivo. Cada vez é mais comum a existência de relações amorosas, em que um dos parceiros é seropositivo. A este tipo de relações, e porque vivemos num admirável mundo novo, decidiu-se chamar relações serodiscordantes. Porque somos todos diferentes, para que possamos ser todos iguais, a seropositividade de um dos parceiros numa relação amorosa, deverá constituir apenas uma, e mais uma, entre tantas outras diferenças entre pessoas diferentes, que anseiam por serem iguais, em sentimentos e objectivos de vida a dois.
No entanto, a seropositividade de um dos parceiros, não é entendida como um simples pormenor no relacionamento amoroso. Por si só, constitui um grande desafio à vida do casal, no seu dia a dia, nas mais diversas vertentes. Sexualmente, existe um grande medo e receio, por quaisquer riscos de contágio, caracterizando-se as relações sexuais, por relações de sexo seguro, todas, sem excepção. Nem o elemento seropositivo pretender infectar o elemento seronegativo, nem o elemento seronegativo pretende ser infectado pelo elemento seropositivo. Porém, não passam um sem o outro, e sabem porquê? Porque se amam, e o amor ultrapassa barreiras, ganha batalhas e vence a guerra dos medos e dos receios. Pode e deve haver sexo na vida do casal serodiscordante, desde que, se cumpram as regras. Cumprindo-as, o sexo vem trazer saúde e bem estar à vida de ambos e fomentar a relação, cimentada em paixão e em amor.
O cumprimento das regras, baseia-se essencialmente na utilização do preservativo, como sempre se utilizou na prevenção da gravidez indesejada, pelo que, não se trata de um bicho de sete cabeças. Por outro lado, caso ocorra acidentalmente um rebentamento do preservativo, existe a terapia PEP, que sendo administrada nas horas seguintes após a ocorrência do acidente, possibilita ao elemento seronegativo, não ser infectado pelo HIV, de uma forma eficaz e segura. A terapia PEP, consiste em ser administrado ao elemento seronegativo uma tratamento antiretroviral durante 28 dias, impossibilitando assim, que o virus se instale, definitivamente no seu corpo.
Existe também o desejo da procriação, o objectivo de ter filhos, que trazem ao casal, a verdadeira constituição e evolução da familia propriamente dita. Existem já técnicas cientificas, que permitem ao casal, poder trazer ao mundo um filho não infectado. Caso seja o homem o elemento seropositivo, existe a lavagem de esperma, que permite retirar as particulas virais do esperma para posteriormente ser inoculado no útero da mulher. Infelizmente, esta técnica em Portugal é uma miragem, como tantas outras miragens, que pairam sobre o nosso horizonte. Caso seja a mulher o elemento seropositivo, existem técnicas durante a gestação, que permitem reduzir muito significativamente, a possibilidade do bébé ser infectado. Aqui, o nosso país dispôe de um seguimento eficaz da mulher seropositiva, para que tal seja possível. A taxa da possibilidade do bébé ser infectado é actualmente inferior a dois por cento, o que é muito significativo.
Por último, existe também a possibilidade da adopção, a qual considero salutar e de valor acrescido, pelo que a mesma representa um acto de uma humanidade incalculável, ao proporcionar a uma criança entregue a uma instituição, o calor de uma familia real e concreta.
Ao aprofundar o tema que vos trago hoje, concluí também, que as relações serodiscordantes funcionam em pleno entre quatro paredes. No entanto, é comum o transporte para exterior ser complicado. A titulo de exemplo, é comum o elemento seronegativo, ter dificuldade em explicar à familia e aos amigos, que se relaciona com uma pessoa seropositiva e tal facto promove que a relação seja isolada do mundo exterior.
A meu ver, e porque vivo uma relação serodiscordante, intensa em todas as vertentes, que suporta toda a minha vida e me faz feliz a cada momento que passa e em todos os momentos da minha vida, todos os obstáculos são francamente ultrapassados, desde que haja, aquilo que no fundo cimenta a relação serodiscordante, ou não, e que se chama amor. O amor resiste a tudo e a todos e resiste também ao HIV.
Provavelmente, muitos dos leitores, a esmagadora maioria, jamais admitiriam a possibilidade de se relacionarem com alguém infectado pelo HIV, pelo risco de poderem ser infectados.
Provavelmente, muitos dos leitores, correm um risco muito maior ao pensarem assim: o risco de viverem sem amor, para o qual não há tratamento, nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo.
Paulo

56 comentários:

peciscas disse...

Que belo este texto do Paulo.
Não conhecia o termo "serodiscordante" nem algumas das informações que aqui recolhi.
O que só mostra que, em torno desta questão, há ainda todo um caminho de informação e de esclarecimento a percorrer. Importante para todos nós.
Mas a mensagem mais forte, que eu destaco no texto é esta de afirmar que o amor é feito de diferenças, de "discordâncias" que se partilham numa cumplicidade que nos eleva e nos enobrece.
E devo dizer, com toda a franqueza e honestidade que, não sei se seria capaz de assumir uma relação discordante. E digo "não sei" porque se dissesse já que sim, estaria a especular fora de um contexto concreto. Há que viver as situações para saber ao certo, como se comporta o nosso "interior oculto".
Um abraço.

Isabel-F. disse...

Olá Paulo,

Está fantástico o teu texto ... como disse o Peciscas tb eu desconhecia o termo "serodiscordante" ...

uma coisa aprendi: não sabia, pensava que era impossivel, que um casal serodiscordante tivesse hipóteses de ter um filho não infectado ... ainda bem que assim é ...

beijinhos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Paulo
Os meus parabéns pelo magnífico texto que apresentas e que fornece todo um conjunto de informações extremamente úteis.
Quanto à questão de amar alguém que seja seropositivo não vejo que tal possa ser um impedimento se, efectivamente, a pessoa gostar mesmo da outra.
Eu não teria quaisquer duvidas em assumir uma relação nessas condições como também não teria se a pessoa sofresse de qualquer outra patologia.
Também não teria receio de apresentar a pessoa que gostasse no circulo de amigos ou perante a família como seropositiva.
Creio que assumiria isso naturalmente e sem complexos.
Abraço

Paulo disse...

Peciscas,
Obrigado pelo comentário. Sinto-me orgulhoso. Fico feliz com a Sua sinceridade, com a Sua honestidade. Fica provado que não fala somente da boca para fora. É assim que se fomenta a solidariedade. É certo que o Seu interior oculto, revelará sempre, o grande ser humano que revela ser.
Abraço

Paulo disse...

Isabel,
Obrigado pelos elogios. É verdade que um casal serodiscordante pode ter um filho não infectado, desde que seja devidamente acompanhado clinicamente. Um casal serodiscordante, pode realizar-se neste, e em todos os seus desejos. A infecção pelo HIV, não condiciona, nem determina, o prosseguimento de uma vida feliz.
Beijinho

Paulo disse...

Lídia,
Amei o Seu comentário. Eu já sabia e sei que a Lídia é uma pessoa fora de série. Gostaria de bradar ao mundo, para que colocasse os olhos em Si. A Lidia é singular, e pronto. Sei que não teria, nem tem receio, seja do que for, na medida em que, todas as decisões que toma na Sua vida, emotivas e racionais, são e serão sempre, assentes numa mente sã, numa mente sólida. Vejo-a como um exemplo para a humanidade. Bem Haja.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Paulo
Não idolatres ninguém. Já fiz coisas de que não me orgulho.
Procuro melhorar todos os dias e tu e o Raul têm-me ajudado nesse sentido.
A discriminação, seja ela qual, for é uma aberração. Todos fazemos parte da família humana e todos contribuímos para uma nova etapa do seu desenvolvimento.
Porém, enquanto persistirem certos preconceitos, em tudo absurdos e em tudo condenáveis, essa etapa de desenvolvimento nunca será conseguida.
E as pessoas viverão a solidão na morte e na vida e deixarão de saber se estão vivas ou se já não estão, em busca de glórias rídiculas e efémeras e de competitividades que as destroem.
E esta solidão, a que me refiro, não é uma solidão própria dos portadores do HIV. Ela está também dentro daqueles que discriminam porque a discriminação nos seca por dentro e nos deixa sozinhos.
Amar alguém seropositivo não é uma heroicidade. É tão natural como respirar. Uma heroicidade é lutar contra a corrente procurando referências que não fazem sentido. Sim, porque um herói pode ser negativo quando se sacrifica por miragens.
Abraço

alex disse...

Olá Paulo. Espero que possas ler o meu comentario antes de este ser apagado, como tem acontecido.
Agora que já conversei ctg, não consigo ficar indiferente à tua opinião. Fico é sem saber com que Paulo falei. O Paulo que conheci esta semana, é um recem-infectado, cheio de preconceitos, duvidas e medos. Muito medo. De si, dos outros, do futuro. E repito, cheio de preconceitos. O Paulo que escreve este texto é um gajo cheio de certezas e verdades absolutas. Tens o duvidoso merito de, pelos vistos, ainda poderes dar algo de novo a conhecer sobre o problema; serodiscordacia. Eu gramo imenso rótulos: Seropositivo, sidoso, pop, rock, punk, punk-rock, conversa da treta e por ai fora. Então a lavagem de esperma é uma miragem em Portugal e a adopção uma solução a ter em conta?????
Quando nos metemos em bicos dos pés empoleirados em caixotes, às vezes damos cada trambulhão... O Sr. RuRu já podia, se quisesse, ter-te falado de casais que fazem lavagem de esperma em Portugal, no Curry Cabral, só para exemplo. Quanto a adoptar uma criança, em Portugal....por um casal em que um é seropositivo....Essa passa onde? Nos morangos, só pode? E as possibilidades acabam ai? Então vou-te contar uma coisa que só tu e pelos vistos o Sr Ruru não conhecem ( O que sei que não é verdade, visto ele conhecer pessoalmente um exemplo do que vou escrever). Se o homem infectado estiver há pelo menos um ano com a carga viral indetectavel e sempre com um bom nº de CDs 4, o método natural é prefeitamente viavel, sendo o risco de infectar mãe ou feto praticamente nulo. Não conheço nenhum médico especialista que desminta o que acabei de escrever. Resumindo, apesar das boas intenções, que não estão em causa, escreves sobre o que não conheces e apresentas como sendo a realidade.
Estou confuso.
Percebo que queiras passar uma imagem positiva, cor-de-rosa para quem aqui vem e vos lê. Mas se não o sentes, acho tão desleal como o resto das desgraças que por aqui estão penduradas. A vida de um Sidadão, palavra tão querida a este blog é na sua essencia a mesma que um Cidadão. A diferença está apenas na cabeça de cada um.
Espero que n haja duvidas que este meu comentario só existe pq conversamos e trocamos ideias.
Perguntas pq venho aqui se n gosto do que encontro? Eu podia dar-te uma resposta diplomatica, mas eu sou o alex e respondo-te antes com uma pergunta: O que é que tu gostas daqui? De seronegativas que nos apresentam aos amigos como seropositivos? De seres um trofeu na boa consciencia, no politicamente correcto deles?
Do apoio? As palmadinhas nas costas sem a minima noção ? Sem o minimo esforço?
Venho aqui por ti, Paulo!

Silvia Madureira disse...

Olá:

Vinha pedir desculpa.
Prometi que fazia um post com tudo o que me vai na alma sobre sida e entretanto fiz um outro post com o tema "Lupus" uma doença que apareceu num familiar meu.
Tenho tido pouco tempo: sou professora...ando na fase dos testes.

No entanto queria dizer que não vos esqueci e como temos feriado publicarei um texto no meu post.

Desculpem a minha falta de tempo...mas não tenho culpa...espero que compreendam.

beijo

NINHO DE CUCO disse...

Paulo
Que importa que doures a pílula se o que procuras é acreditar e transmitir aos outros algo de positivo?
Para dor e amargura não tens já doses suficientes?
Quem não tem medo da vida quando é ameaçado? Eu tenho.
Deverá a pessoa caminhar com o medo às costas?
Quantas pessoas saudáveis e que não têm medo, num curto espaço de tempo ficam em sofrimento ou perdem a vida?
E quantas doentes não se curam ou conseguem viver e conviver com a sua patologia?
Quem tem o direito de nos dizer quando devemos chorar?
Adorei o teu texto que emana calor humano, força. Enfim todo aquele material necessário para encontrar um rumo na borrasca.
Abraço-te

Paulo disse...

aLEX,
agradeço o teu comentário, que considero relevante para o tema em debate. Tive o maior gosto em conhecer o teu blog, que considero de inquestionável valia para a causa da Sida, na medida em que, aborda o tema, num conceito diferente, isto é, naquilo que considero, um novo conceito, mantendo um objectivo comum. Tive e tenho o maior gosto em falar contigo, pela pessoa que és, pelo teu saber empírico em relação à patologia, e até em relação própria vida. Os medos, os receios, o preconceito, faz parte da vivência de qualquer infectado, assim como, faz parte da vivência de qualquer pessoa, nas mais diversas vertentes. No meu humilde entendimento, e referindo-me às pessoas infectadas, creio que as mesmas vivem em constante medo e receio, face às condicionantes que a patologia promove, determinando até, o percurso da vida em inúmeros aspectos. Esses aspectos têm vindo a ser debatidos aqui, no Sidadania, ao longo do tempo, de uma forma, mais ou menos "popular", que se traduz na forma como o sabemos fazer. Não tenho, nem nunca tive, grandes certezas, nem verdades absolutas. Aliás, nem sei se elas existem. Nada é branco, nem nada é preto, tudo é cinzento, ou mais claro, ou menos claro, ou de uma outra côr qualquer, com as mesmas nuances. Quanto aos ensinamentos técnicos, que nos transmites, sobre a serodiscordância, cumpre-me agradecer a tua disponibilidade para o fazer, desejando que os mesmos sejam de imediato sobrepostos, ao que redigi no post, por constituirem a constatação da realidade, a serem verdade. A informação que transcrevi, teve por base, respostas dadas por médicos infecciologistas do nosso país, dadas a portadores, no site aidsportugal. Nunca fui desleal para com os leitores do Sidadania. Os textos que publico, ajudam-me a crescer, pois ao escrêvê-los, eu próprio cresço com eles. Funcionam como objectivos para mim, que pretendo atingir, e que vou atingindo com o passar do tempo. Transmitem aquilo que eu sou em essência e aquilo que quero ser na prática. É esse equilibrio que pretendo atingir. A minha postura actual perante a infecção, ainda é a de um recém infectado, nunca o escondi, tenho medos e receios e o preconceito de ainda não ter conseguido assumir a doença em pleno. Os seronegativos que nos visitam, fazem-no de livre e espontânea vontade. Não espero palmadinhas nas costas, nem apoio. Espero apenas, que entendam a SIDA como outra patologia qualquer, em detrimento da discriminação e do estigma, a que estamos votados, como referes no teu blog. Obrigado por teres vindo aqui por mim. Um abraço

Paulo disse...

Silvia,
Não há tempo, mas espaço, para que possas ter todo o tempo do mundo, em dizeres tudo o que te vai na alma sobre SIDA. Obrigado pelo tua visita.

Paulo disse...

Ninho de cuco,
O que procuro é exactamente isso, acreditar e fazer acreditar, que a barra é pesada, mas transporta-se. Obrigado pelo comentário. Abraço.

NÓMADA disse...

Paulo

Se um dia eu amar o vento
talvez o vento repare em mim
porém se preferir ir na corrente, sem luta,
inutilmente, sem ser para mim nem para ninguém de que me vale ser gente?
Pois é assim, garoto, a olhar a vida de frente e pugnando por cada mílimetro ganho que nos reconstruímos.
Nunca tive contacto com ninguém seropositivo. Estou aqui porque quero conhecer o mundo em que vivo e ser útil até onde puder.
Paulo, nunca percas a confiança em ti próprio.Quem escreveu este texto e responde a estes comentários é uma pessoal especial, com muita positiviadde e muita força e também com muito valor.
Vou seguindo o debate com todo o interesse.

Paulo disse...

Lídia,
Não pretendo idolatra-la. Descrevo-a, como a sinto, e é por saber, que a Lídia é também um ser humano, com defeitos e virtudes, que me apercebo, do fantástico equilibro que consegue manter entre o melhor e o pior de Si, que resulta, nem mais, nem menos, na pessoa que demonstra ser. Abraço

Paulo disse...

Nómada,
Obrigado pelas Suas palavras. Com a ajuda delas, prossigo o meu caminho, erguendo-me, a cada dia que passa. Obrigado. Abraço

Mário Relvas disse...

