A Sidoso até merda de cão pega

A Sidoso até merda de cão pega, não podia ser um titulo melhor escolhido, para uma doença que digam o que disserem continua a ter discriminação e não pouca como muitos por aí querem fazer crer. Hoje é o dia dos namorados e como não tenho namorada oficial , assim considerada ou se tenho não o digo, fui gozar um pouco a noite com casais jovens, para os quais este dia tem algum significado. Fui a casa de um dos casais, bem perto da minha e ainda familiares que me telefonaram para partilhar com eles um pouco do serão e beber um café e tomar um copo. Fui a pé, pois a casa deles não é longe e decidi apanhar o ar fresco da noite. Passei por umas escadas pouco iluminadas, que o plano de uma nova urbanização e a junta ainda não tiveram tempo de fazer alguma intervenção e reparei que tinha pisado nos dejectos de um ilustre e querido canídeo cujos donos não se preocupam minimamente e que consideram a rua a casa de banho dos seus animais de estimação.
É pena que não façam como o meu amigo Q que quando sai à rua com o Hugo trás ao ombro uma sacola com luvas de plástico para limpar as necessidades fisiológicas que o Hugo faz na rua por ser o lugar mais prático para quem vive num apartamento com o seu dono e amigo. O Hugo é um boxer lindo que faz companhia, sabe o seu lugar e permite que o seu dono converse com amigos quando tem algo importante a tratar.
Um dia poderei escrever um post sobre o Hugo, pois foi a cão que mais me impressionou na vida em questão de convívio social , devido á sua doçura e obediência ao seu dono.
Voltando atrás, e ás escadas mal iluminadas e ao pisar a merda que um cão cagou (não foi o Hugo pois o seu dono é preocupado e não permitiria que isso acontecesse), pensei que Sidoso é mesmo gajo azarado e tinha de pisar a merda do cachorro.
Não sei se já vos aconteceu o mesmo, mas que não deixa de ser chato lá isso não.
Claro que o pensamento não se manteve por muito pois tinha de arranjar um sitio com areia ou coisa parecida para tirar o dito e mal cheiroso produto do sapato. Afinal não estou contra os dejectos dos animais pois isso é uma necessidade fisiológica mas contra os seus donos que não têm o mínimo de civismo. Eles também cagam e presumo que limpam o Cu com papel chamado higiénico após expelirem o produto. Preocupam-se com eles mas não com os que lhe são dependentes.
Depois de um “down”, aqui no computador de cabelo a que o post anterior se referia, parece que isto está subindo e isso é devido a uma amiga que colocou um comentário em que fala de uma vida vivida em “full power”, e que deve ser aproveitada ao máximo enquanto dura. Não é Sidosa , se bem que para o ser não é preciso estar infectada pelo HIV, mas ser solidária e viver a discriminação que o nome acarreta em si. Também ela tem os seus problemas de doença crónica noutra patologia, que em tempos também tinha o estigma social “canceroso” mas que nunca foi tão acentuado como foi o termo “Leproso “ e hoje em dia o “Sidoso” que acho que bateu todos os recordes a nível de estigma social.
Amiga, obrigado pelo teu comentário e pela força que me deste e acho que estou vivendo uma nova vida e indo para o cimo da roda do carrossel da vida. Se as amigas que através de ti conheci e que até falam dos piolhos que os filhotes apanharam, porque não hei-de eu falar da vida de um gajo com Sida e do seu dia a dia.
Porque não haverei eu de falar dos meus amigos sidosos, da malta das hepatites virais, da dos cancros e da de tantas outras merdas que acontecem ao ser humano, que têm vida própria com mais ou menos limitações e que são pessoas maravilhosas com quem me vou cruzando no meu dia a dia.
Acho que um blog, mesmo os dedicados a uma causa como é o sidadania acaba por ser um diário da vida de cada um.
E como a única diferença que há entre SIDA e VIDA é apenas a primeira letra, eu decidi escolher a segunda palavra, que há semelhança dos frangos das churrasqueiras, podem ser com ou sem piri-piri, só que aqui iremos substituir o condimento dos frangos por VIH. É que aqui iremos falar apenas de VIDA com ou sem SIDA, mas que seja de qualidade de preferência.
Um abraço a todos.

4 comentários:

Manuela disse...

Ah! Eu não diria melhor!

E como complemento ao título: o pão dos pobres cai sempre com a manteiga para baixo!

Bahahahahahahaha....

Isto é a desgraça nacional!

Ru2x disse...

Não tenhas dúvidas Miga. Mas como lágrimas não regam jardins,vamos arranjar forma de manter as nossas vidas floridas. Beijo Grande e muita força.

dianamãe disse...

Amigo sidoso,
A vida não é cor de rosa, e quem ainda não chegou a este patamar de pensamento, pobre, porque vive numa ilusão ignorante.

A vida e repleta de coisas menos boas, as boas são breves muito breves, para nos auto chamarmos de felizes, temos que aproveitar cada um desses breves momentos, para assim conseguirmos beijar a tão ansiada felicidade.

Vivo num blog de pais e filhos onde muitas vezes fui "criticada" por simplesmente ser tão real.
Mas não abro mão disso, desengane-se quem assim achava.

Eu falo dos piolhos, do sofrimento de uma qualquer atitude feita pelo homem que escolhi para casar, dos meus medos, e até consigo inumerar algumas felicidades.
Mas o importante é a realidade normal de tudo o que vivo.
Sei que algumas vezes sou "abençoada" com muita lambada da vida, que até parece vindo de um belo argumento televisivo, mas não é, felizmente ou infelizmente.

No meu blog apareço nua e crua.
E não é só a sida que é tabu, também a nudez o é.
E ainda para mais quando se trata de uma nudez de palavras que falam de dor de aprendizagem individual, de verdades da vida.

A minha terapia é escrever.
O meu blog obriga-me a rezar-me a mim própria, obriga-me a aprender com os meus comportamentos humanos, com os meus pensamentos na dor (quando tenho mais inspiração) e na alegria.

Gosto de aprender com a vida, de encontrar em cada blog que visito uma realidade normal, nada de falsos perfeccionismos.
Isso para mim soa-me a demasiada falsidade.

Venho aqui ler da tua vida e aprender com ela "só mais um bocadinho".

Jinhos e fica bem!
Bom fim de semana carnavalesco

p.s. e o que detesto ver dessas merdas nos passeios grrrr

Anónimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado