A CONSTRUÇÃO DUM ESTIGMA

Numa aula de psicologia social, numa Faculdade de Lisboa, foi mostrado um vídeo sobre uma experiência que ocorreu em França, conduzida por uma conjunto de cientistas na área da psicologia comportamental.
Esta experiência, que começou por ser feita numa escola de ensino básico onde se verificavam alguns distúrbios étnicos/raciais, consistiu no seguinte:
Um dia a professora chega à aula e diz:
- Meus meninos acabo de tomar conhecimento duma descoberta científica que prova, sem margem para dúvidas, que as pessoas loiras e de olhos azuis são muito melhores pessoas e muito mais inteligentes que as de olhos castanhos.
Aliás, eu sou professora, inteligente e boa pessoa porque sou loira e de olhos azuis.
Bom, e perante uma descoberta cientifica absolutamente comprovada, vou começar a organizar a aula de acordo com os conhecimentos que acabo de adquirir.

E, perante a perplexidade dos alunos, divide a turma em duas facções distintas: a dos loiros de olhos azuis e a dos morenos de olhos castanhos. Também para que não se misturassem no recreio, pôs braçadeiras de cores diferentes a uns e a outros.

Sempre que um garoto de olhos azuis respondia acertado às matérias da aula, a professora incentivava-o dizendo: - ele é bom e sabe muito mas dum garoto de olhos azuis não poderia ser de outra forma.
Porém se um garoto de olhos castanhos falhava a resposta a professora dizia: - que se pode esperar de alguém com cabelo e olhos castanhos senão que diga asneiras e que seja mau?
Se um garoto se comportava mal e tinhas olhos castanhos logo a professora atribuía a essa característica genética a razão do mau comportamento.

E se até então havia bons alunos, tanto entre os garotos de olhos azuis como os de olhos castanhos, esta estigmatização de uns e a elevação de outros, veio alterar profundamente os resultados.

Os de olhos castanhos tornaram-se mais agressivos, indisciplinados e desmotivados e os resultados caíram por igual, enquanto os de olhos azuis melhoraram a performance em todas as matérias.

Esta mesma experiência foi também feita com adultos numa escola da marinha francesa e o resultado foi exactamente o mesmo.

Quando foi explicado aos alunos duma e doutra escola que se tratou duma experiência eles contaram (os de olhos castanhos crianças e adultos) o quanto sofreram com esta estigmatização sobre algo que não podiam mudar, que os manietava e humilhava impedindo-os de viver e desenvolver naturalmente as suas aptidões. Reconheceram quanto por vezes foram cruéis para outros colegas e consideraram ter sido uma grande lição esta que aprenderam.

O ser humano acompanha as expectativas e os preconceitos que temos em relação a ele. Muito dificilmente alguém, duramente estigmatizado, consegue ter confiança em si próprio e acreditar que será bem sucedido.

O indivíduo estigmatizado é levado a pensar que, faça o que fizer, não mudará o que os outros pensam dele e, portanto, mais vale não mudar. Se é mau ainda será pior porque mesmo que o não seja ninguém acreditaria.

Em contrapartida incentivar e levar a uma boa auto-estima pode operar milagre porque, também aqui, o indivíduo procurará corresponder só que desta vez pela positiva.


Notas Soltas em Comentários:

(cursor do rato sobre o texto, pára o movimento, retirando-o retoma)


As expectativas que criamos das pessoas em função do sua presença física é o motor das relações sociais hierarquizadas. Um "boa imagem" que cumpra os parâmetros do "boa figura" é condição necessária.Pata Negra


...o facto dum indivíduo, atacado pela censura social, regredir como pessoa e como ser solidário.... o estigma forma à sua própria imagem os seres que atinge.Lídia


...os africanos são mais burros que os europeus. E não aceitava os argumentos dum menor background pelas limitações do meio de origem.
Ela queria lá saber. Eram mais burros e pronto. M.Mendonça


...se tiverem a informação que somos homossexuais, seropositvos, prostitutos, toxico dependentes, reclusos ou ex-reclusos ou sem-abrigo. Mas qualquer dos que atrás falo é muito mais que o rótulo que lhe puseram e tem a sua história de vida, o seu carácter e as suas referências... Mary


O estigma manieta, fere, isola. Mesmo que se queira fugir dele não se pode porque não se tem para onde. Que vale alguém querer libertar-se do estigma se ele segue esse alguém para todo o lado como se fosse uma sombra? Louise


...eu admiro e elogio todos os estudos cientificos em prol da humanidade. Embora haja estudos que, não deixando de ter a sua veracidade e importância, depois de aplicados causam deformidades. Sérgio Figueiredo


O problema é que todos nós criamos estigmas... Quantos pais se referem aos filhos como sendo "burros" ou menos capazes do que A ou B?! Carol


...que intenções pretendeu o sr presidente? será fazer notícias para estigmatizar a juventude e por simpatia professores para enaltecer apenas as ideias dos políticos profissionais? ou será que quando não se tem nada para dizer...António Delgado


O que mais me preocupa é a alteração do rendimento escolar que passou a ser consequente com a divisão/segregação que foi feita pela professora. Abel Marques


O estigma põe as nossas pernas a andar para traz. É um peso que nos faz regredir. Pode ser que alguém "picado" possa querer provar o contrário ...G.Brito


É uma porta fechada
no campo da afeição,
é um murro em cada peito
onde bate um coração.
Boris


...até aos dias de hoje o Alentejano é um caso tipico de estigma... não vejo diferença alguma entre os demais habitantes do nosso País, mas que carregam o fardo de sofrerem de preguicite aguda isso carregam ...Coragem


...custa a crer que o estigma esteja tão banalizado ao ponto de fazer parte do quotidiano como se tratasse de algo absolutamente normal. Sheila


...ainda é mais triste porque algumas pessoas gostam de inventar o que lhes apetece. Não, no caso que referi ela até não se "porta mal" mas faça o que fizer terá sempre a mesma fama! Há quem goste das coisas muito certinhas e aí os estigmas também aparecem!!! Amigona


...utilizadas como cobaias porque sabe-se que só numa idade posterior o pensamento abstracto se enconbtra totalmente incorporado. Pergunto-me se essas crianças não ficaram com nenhuma fragilidade e que um dia o "estigma experencial" não emerja em força. Eremit@


...um amigo que foi toxicodependente e, nessa altura, roubou e esteve preso. Com a ajuda de amigos a familiares conseguimos tirá-lo do fosso. Ele acabou o curso, fez um mestrado...René


...não é propriamente a experiência mas a facilidade como um estigma se dissimina e se transforma em verdade absoluta tirando a alegria de viver e a força de lutar e deixando os seus alvos sucumbidos...Michael


As pessoas transportam o seu passado estigmatizante como uma cruz. Conheci uma miúda que era lésbica e os pais afastavam dela as suas filhas...Joseph


No reino animal o ser humano é o maior "predador" emocional e físico em prol do seu ego! Basta olhar para os estigmas existentes em certas culturas e locais...onde a bestialidade humana não tem qualificação, cor, sexo e credo. Fatyly

59 comentários:

RAUL disse...

Lídia
O estudo,embora necessário é chocante especialmente por ser conduzido com crianças, mas creio que depois de tiradas as conclusões,os putos foram acompanhados e foi-lhes dito que tudo não passou de uma experiência.
Mesmo assim creio que no periodo pós estudo, entre as crianças isto foi a semente para que os louros se julgassem inteligentes e estigmatizassem os outros putos.
Será daqui que nasceram as famosas anedotas sobre louras,para atenuar os efeitos do estudo?
A infância e o percurso de vida de cada ser humano tem reflexos no comportamento de cada pessoa, embora por vezes quem está por fora o não compreenda como é o caso de irmãos que aparentemente tiveram a mesma educação e percursos diferentes. A mente humana é complexa e a origem de desvios comportamentais continua a ser um mistério.

Pata Negra disse...

As expectativas que criamos das pessoas em função do sua presença física é o motor das relações sociais hierarquizadas. Um "boa imagem" que cumpra os parâmetros do "boa figura" é condição necessária. Eles aí estão: os políticos de sucesso, os gestores, os governadores civis, os cantores, os escritores, os funcionários bancários, os delegados de propaganda médica, eu sei lá! Tudo gente com a cor e a altura certa, sem estrabismo, com gravatas e sapatos de salto alto, com um carro preto bem lavado...
não escrevo mais... poderei estar a fazer má figura... quem olha para mim nunca diz o que eu sou... não quero que as pessoas por olharem para mim digam o que eu sou...
Nunca me dirijo a ninguém de pé atrás, nem de pé à frente, nem em bicos de pés! É tão bom ser do povo!
Um abraço do povo rude

