Simplificando

Uma pílula diária e a SIDA não engravida, ou melhor a infecção não se desenvolve e o vírus mantém-se controlado.
Era algo desejado para uma melhor qualidade de vida por muitos infectados pelo HIV, para os quais as tomas de medicação quebravam as rotinas e criavam embaraços quando chegava a hora da mesma e as pessoas estavam no trabalho ou lugares menos convenientes, que denunciariam a sua infecção a qual era escondida para evitar os por demais conhecidos efeitos terciários, como a descriminação o estigma e um apontar de dedos como se de algum criminoso se tratasse.
Claro que não sou contra a toma única diária de um só comprimido, e ela vem facilitar a vida em sociedade e no trabalho a milhares de pessoas infectadas. Também vai permitir uma maior adesão para aqueles que se esqueciam de uma toma desta ou daquela medicação. Em países subdesenvolvidos em que o povo simples e sem instrução tem dificuldades em tomar convenientemente a medicação poderá também ser um marco histórico no tratamento e controlo da pandemia da SIDA.
Três companhias farmacêuticas juntaram-se nesta joint-venture, na confecção deste “bolo”, dividindo os lucros entre si. Se por um lado parece ser algo bom, eu questiono o que vai acontecer no futuro em relação a esta medicação pondo de um lado da balança a conveniência nas tomas para os que tinham dificuldades nos horários das mesmas e uma melhor aderência por parte de infectados com dificuldades nas tomas devido à falta de instrução, e no outro prato, a excessiva concentração de medicamentos no sangue para permitirem apenas uma toma de 24 em 24 horas, a qual vai desenvolver outras patologias a longo prazo. Sendo 2 dos componentes utilizados no tratamento do HBV (Hepatite B) um possível namoro para aplicar este medicamento nesses doentes mesmo que não estejam infectados pelo HIV, poderá ocorrer.
Num povo (universal) que ainda não compreende a SIDA e os modos como ela se transmite, o qual continua a perpetuar o isolamento e a descriminação dos infectados, esta pílula de toma única diária poderá com as campanhas de marketing que se esperam no futuro, vir a considerar a SIDA como um mal menor o qual é tratado com uma pílula semelhante às que as senhoras tomam para evitar ficarem grávidas.
Numa altura em que é esperada uma vacina preventiva ou terapêutica, medicamentos menos tóxicos que não provoquem outras doenças devido à sua toma e em que se deseja um doseamento da quantidade de fármacos ingeridos como prática clínica comum, para reduzir os danos dos medicamentos actuais, a simplificação dos tratamentos não é aquilo que mais necessitamos.
Gostaria de ver as farmacêuticas unidas no desenvolvimento de fármacos novos, menos tóxicos, capazes de ser solução para as falências terapêuticas devido a resistências desenvolvidas pelo vírus.
A história que a SIDA já não mata é mais um mito que nos querem impor. Onde estão contabilizados os mortos por ataque cardíaco, insuficiências hepáticas e renais ou câncer entre outras tantas patologias associadas à toma de antiretrovirais?
A SIDA continua a matar e a estender os seus tentáculos a toda a população mundial. Os lucros gerados através da comercialização de medicamentos que prolongam a vida dos infectados, mereciam que uma fatia maior desses fundos fosse exclusivamente para a investigação de novas soluções. A galinha dos ovos de ouro está velha e precisa aposentar-se. Desejamos uma nova galinha cujos ovos sejam a erradicação do HIV a nível mundial.
Chamar-me-ão completamente doido os economistas e os produtores de medicamentos. Certamente que o sou, mas isso é apenas um efeito secundário dos medicamentos que fabricam os quais tenho que tomar para evitar as doenças oportunistas que poderão aparecer devido à destruição do meu sistema imunitário.
Queríamos um comprimido por dia para tratar a doença ele aí está. Será que fizemos o pedido certo, ou será que com esse pedido atrasámos o desenvolvimento de produtos dos quais necessitamos realmente?
Se alguém me puder dar a resposta agradeço.

2 comentários:

Isabel-F. disse...

Olá Rux,

Não há limites para o homem que possui a capacidade de sonhar. É necessário muito pouco para provocar um sorriso e basta um sorriso para que tudo se torne possível.
Descobrimos que o Ano que termina vale a pena, quando começamos a enviar e receber os cartões de Natal. Afinal, de algum modo, aprendemos que o que realmente importa são os sentimentos, é o amor... É estarmos ligados, unidos. É isto que comemoramos: O nascimento da esperança de um mundo melhor. Muita paz, alegria e amor na tua vida e de todos que te são queridos. Feliz Natal! Feliz 2008.
Beijinhos
Isabel Filipe

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p.s.: conheci-te no Blog da Flávia e nos ultimos dias tenho estado a ler-te ... voltarei depois das festas para comentar o trabalho que aqui desenvolves.

Ru2x disse...

Obrigado por ter vindo ao blog e por ter estado na blogagem colectiva com Flávia, o que demonstra em um grande coração para grandes causas.Boas festas para ti também e que o calor (climático) que nos falta das nossas origens seja compensado com calor humano. Beijo grande