"Provavelmente, muitos dos leitores, correm um risco muito maior ao pensarem assim: o risco de viverem sem amor, para o qual não há tratamento, nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo."

A volúpia do amor, o pronúncio da morte, irmãos constantes pela vida fora. Erros, poucas certezas são constantes na vida.
Por isso devemos viver o amor nas diferentes sequelas e incertezas da vida. Será na solidão da verdade que devemos encontrar a real amizade e o abraço do encantamento.

Parabéns Paulo
PS-compreendo as tuas incertezas.
Isso só faz de ti um ser humano que pensa.

alkapone disse...

Bom sou suspeito como alguns aki sabem mas "serodiscordante" tb nao conhecia e dicionario diz-me que nao existe essa palavra.Eu sou sero+ minha esposa sero- e meu filho tb sero- embora tenhamos o fabricado ja cmg sero+ , mas e como meu grande amigo Alex diz se carga esta indetectavel e cd4 valentes as possibilidades de contagio de uma tentativa de fabricar um garoto naturalmente sao remotas.Nunca mais esqueco as palavras do meu medico deste lado do atlantico, se querem arriscar esta e altura certa ,mas Alex sorry mas nao estou a ver um medico ai falar-me assim pelo menos eu falo por mim"pois eu fui sero+ ai e sou aki"antes de passar aki pelos medicos ja passei ai.Hoje tenho um filho que faz 5 anos em novembre normal,minha relacao e normal ,nao e com desafios diarios como Paulo diz nao e mesmo normal nem por a camisinha ja e um desafio somos um casal normal mas eu tenho uma doenca cronica "caranguejo"desde 95 . Para terminar devo salientar aki que quando nos decidimos arriscar fomos criticados eu e minha esposa por alguma gente que agora ate vem aki , eu digo fiz tudo conciente e minha esposa tb quem sao voces para irem contra as palavras de meu medico e de nosso coracao ps: alex forca man adoro ler tuas palavras

SILÊNCIO CULPADO disse...

Há aqui uma questão que eu gostaria de focar relativamente a um casal seja ele seropositivo seja ele serodiscordante.

Eu tenho dois filhos, um de 29 anos e outro de 15. O primeiro nasceu de mim e o segundo ficou à minha guarda por decisão do tribunal. Amo-os aos dois profundamente e eles também me amam. Mas é exactamente o que não é meu filho natural aquele que demonstra por mim uma maior devoção. Quando eu fiquei com ele, ainda ele não tinha 7 anos, ele fez-me recordar que eu tinha um filho e como é que eu o podia amar também a ele. E eu respondi-lhe que tinha um filho mas não tinha um coração tão pequenino que não coubessem os dois cá dentro.
E assim tem sido. Tudo isto para dizer que a necessidade de ter um filho biológico é secundária. Há tanta criança a precisar de amor. Agora é preciso que se olhe para as crianças como querem os seropositivos que se olhe para eles próprios: como seres dignos de serem amados. É que as crianças mais crescidas, de cor, com alguma deficiência ou seropositivas têm dificuldades em que alguém as queira para adopção.
Porque é que um casal seropositivo ou serodiscordante não adopta uma criança seropositiva? Quem melhor que eles para a saberem tratar? E davam-lhe uma oportunidade de vida.
Abraço

RU2X disse...

Paulo
Em primeiro lugar, quero-te dar os meus parabéns por mais este excelente texto, o que revela que, pese embora estares infectado há pouco tempo e com todas as dúvidas e incertezas com que subitamente foste confrontado, passas muito do teu tempo a estudar sobre o HIV, para estares informado. Acho mesmo poder afirmar, que embora estejas infectado há pouco mais de um ano, tens mais conhecimentos acerca do HIV do que muitos que contraíram o vírus há muito mais tempo, mas isso é irrelevante e não vem a propósito deste comentário que visa informar quem nos lê acerca da realidade da lavagem de esperma e IIU (Inseminação Intra – Uterina) em Portugal.
Tenho informação de que há um projecto da MAC (Maternidade Alfredo da Costa) estender as técnicas de procriação medicamente assistida a casais seropositivos incluindo a lavagem de esperma, num futuro próximo. Os serviços públicos de saúde com tratamentos para a fertilidade (11 no total), alegam a falta de formação específica dos seus técnicos em HIV/SIDA e não tenho informação que atendam casais seropositivos. Note-se que estes serviços têm uma longa lista de espera para casais não infectados.
Esta técnica reprodutiva não é comparticipada pelo SNS, e o custo da mesma em clínicas privadas situa-se bastante acima dos mil euros por cada inseminação (bem sucedida ou não). Existem dois centros privados a usarem esta técnica, um em Lisboa e outro no Porto, sobre os quais há informação credível. Desconheço outros mas admito que possam existir.
Finalmente, e em aditamento à informação sobre a lavagem de esperma no nosso país, é bem possível que quando esta deixar de ser uma “miragem” nos hospitais públicos, esta técnica já esteja ultrapassada face às descobertas do cientista suíço Professor Bernard Hirschel , reveladas à comunidade cientifica no Dia Mundial da SIDA de 2007, que garantem uma taxa de infecção inferior a 2% se o elemento seropositivo tiver uma CV indetectável por um período de pelo menos 6 meses. Esta taxa é de alta segurança, uma vez que o estudo RAIKAI, observou 415 casais e a base da carga viral entre os participantes era de um máximo de 1500 cópias/ml.
Poderão ler nos arquivos do blogue em Dezembro de 2007, o texto “Digam ao Povo”, sobre este assunto.
Um abraço
Raul

Paulo disse...

Mário Relvas,
Obrigado pelo comentário. Agradeço também a compreensão das minhas incertezas. Compreender é aceitar. Aceitar é estar a caminho. Bom fim de semana.