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Compreendo o teu sentimento relativamente às crianças que, digamos, serviram de cobaia. Porém, como já aqui foi dito, as crianças também são impiedosas umas para as outras. Não quis alargar muito o texto porque depois viriam as explicações mas essas mesmas crianças maltratavam os colegas africanos e chineses.E a experiência ajudou a que percebessem a irracionalidade e a injustiça do estigma. Foram devidamente acompanhadas nas diferentes transposições.
Porém o que importa registar é o facto dum indivíduo, atacado pela censura social, regredir como pessoa e como ser solidário.E regredir no sentido da conotação que lhe é imposta. Dito por outras palavras, o estigma forma à sua própria imagem os seres que atinge.
E esta é a dupla crueldade que estou a procurar pôr à discussão.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pata Negra
Porque não escreveres mais? Ias bem lançado quando enumeraste todo um conjunto de estereótipos que estão subjacentes ao desempenho de determinadas funções. Qual o fundamento para eles? Quem criou como certos tais atributos? E quanto se paga para não sermos como os outros? Será que resistimos?
Abraço

M.M.MENDONÇA disse...

Lídia
Temos aqui um caso bicudo mas pensando bem nós estamos sempre a fazer experiências destas. Estamos sempre a mandar mensagens de exclusão quando achamos que uma pessoa pelo facto de dormir na rua é um potencial assaltante ou um ser incapaz para se regenerar em qualquer função para a qual demonstre apetência.Eu tive uma colega, professora, que me garantia que os africanos são mais burros que os europeus. E não aceitava os argumentos dum menor background pelas limitações do meio de origem.
Ela queria lá saber. Eram mais burros e pronto.
Boa reflexão.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Raul
Há um aspecto no teu comentário que eu deixei passar e que penso ser importante referir.
A solicialização tem um efeito determinante na construção do indivíduo. Muitos cientistas sociais defendem que não há irmãos socializados da mesma maneira porque ninguém é igual para pessoas diferentes, ninguém diz as mesmas palavras e tem os mesmos gestos para pessoas diferentes. E não é só na família.
Dois irmãos têm experiências diferentes porque convivem e amam pessoas diferentes e são, por isso, diferentemente influenciados. Claro que também conta o próprio carácter mas não podemos descurar o contexto atrás descrito.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

M.M.MENDONÇA
As pessoas nem se apercebem dos preconceitos em que estão embuídas. Imagina tu que estás muito doente(longe vá o agoiro)e te dão o endereço duma médica de renome e muito competente. Tocas à campainha e vês uma senhora com uma esfregona a limpar o chão com ar pouco cuidado. Perguntas pela médica e ela responde-te que é a própria. Tu olhas para ela e dás uma desculpa, fazes meia volta e pôes-te na alheta.
E se fores a um advogado e vires um fulano a arranjar uma porta com ar de operário também não queres ser atendido.
Estas pessoas podem ser altamente competentes mas não te inspiram confiança por não corresponderem ao teu figurino.
É o caso da tua amiga professora. No figurino dela não se encaixava o preto.
Pensa nisto.
Um abraço

Nilson Barcelli disse...

A questão anda muito à volta do ser e do parecer.
Ou seja, há coisas que de tanto parecerem, passam a ser.

Excelente post, parabéns.

Bom ferido, beijinhos.

Silvia Madureira disse...

Acompanharei toda esta temática.

beijo grande

Zé "Prisas" Amaral disse...

Estamos de volta, rapaz. E se tu resistes, porque não todos nós?

Estou só a colocar a escrita em dia.

Um abraço.

RAUL disse...

Olá Zé
Fico contente em saber de ti. Só estou preocupado com uma "merda", estás de cana novamente?
Vou mexer uns cordelinhos para saber. Um abraço grande e mesmo gente ilustre como tu, fora do Palacete é que está bem. Embora diga isto sem convicção pois como sabes fora dos muros,na selva urbana o perigo espreita em cada esquina. Fika bem e ñ percas o contacto.

Robin Hood disse...

É um excelente texto que demonstra que tanto se diz que uma pessoa é isto ou aquilo que ela passa a ser.E um indivíduo com capacidades e valências passa a ser um proscrito porque ninguém acredita nele.
Abraço

Mary disse...

Sei bem do que fala o texto.
Há pessoas que acham que sabem tudo sobre nós se tiverem a informação que somos homossexuais, seropositvos, prostitutos, toxico dependentes, reclusos ou ex-reclusos ou sem-abrigo. Mas qualquer dos que atrás falo é muito mais que o rótulo que lhe puseram e tem a sua história de vida, o seu carácter e as suas referências que fazem com que, em cada caso, eles sejam um caso único a ser estudado, ajudado e amado.
Sobretudo amado pois mesmo quando se diz que se passa bem sem este ou aquele não é verdade. É só um tentar ser forte para salvar o que resta de orgulho e dignidade.
O estigma é que uniformiza como se vê também pelo texto.
Abraço

Arnaldo Trindade disse...

Experiência de vida,tenho 1,62 de altura e já sofri muito junto aos amigos e colegas por ser baixinho,uso oculos e também por isso me chamamde "quatro olhos " e dizem que eu não posso fazer nada sem os ocúlos entre outras coisas.
Não gostei da experiência ter sido feita com crianças já que estas sofrem mais e lembrarão mais do que houve do que os adultos,temos hoje aqui na Bahia um exemplo clássico disso tudo,vou ver se consigo portar a noticia toda no próximo comentário para que vocês vejam o que o estigma e a irracionalida de alguns faz com os outros .

Arnaldo Trindade disse...

MEC/MEDICINA-UFBA: "COORDENADOR & BAIANIDADE"

Na Bahia, coordenador atribui resultado a "baixo QI dos baianos"

O Ministério da Educação divulgou ontem a lista dos 17 cursos de medicina que serão supervisionados por causa das baixas notas dos seus alunos no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).
Para o coordenador do curso de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Antônio Dantas, 69, o baixo rendimento dos alunos da faculdade no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) se deve ao "baixo QI [quociente de inteligência] dos baianos".
Os alunos de medicina da UFBA obtiveram conceito dois no exame. "Se não houve boicote dos estudantes, o que não acredito, o resultado mostra a baixa inteligência dos alunos." Para Dantas, que é baiano, o corpo docente da faculdade é qualificado e não seria justificativa para o mau resultado no exame. O coordenador disse que o suposto baixo QI dos baianos é hereditário e verificado "por quem convive [com pessoas nascidas na Bahia]".
"O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria", afirmou, ressalvando que há exceções a sua regra. Questionado se já foi alvo de críticas, Dantas disse que é "franco" e que "reconhece a limitação dos que o cercam". Ele afirmou que não foi notificado pelo MEC sobre os resultados e que vai analisar os erros dos alunos assim que recebê-los. A diretora da Faculdade de Medicina da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Rosana Vilela, disse que uma possível explicação para o baixo rendimento dos alunos de medicina (conceito dois) foi a mudança no currículo em 2006. "A nota [do Enade] é construída basicamente em cima da nota do concluinte, que é o aluno do currículo antigo, sendo que a prova é feita baseada nas novas diretrizes que norteiam o currículo novo", disse. A UFPA (Universidade Federal do Pará) --que recebeu conceito dois- informou, em nota, que só se pronunciará sobre a avaliação quando for notificada. Na UFAM (Universidade Federal do Amazonas), ninguém foi localizado para comentar a nota do Enade.
Boicote
Para Arquimedes Ciloni, presidente da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais), é provável que o desempenho ruim de quatro cursos de medicina de universidades federais no Enade seja resultado de um boicote dos estudantes. "Chama a minha atenção a situação da UFBA, que tem condições de oferta de ótima qualidade", afirmou. Ele citou ainda o fato de a universidade ser considerada tradicional --ela abriga o primeiro curso de medicina criado no Brasil, no ano de 1808. Para Ciloni, embora não seja um fator decisivo para o desempenho dos estudantes, um dos maiores problemas dos cursos de medicina das instituições federais hoje é a dívida dos hospitais universitários. O débito --que, segundo ele, já soma R$ 450 milhões-- dificulta a modernização dos equipamentos, disse. A Folha procurou a Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), mas ninguém ligou de volta até o fechamento desta edição.
RENATA BAPTISTA, da Agência Folha, da Folha de S.Paulo, em Brasília. Colaboraram SÍLVIA FREIRE, da Agência Folha, e KÁTIA BRASIL, da Agência Folha, em Manaus.

Arnaldo Trindade disse...

http://professormedeiros.blogspot.com/

de onde eu retirei o post daí de cima.

MARIA disse...