Paulo disse...

Alkapone
Obrigado pela visita.
Há palavras que utilizamos que não estão no dicionário, assim como, há palavras que estão no dicionário, que nunca chegamos a utilizar. Lá diz o ditado que quem não arrisca, não petisca. Decidiu arriscar e resultou. Os meus parabéns! Muita saúde para Si, esposa e filho, é o que mais desejo. Ps: Também gosto das palavras do alex. São sempre "a cascar" mas definem um estilo próprio e singular. Abraço

Paulo disse...

Lídia
Concordo com a Sua ideia/proposta. Um casal seropositivo ao adoptar uma criança nas mesmas condições, está a contribuir para a constituição de um lar feliz, com todos os cuidados subjacentes ao controlo da patologia, que neste caso é comum a todos. Bom fim de semana.

Paulo disse...

Raul
Fico feliz por teres gostado do texto. De facto, desde que tomei conhecimento da infecção, procurei avidamente informação por todo o lado! Chegamos a falar sobre isso, lembras-te? Ao ponto de teres publicado um post, subordinado ao tema. Como a informação que recolhi foi em quantidade apreciável, chegaste a considerá-la em demasia. Demasiada informação, sim ou não? A conclusão foi: Nim. Nem sim, nem não. Agradeço todas as informações que recolheste e que nos transmites, acerca da lavagem de esperma. Na infecção pelo HIV, estamos em aprendizagem permanente e constante, todos os dias se chegam a novas conclusões e todas as informações podem ser voláteis de um momento para o outro, em ambos os sentidos. Um bom fim de semana.

Mary disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mary disse...

Paulo
Tu escreves muito bem e expões os teus sentimentos de maneira linda.Fico feliz ao pensar que vives uma relação intensa e que a tua vida não ficou afectada por estares infectado.
Há muito sentimento de medo e vergonha associado à ideia da doença.Ninguém que passa por uma situação dessas consegue sair imune e por isso é importante que quem está no barco se proteja das tempestades que vão surgindo.
Um beijo para ti

Paulo disse...

Mary
Obrigado pelo comentário. De facto, a minha vida não foi afectada com a infecção. A minha vida é igual à que sempre foi, em todos os sentidos, felizmente. O amanhã, ninguém o sabe e quero estar preparado para o receber, vivo, com saúde e de braços abertos. Bom fim de semana.

Paulo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Coragem disse...

Paulo uma vez mais quero dar-te os parabéns pelo magnifico texto e, toda a informação que ele contem.
Alguma já tinha conhecimento, outra não,como a terapia PEP, que achei bastante interessante. Sinto-me feliz por ter aprendido mais alguma coisa contigo.
Se eu era capaz de assumir uma relação com um seropositivo, claro que sim, sem duvida alguma.
Esta vida é tão desprovida de amor, que era impensavel recusar viver um amor fosse com alguem portador de HIV ou não.
Na verdade, poderei eu por as maos no fogo por alguem com quem partilho a minha vida há 20 anos?
Claro que não o faço.
Nestas relações é até provavel que exista muito mais verdade que noutra qualquer.
Curiosamente antes de ler o comentário da Lidia, também eu pensei, porque não um casal serodiscordante adoptar uma criança seropositiva, quem melhor que eles para o fazer, para amar cidar, educar e perceber as necessidades acrescidas destas crianças.(Também acredito que possa ser mais dificil o facto de um dos progenitores ser seropositivo)
Não sei se devia argumentar extra post, mas a minha parte humana assim me obriga...
Quem não tem duvidas nesta vida, incertezas, momentos de fragilidade, quem não se sente vulneravel, face a uma situação tão complicada como esta?
Ninguém.
Portanto Paulo, parabéns por seres apenas um bonito ser humano.

Paulo disse...

Coragem, grande Coragem... As tuas palavras, são e serão sempre, as tuas palavras... É inexplicável a tranquilidade que me transmites com as tuas palavras... Mais uma vez, concordo com tudo o que dizes. A vida é tão desprovida de amor. Nestas relações existirá maior verdade? Provavelmente. A Sida fecha-nos muitas portas, mas abre-nos o caminho para recomeçar. Oferece-nos um livro em branco, onde rabiscaremos uma nova vida. A Sida oferece-nos uma nova e maior dimensão de nós próprios. Faz-nos crescer em consciência, faz-nos crescer em essência. Um bom, óptimo fim de semana para ti. Beijo sincero.

amigona avó e a neta princesa disse...

Paulo vim deixar-te um abraço de Abril...hoje estou em festa...voltarei...

Paulo disse...

Amigona Avó
Obrigado pela visita.
A mensagem de Abril foi-me passada pelo meu pai, que já não está entre nós. Abril sempre Abril. Estou em festa também. Volte sempre. Bom fim de semana.

Mário Relvas disse...

Aos membros e comentadores fica aqui um abraço de liberdade e responsabilidade.Considero este espaço uma referência à liberdade -escrever o que vai na alma- e à responsabilidade -escrever com sentido informativo e de ajuda-.

Parabéns com Aromas de Portugal

Paulo disse...

Mário

Um abraço de liberdade, hoje e sempre. Bom feriado, bom fim de semana.

MARIA disse...

Paulo, gostei muito do seu texto. Revela antes de mais nada algo que sobressai muito em si : uma sensibilidade singular e invulgar.
O alcançe do último parágrafo do seu texto devia levar a muita reflexão, além da imensa beleza da ideia. Diz o Paulo : "... muitos leitores ... correm o risco de viverem sem amor, para o qual não há tratamento, nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo..."
Na verdade Paulo, muitas pessoas vivem sem nunca ter conhecido um amor verdadeiro, ferindo e magoando terceiros sem que quanto a esses a Comunidade adopte quaisquer medidas de protecção ...
Eu acredito que há muitas formas de amar, todas genuínas. Na própria amizade há uma forma de amor.
Mas quando nós encontramos alguém que faz para nós a diferença entre o nosso universo emocional, tal qual diz o Paulo e muito bem, não vamos condicionar o que sentimos à circunstância da pessoa ter menos um dedo, uma perna, não ter cabelos, ter tuberculose, cancro ou sida.
Essa circunstância poderá ser mais facilmente ou menos facilmente contornada no nosso projecto de vida com essa pessoa. Pode condicionar esse projecto em maior ou menor medida, pode ser mais ou menos fácil de gerir no dia a dia e emocionalmente, mas NÃO ALTERA os nossos sentimentos.
Se altera, é porque nunca os tivemos.
Temos o exemplo de Fredy Mercury e da sua Mary. Ela muito menina envolveu-se com ele. Sucumbiu ao que ela sentiu como uma "falta de amor por ela" da parte dele ao ser confrontada com o facto de ele ter outros amores, nomeadamente homens. Separaram-se. Mas quando Freddy adoeceu Mary ainda o amava e tanto que permaneceu com ele no decurso da doença até à sua morte.
Todos precisamos de amor, ainda que não o compreendamos suficientemente.
O melhor da humanidade resulta de actos de amor ou é consequência de alguma forma dele.
O pior da humanidade, na minha opinião, decorre da ausência do amor entre as pessoas, da insensibilidade ao outro, ao próximo, que não mede , nem se incomoda com o que pode causar.
Na minha perspectiva, pior que a adaptação do casal à doença de um dos membros,quando existe um amor verdadeiro, é lidar com o acto que pode ter causado a infecção.
É um problema já debatido aqui no masculino, mas que seguramente assume foros diversos se for a mulher a contrair a doença com um terceiro e se colocar depois a necessidade ao marido de o aceitar a ela e às consequências do acto.
Enfim, cada caso é um caso. Os casais na intimidade possuem motivações que quem está de fora não pode sequer imaginar e muito menos julgar.
Fiquei muito grata pelos conhecimentos que aqui partilhou e que eu desconhecia.
Desejo-lhe um resto de dia feliz.
Um beijinho muito amigo.
Maria

SILÊNCIO CULPADO disse...

Maria
Senti palavra a palavra tudo o que disseste. E disseste-o duma forma desassombrada, tocando em todos os pontos. Alguns dos pontos que tocaste, provavelmente ainda irei abordar aqui.Porém, desde já, considero o teu contributo precioso e esperamos contar contigo ao longo desta jornada.Porque precisamos falar. Porque não temos que ter medo da verdade.
Abraço

Paulo disse...

Maria
Agradeço-lhe do fundo do coração o comentário que nos deixou. Tal como a Lídia, também senti palavra a palavra. A declaração da minha infecção, veio trazer-me a maior prova de amor de toda a minha vida. Um relacionamento de 18 anos, que se cimentou em bases sólidas, visando um futuro mais certo e mais coeso. Como já aqui referi, a declaração da infecção veio trazer-me a possibilidade de recomeçar, de olhar em frente, de fazer uma análise exaustiva do que fiz de bem, do que fiz de mal, veio dar-me provas em todos os sentidos, provas de vida, provas de amor e provas de amizade por todos aqueles que me abraçaram, mais uma vez, como sempre o fizerem, sem que eu nunca tivesse reparado. Engraçado, a maioria das pessoas vive tão superficialmente, sem dar valor ao que realmente tem valor, sofrendo muitas das vezes por coisa nenhuma... Resta-me agradecer ao "abanão" que tive na vida, para fazer tudo, com alma e coração, para a aproveitar, todos os dias, a cada minuto, a cada segundo, pois finalmente tenho agora consciência, que a mesma é efémera definitivamente. Se Deus existe, e eu acredito que existe, entrego-lhe agora o meu futuro, com a certeza, de que jamais o desapontarei. Um beijinho muito amigo também.

Odele Souza disse...

Paulo,
Tanto teu texto quanto os comentários estão excelentes e muito elucidativos.É bom ver as pessoas falarem aberta e francamente e receberem de ti respostas objetivas. Além da capacidade que tens para escrever, ao responder comentários o fazes e forma tranquila e elegante. Mais um ponto pra ti moço bonito.

Um abraço pro Raul.

Um beijo pra ti e bom fim de semana.

Paulo disse...

Odele,
Já estava a estranhar a Sua ausência. Obrigado pelas suas palavras amáveis. Um beijo para Si e outro para Flávia. Bom fim de semana.

Arnaldo Reis Trindade disse...

Paulo, parabéns pelo teu blog,primeiramente estou contente em ter criado o meu blog e em poder dividir idéias,sentimentos,convicções entre outras coisas aqui nesse espaço,gostei do que disses,fico,sou curioso,quanto ao HIV,pois sei que não sou soropositivo e que minha atual paceira tambem não é,mas fico pensando como é a vida de alguém que tem essa patologia,como é as vezes um problema serissimo o preconceito que há com quem é soropositivo entre outras coisas,relamente fiquei imprecionado com o texto e quero falar sobre o assunto no meu blog também,vou coloca-lo em pauta lá,quero aprender mais,pra que eu possa respeitar,entender e ajudar no que for possivel para que o "medo" que as pessoas tem de quem tem AIDS diminua,já que a Aids é uma doença como tantas outras,o importante é prevenir e tratar,mesmo que essa seja até o momento uma doença incúravel,não sei bem o que dizer,sei que quero,estou disposto a tentar entender o que é ser ou o que é ter algum parente ou companheiro com soropositivo e naturalmente criar mais respeito e afeição pelas pessoas,afinal como no texto você mesmo fala,que o HIV é apenas mais umas das diferenças entre pessoas diferentes que anseiam em ser iguais,estou aqui pra ser igual,igual em direitos e respeito com as pessoas.
Abraço.