Olá a todos.
Este estudo revela como se adquirem determinados juízos pré - formados acriticamente e se transformam em preconceitos estigmatizantes.
Todos os estigmas, bem vistas as coisas, encontram a sua base de construção psíquica e mental nas facetas mais frágeis da natureza humana : os medos, as inseguranças, a necessidade de se sentir socialmente reconhecido ou respeitado, a necessidade ou o desejo de poder e em ideias por vezes erradas, sobre os outros e até sobre nós próprios.
É importante que se diga que não só as pessoas física ou psicologicamente debilitadas são estigmatizadas : os ex-reclusos, os divorciados, pelo facto de o serem, os que professam certa religião ou não acreditam em Deus, só por o professarem ou não acreditarem, as mulheres, particularmente se estão sozinhas, jamais são bem quistas entre famílias para salvaguarda das mesmas, etc., etc.
Tudo isto para concluir, em síntese, que cabe a quem é estigmatizado erguer a sua cabeça, pois um estigma nunca encontra fundamento justo no estigmatizado, mas decorre de um " desvio" do estigmatizante que não consegue por si só lidar com certos medos, inseguranças, receios , podendo além de tudo isto ser uma pessoa interiormente mal formada.
Nestes casos, estigmatiza deliberadamente porque só assim se sente em vantagem.
Achei muito curioso que no estudo que vem referido, nenhum dos miúdos , nem dos loiros , nem dos morenos tivesse pelo menos QUESTIONADO a bondade da premissa da professora...
Conduz a uma reflexão e parece preocupante.
Significa que o ser humano mimetiza comportamentos acriticamente, sem mesmo os valorar em razão da sua própria ordem subjectiva de valores ?
Ou decorrerá da dinâmica do grupo?
Pergunto-me o que aconteceria se pelo menos um do grupo fizesse como acreditava o nosso querido Zeca ( há sempre alguém que diz não) e dissesse não ?...

Um beijinho muito amigo

Maria

Louise disse...

Lídia
Este texto é formidável porque, duma forma clara, diz bem o que é um estigma. Diz-se que uma pessoa é uma determinada coisa perjorativa, passa-se a palavra e a pessoa passa a ser o que dizem que é e que até pode nem ser algo de muito mau mas se dizem que é muito mau também passa a ser.
O estigma manieta, fere, isola. Mesmo que se queira fugir dele não se pode porque não se tem para onde. Dizem que somos aquilo e nós passamos a ser. Que vale alguém querer libertar-se do estigma se ele segue esse alguém para todo o lado como se fosse uma sombra?
Abraço, miga

Carol disse...

Lídia, este post é muito importante para que se perceba a influência que as nossas palavras podem ter sobre os outros. O problema é que todos nós criamos estigmas... Quantos pais se referem ao filhos como sendo "burros" ou menos capazes do que A ou B?!
Os portugueses, desde que me lembro, têma mania do "no estrangeiro é que é bom" e por aí fora...

Sérgio Figueiredo disse...

É um texto que me deixa a pensar depois de lido.
Sabes, eu admiro e elogio todos os estudos cientificos em prol da humanidade. Embora haja estudos que, não deixando de ter a sua veracidade e importância, depois de aplicados causam deformidades.
Que quero dizer;
Não desvalorizo o estudo que deu origem ao tema deste post, mas... olha bem a postura, por exemplo dessa professora, que contribuiu para o desentendimento e desvalorização entre jovens. Até poderei acreditar no estudo, mas também sei e digo que não são só os louros e de olhos azuis que são inteligentes. É pertinente este estudo.

Cumprimentos

ANTONIO DELGADO disse...

Antes mais dou os parabéns pelo excelente post sobre uma questão aparentemente simples mas de uma profundidade complexa. Neste contexto dou dois exemplos que podem ser bem ilustrativos da ideia do post em dois âmbitos diferentes mas de caracter gregários. A religião e a politica. Espaços onde muitos das nossas esperanças e anseios colectivos se reveem ou estão condicionados. No caso da religião prende-se com a iconografia de Cristo. A sua imagem é a de um ser com aspecto novo, corpo danone, cabelo louro, barba de três dias, pele clara e olhos azuis...iconografia mais sectária e de efeito que estigmatiza não pode existir. A segunda mais limitada à geografia portuguesa prende-se com o discurso do sr. Presidente da Republica, no 25 de abril e o seu celebre discurso sobre os jovens, no qual terá afirmado mais ou menos isto: “os jovens são ignorantes em termos de politica e democracia. Esqueceu-se de dizer o sr. Presidente que aqueles pontos tinham sido por ele escolhido mas não falou doutros muito importantes em que os jovens estavam correctos...que intenções pretendeu o sr presidente? será fazer notícias para estigmatizar a juventude e por simpatia professores para enaltecer apenas as ideias dos políticos profissionais? ou será que quando não se tem nada para dizer, em termos ideológicos, e pela frente há uma imprensa amorfo e pouco dada à critica e ao pensamento abstracto o vazio de ideias tem de forçosamente fazer carreira? A saúde social do âmbito psíquico não deveria tolerar maldades semelhantes em casos como estes.