Louise disse...

Parabéns, Paulo, pelo teu artigo de grande intensidade emocional mas também de grande sensibilidade. A tua forma de dialogar com os visitantes mostra a tal elegância de que fala a Odele mas mostra também a vontade de dialogar e aceitar e opiniões diferentes. Acho lindissíma a tua história mas acho que falta aqui um testemunho feminino infectado com HIV.
Eu percepciono que uma mulher infectada com o HIV será objecto duma dupla discriminação pelo facto de ser mulher. Gostava de ver este tema debatido no feminino não do ponto de vista teórico mas do ponto de vista de experiência vivida.
Um beijo, Paulo, e continua a ser feliz. Tu mereces tudo o que de bom a vida te possa dar.

Paulo disse...

Obrigado Arnaldo pelo Seu comentário e pela sua disponibilidade em compreender e ajudar as pessoas vitimas desta doença. As maiores felicidades para si e para a sua namorada. Abraço

Paulo disse...

Obrigado Louise pelas Suas amáveis palavras. Seria interessante a participação de um elemento feminino infectado pelo Hiv. Quem sabe possa ser possível obter essa participação.Bom fim de semana.

Arnaldo Reis Trindade disse...

Paulo,vim retribuir a visita e agradecer pelos votos de felicidades,espero que tu continue a ser feliz e espero poder contiuir mais com teu blog.

abraço

Sei que existes disse...

Concordo contigo, o amor tem a capacidade de vencer tudo!mas para isso há que o querer colocar em primeiro lugar nas nossas vidas!...
Pessoalmente, julgo ser bem melhor viver a vida com amor mesmo lutando contra os preconceitos de uma sociedade ignorante (o que nem sempre é fácil, como o deves saber), do que seguir as regras tolas da sociedade e ser infeliz toda uma vida.
Beijo grande

Paulo disse...

Sei que existes

Porque o amor existe, ultrapassam-se barreiras, vencem-se batalhas e adia-se a possibilidade do que quer que seja nos vencer na guerra, por tempo indeterminado. Obrigado pela visita. Retribuo o Beijo... grande...

SILÊNCIO CULPADO disse...

RAUL/PAULO
Vocês são dois seres que vale a pena conhecer e ter como amigos. E para que continuem a lutar pela causa do HIV, indo de blogue em blogue levando a informação livre e solidária, o Silêncio Culpado oferece-lhes uma bicicleta florida que é um prémio simbólico com muito significado.

Abraço

Paulo disse...

Obrigado Lídia. Ficamos muito contentes com a bicicleta, que é linda na forma, e muito válida no apoio que nos dará, no cumprimento da nossa missão. Será colocada aqui no nosso blog o mais brevemente possível. Abraço

Fatyly disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fatyly disse...

Desculpa tive que apagar o comentário porque tinha erros.

Desconhecia a palavra "seridiscordante" mas gostei muito do teu texto.

Também li todos os comentários e não me interessa para nada saber que escreves com frontalidade e calma baseado nos teus conhecimentos e que fora daqui ou até falares nos vários meios de comunicação que aqui existem, possa eventualmente mostrar "dois Paulos", factor que tocou-me muito, porque quem não foi ao chão, quem não chorou, quem não desabafou, etc. etc. que atire a primeira pedra, mas dizer o que foi dito e da forma que foi dita, acho tudo menos frontalidade, o que não quer dizer que não se puxe os bois pelos cornos, as palavras valem o que valem, mas ficou-me na alma o simbolismo nacional bem português: que quem aqui vem expôr a sua aprendizagem, quer em posts quer nos comentários, dando força ou não, qualificar que somos todos uns falsos e hipócritas, palmadinhas nas costas blá, blá! Nunca fui, não sou e não serei falsa e hipócrita e jamais ter pena de alguém. Sou feita do equilibrio que zelo e trabalho todos os dias: frontal e sincera e jamais em tempo algum passar para aqui - domínio público - o que se fala em privado. Aqui na net não falo com ninguém, mas guardo bem guardado o que me contam na vida real preservando a "fragilidade" de que todos somos feitos. Mandar broas ao vento é fácil, os tais rótulos que abomino porque para ser respeitada e compreendida, tenho que aprender a respeitar e a compreender!
Não considerem um ataque, mas há que seguir em frente, deixarmos de lado a agressividade e o medirmos todos pela mesma bitola.

O texto está magnífico e pela sua simplicidade deste conhecimentos na primeira pessoa, porque procuras a informação, não a guardas e partilhas o que desde já te agradeço, bem como a todos que aqui aparecem dando o seu contributo para baixar a barreira do "politicamente correcto" e aprendermos, aprendermos sobre todos os flagelos da humanidade!

Apesar de conhecer vários casais, felizes e bem felizes, não sei se assumiria uma relação "discordante"...mas com toda a certeza que se surgisse o amor saberia fazer o melhor trabalho.

Força Paulo e obrigado por este momento de leitura e aprendizagem!

Beijos a todos e desculpem mas não é a minha intenção agredir mas sim DIALOGAR!

Tony Madureira disse...

Este texto está simplesmente fantástico!