Um abraço
António Delgado

ABEL MARQUES disse...

Silêncio/Lídia
Um post de grande categoria embora também eu tenha ficado na dúvida se a experiência não terá deixado marcas às crianças. Mas penso que não porque os especialistas devem ter condições para recuperar a situação.
O que mais me preocupa é a alteração do rendimento escolar que passou a ser consequente com a divisão/segregação que foi feita pela professora.
Quando se diz a alguém "não és capaz" por muita força que esse alguém tenha não consegue desafiar a desincentivação. E passa a não ser capaz embora possa ter muito mais condições que aqueles que o são.
Abtaço

RAUL disse...

Abel
Às vezes o "não és capaz", tem o efeito contrário e despoleta a bomba energética que há em cada um de nós.Um herói só o é quando todos os medos que há em si são bloqueados e comete uma façanha que aos olhos do mundo parece ser irrealizável.Continuamos a desconhecer todas as capacidades que temos escondidas até que haja uma situação que faça com que elas sejam reveladas.Um abraço

G.BRITO disse...

Li o texto que é excelente porque levanta polémica. A polémica saudável é indispensável a um bom debate e esclarecimento. Lembrei-me do Fernando Mamede, o grande recordista mundial dos 10.000 metros quando punha os olhos em baixo e não era capaz de correr. Lembro-me de mim próprio quando uma vez nadei para longe e pensei que não conseguia regressar. Senti-me tão mal que teria morrido se um barco de pescadores não passasse ao pé.
O estigma põe as nossas pernas a andar para traz. É um peso que nos faz regredir. Pode ser que alguém "picado" possa querer provar o contrário mas isso não é comum e, mesmo nessa circunstância, temos que ter alguém que confie em nós e nos estimule. Sozinho não conseguiremos vencer os ventos contrários que deitam ao chão qualquer um.
Abraço

Boris disse...

Nada pior neste mundo
que a dita segregação
faz mal a quem bate fundo
e a quem não bate papão.

É uma porta fechada
no campo da afeição,
é um murro em cada peito
onde bate um coração.

Um coração insuspeito
que vê no outro um irmão
mas que a porra do estigma
faz dele uma maldição.

Meus amigos, meus amigos
nós somos todos iguais
farinhas dos mesmos trigos
searas dos mesmos trigais.

Às vezes somos melhores
outras vezes somos vencidos
por tentações e pecados
que nos trazem os castigos.

Mas precisamos amor
e ainda mais acreditar
que ainda temos valor
p´ra nos podermos levantar.

Onde está a tua mão
que eu quero bem apertar
sejas tu o que bem fores
és meu irmão a caminhar.

Sem isso não vale a pena
viver e ... por cá andar.

SILÊNCIO CULPADO disse...

NILSON BARCELLI

É verdade que sim a questão do ser e do parecer.
As pessoas vão atrás do que mais brilha mesmo que seja ouro falso e deixam atrás verdadeiros tesouros.
É a natureza humana.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sílvia Madureira
Contamos contigo. Sempre.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Zé "prisas" amaral

Sê bem-vindo. Aqui estás entre amigos com quem poderás caminhar.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

robin hood
Amigo, o estigma passa muitas vezes a ser uma segunda pele do indivíduo. E o próprio indivíduo deixa de saber qual é o seu território efectivo.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

MARY
Entendo bem o queres dizer. O facto de se dizer que uma pessoa, por exemplo, é portadora de HIV não a despe de identidade tornando-a um elemento indiscriminado do grupo dos que são portadores de HIV. Cada caso é um caso e, em cada um deles, há uma história de vida, um passado de crenças e valores, desilusões, esperanças e abandonos que não podem ser equacionados nem lidos de forma linear.
Por vezes esse confronto entre o indivíduo e um mundo que o assusta e magoa mas que ele desconhecia, pode desenvolver capacidades únicas que tornarão a sua vida mais rica e intensa e farão que cada momento passe a ter uma duração mais longa pelas experiências e por outros valores adquiridos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Arnaldo Trindade

Grandes homens não foram grandes em altura, (veja-se o célebre Napoleão). Também os óculos já foram símbolo de intelectualidade. É tudo uma questão de conceito.
Relativamente à noticia do segundo comentário sobre os baianos é simplesmente absurda. Nem todas as regularidades são explicativas e esta de atribuirem um QI menor aos baianos pelo facto de serem bainos não lembra a ninguém.
Alguém devia responder por isso. Logo que possa visitarei o site que indicas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Maria
Uma análise profunda da qual me irei centrar num ponto que ainda ninguém questionou: a obediência cega aos principios enunciados de que os loiros de olhos azuis seriam mais inteligentes.
O estigma é irracional.Não faz qualquer sentido que se estigmatize alguém por uma característica fisica, como por exemplo a cor da pele, ou qualquer outro dos casos aqui falados. O que é facto é que esta prática, de tão frequente,é interiorizada pelas pessoas atingidas como uma verdade irrefutável.A pessoa adquire complexos, sofre mas é prisioneira da autoridade, seja ela colectiva ou individual, daqueles que estigmatizam.
A inferioridade diminui a capacidade de luta, rebaixa e isola.
No filme que apresenta o estudo que refiro, recordo-me de terem entrevistado, numa escola da marinha francesa, uma professora que afirmava não pensar em casar com um homem que não fosse loiro de olhos azuis porque "era muito perigoso".
É dum rídiculo atroz mas é assim.
Se um conjunto de pessoas te disser que estás muito feia tu acabas por te sentir assim.
É terrível, Maria.
Porém há estigmas e estigmas. Há aqueles que a gente dá bem a volta mas há outros que nos dilaceram e que não conseguimos evitar as amolgadelas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Louise
Nós para evoluirmos como pessoas temos que nos libertar dos estigmas e combater os que estigmatizam. Não é fácil mas tem que ser feito. Por isso estamos aqui. É um absurdo estigamtizar alguém seja pelo que for e muito menos se são atributos genéticos ou de acidente que não podem ser mudados.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Carol
As palavras podem ter um efeito devastador. Parece incrível como o que se diz determina o que se sente e o que se pode fazer com o que se ouviu.
O exemplo que dás é muito elucidativo porque é no seio da própria família que começa a estigmatização. Os pais na ânsia de terem filhos perfeitos com melhor aproveitamento escolar que os dos vizinhos e dos amigos, por vezes destroem os filhos que se perdem em percursos onde não conseguem responder às expectativas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Sérgio
Eu entendo as tuas reticências. Aliás o Raul teve esse mesmo sentimento logo no primeiro comentário.
Todas as experiências têm o seu lado negativo e esta não seria excepção.
O motivo da minha escolha não teve a ver com a concordância relativamente a usar pessoas como cobaias nomeadamente crianças. O motivo da minha escolha teve a ver com o facto de que, perante uma situação impossível de mudar (ser loiro ou ser moreno) as pessoas assumiram sem contestarem, a inferiodade duma característica fisica e começaram a comportar-se de acordo com as conotações negativas que lhe associaram: pouco inteligentes, violentas, etc.
Isto demonstra que, por mais irracional que seja o estigma, ele faz mossa.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Delgado
Concordo. Todas essas mensagens quer a imagem de Cristo quer o discurso do PR, acabam por surtir efeito ao nível das representações que se vão criando e que levam a estigmatizar tudo o que não se enquadra nelas.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Abel Marques
Pondo o problema ao contrário devemos incentivar os nossos amigos de forma a que a sua auto estima nunca esteja em baixo e lhes permita ter progressos.
Humilhar alguém é diminuir esse alguém nas suas potencialidades.
Abraço

Coragem disse...

Lidia boa noite, mais um texto maravilhoso e que nos faz pensar.
Nem queria falar da experiencia relatada no texto, primeiro porque muitos já falaram e segundo porque a acho um tremendo absurdo, se ainda tivessem bases cientificas para assegurar a experiencia efectuada, ainda entendia, agora só mesmo por à prova o comportamento do individuo neste caso crianças, pior ainda.
Um caso de estigma concreto dou um exemplo, moro no Alentejo e até aos dias de hoje o Alentejano é um caso tipico de estigma...Moro aqui há 14 anos e não vejo diferença alguma entre os demais habitantes do nosso País, mas que carregam o fardo de sofrerem de preguicite aguda isso carregam e dificilmente um dia deixarão de o ter.
Beijinho.