Devo dizer que este termo “serodiscordantes” nada me dizia há 2 meses atrás. Tomei conhecimento deste e de outros a partir do internamento minha mulher com problemas no sistema imunitário. Foram dias muito complicados, onde eu basculhei toda a informação possível sobre doenças.

Quanto a mim, os casais serodiscordantes enfrentam inúmeros desafios, precisando desenvolver estratégias para o manejo de dificuldades para a vivência da sexualidade, para a manutenção do sexo seguro até a convivência com o parceiro seronegativo. Estas dificuldades não são de responsabilidade exclusiva do casal, cabendo aos profissionais de saúde assumirem a sua responsabilidade social no enfrentamento destes desafios impostos pela serodiscordância.

É preciso muita coragem para assumir uma relação serodiscordante, são pessoas como estas que o mundo precisa. Todos temos direito á felicidade!




se tiverem oportunidade passem no blogue: lúpus, um blogue sobre a doença
www.tonymadureira.blogspot.com


Um abraço.

Tony Madureira

Paulo disse...

Fatyly

Obrigado pelo comentário e folgo muito em saber que gostou do meu texto. Quanto aos comentários que aqui são redigidos, valem o que valem, da minha parte aprendo com todos com a certeza de que respondo com a humildade que me é inata. O motivo porque me encontro aqui é o mesmo de sempre: desmistificar a SIDA, para que possa viver melhor com ela, para que sofra menos, para que me sinta mais integrado, menos excluído, mais compreendido. Conto com a ajuda de todos, da mesma forma como todos poderão contar sempre com o meu contributo. Beijinhos.

Paulo disse...

Tony Madureira

Obrigado pelo comentário que nos deixou. As dificuldades impostas pela serodiscordância, são de facto ultrapassáveis, pela sobreposição dos valores humanos latentes às pessoas que constituem a relação. Cabe-lhes decidir a forma correcta de ultrapassar obstáculos, vencer barreiras e atingir a felicidade a que todos temos direito, de uma forma permanente. O desenrolar da vida, prosseguirá decerto, rumo aos objectivos do casal. Falando de Lúpus, conheço um pouco a doença, pois aquando do meu diagnóstico vih+, as alterações que tinha no meu hemograma, faziam suspeitar da possibilidade dessa patologia. Por isso, também procurei informação sobre a doença. Trata-se de uma doença auto-imune, em que a pessoa se torna "alérgica" a ela própria. Deixo aqui a minha solidariedade para com os doentes de Lúpus. Um abraço

Lusófona disse...

Que texto maravilhoso!! Eu também desconhecia esse termo "serodiscordantes".

A minha última postagem tem mais ou menos a ver com essa, trata-se de uma gestante portadora do vírus.

Penso que cada vez mais, será menos difícil conviver com essa realidade.

Beijinhos

caca disse...

ola...
descobri ha pouco mais de uma semana que o meu marido esta infectado com hiv...
como podem imaginar foi o maior choque que alguma vez imaginei ter na minha vida, eu que sempre tive um comportamento socialmente visto como "decente"... ainda me sinto atordoada. a minha primeira reacção foi de panico, pela possibilidade de estar também infectada, o que pelo menos até agora, não se revelou... depois de estar 4 dias sem comer ou beber alguma coisa, sem sair a rua e a chorar compulsivamente, fui a igreja onde nao entrava ha mais de 15 anos... so pedia a deus que me fizesse acordar deste pesadelo...
neste momento, não estou livre de estar seropositiva também ,mas tento pensar que isso não vai acontecer... é uma forma de me auto-controlar...
quanto ao nosso relacionamento, devo dizer que estou a sofrer muito, muito mesmo com isto tudo, mas nunca passou pela minha cabeça abandonar o meu marido...ja pensei em todos os riscos, sei que viver com ele não me vai prejudicar, se fosse preciso viver com ele para sempre e sem sexo, eu viveria, porque apesar do sexo ser bom e ser importante, não é isso que me faz feliz... o que me torna alguem tão feliz é ver o seu sorriso ao acordar, sentir o seu cheiro, tocar a sua pele e ouvir o seu coração bater... saber que essa pessoa esta sempre comigo nos bons e maus momentos. é por isso que terminar esta relação nunca foi uma hipotese.ele sim, por amor, sugeriu um afastamento que eu recusei...
é verdade que tenho medo de um contagio, também é verdade que morro de medo de o ver sofrer, de o ver degradar, de o ver doente e de imaginar sequer que um dia ele pode partir e me deixar só neste mundo... é muito assustador... mas se há alguem forte como uma muralha, esse alguem é ele que esta a fazer das tripas coração para enfrentar isto e decidido a vencer isto... é essa sua postura que me dá força...
por outro lado tenho pesquisado na net e percebi que com o tratamento adequado, boa alimentação e com apoio familiar e social, principalmente, se pode levar uma vida normal.
ainda é cedo para conclusoes pois tudo isto é muito recente... ainda me sinto como se tivesse atravessado um tsunami... mas a todos os que lerem esta mensagem eu digo... usem sempre preservativo, para que não tenham de passar por isto também... isto vem do fundo do meu coração.

SAM disse...

Não vou comentar preciso que me ajudem. Chamo-me samuel sou jovem de 28 anos de idade namoro com uma rapariga de 20 anos de idade seropositiva e tem uma filhota linda. amo muito ela mas, o problema é não saber viver com ela nesta condição pois por várias vezes tivemos relações sexuias e há um desejo imenso de poder gozar dos prazeres carnais que o sexo nos oferece e até vondade de ter filhos. temo que este desejo possa tornar-me seropositivo. o que fazer largo ela e procuro um outro amor que possa desfrutar de todos desejos que a vida me oferece ou fico com ela e coro risco de me infectar?