Raul, espero que esteja tudo bem com a sua saude, fiquei preocupada.
Beijinho

Paulo, beijinho


Bom fim-de-semana para todos

avelaneiraflorida disse...

Querida Lídia,

e quantas vezes não "estigmatizamos" alguém ao longo da vida???????
Se assim não fosse, não eram tão contraditórias as vivências humanas!!!

Bjkas!!!

SILÊNCIO CULPADO disse...

G.Brito
É verdade que temos e devemos ter alguém que nos estimule. Se em vez do bota abaixo nos empenhassemos no bota acima tud poderia ser bem melhor.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Bóris
Tu és único a dizer em verso. Espero que o teu braço melhore para te termos com mais frequência nos nossos espaços.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Coragem
O absurdo está em todo o estigma.
Essa dos alentejanos é como a dos africanos serem burros e outras assim. Lamentável.
E ainda com a agravante de ser incrementado até por pessoas que se consideram cultas e bem informadas.
Há que parar para pensar e dizer não ao estigma.Seja ele de que natureza for.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Avealneiraflorida
É verdade. E quantas vezes!... Sobretudo em casais que vão acumulando tensões.
Abraço

Sheila disse...

Não me vou pronunciar sobre a experiência em si porque já foi dito tudo.
Não quero no entanto deixar de destacar que um estigma acontece por vontade das pessoas e que são as pessoas, com a sua parte lunar em pleno funcionamento, que magoam e destroem o seu semelhante esquecendo-se que também são destruídas por ele porque comportamento gera comportamento.
Vendo bem o que é o estigma e a monstruosidade de se estigmatizar alguém, custa a crer que o estigma esteja tão banalizado ao ponto de fazer parte do quotidiano como se tratasse de algo absolutamente normal.
Abraço

amigona avó e a neta princesa disse...

Tanto já se disse e tanto ainda se pode continuar a dizer! Como sabes minha querida Lídia esta semana tive (e estou a ter) uma experiência triste com outra pessoa a nível da violência doméstica. Não é que ontem me lembrei de ti quando alguém me susurrou: "sabes, ouvi dizer que ela se portava mal!"
Ou seja, se ela se "porta mal" já merece a pancada do marido?! E o filho também se porta mal?!
E depois? O que é portar-se mal? E sabes querida amiga ainda é mais triste porque algumas pessoas gostam de inventar o que lhes apetece. Não, no caso que referi ela até não se "porta mal" mas faça o que fizer terá sempre a mesma fama! Há quem goste das coisas muito certinhas e aí os estigmas também aparecem!!! Beijos amigos: Lídia,Raul, Paulo...um grande e ferveroso abraço...

Eremit@ disse...

Compreendo perfeitamente a construção social do estigma e esta experiência aqui relatada é bem clara, para quem não queira entender ou não tenho, até agora, pensado sobre o assunto, mas à medida que lia e pensava nas crianças me arrepiava pela desumanidade se assims serem utilizadas como cobaias porque sabe-se que só nhuma idade posterior o pensamneto abstracto se enconbtra toralmente incorporado. Pergunto-me se essas crianças não ficaram com nenhuma fragilidade e que um dia o "estigma experencial" não emerja em força.
fraterno abraço

Eremit@ disse...

Compreendo perfeitamente a construção social do estigma e esta experiência aqui relatada é bem clara, para quem não queira entender ou não tenho, até agora, pensado sobre o assunto, mas à medida que lia e pensava nas crianças me arrepiava pela desumanidade se assims serem utilizadas como cobaias porque sabe-se que só nhuma idade posterior o pensamneto abstracto se enconbtra toralmente incorporado. Pergunto-me se essas crianças não ficaram com nenhuma fragilidade e que um dia o "estigma experencial" não emerja em força.
fraterno abraço

René disse...

A contrução dum estigma é rapida e incisiva e praticamente indelével. Tenho um amigo que foi toxicodependente e, nessa altura, roubou e esteve preso. Com a ajuda de amigos a familiares conseguimos tirá-lo do fosso. Ele acabou o curso, fez um mestrado e é uma pessoa muito dotada e trabalhadora.
Concorreu a uma conhecida empresa e fez provas brilhantes tendo ficado apurado e em nº.1 com a promessa dum bom vencimento. Entretanto, provavelmente outros concorrentes invejosos, fizeram saber à empresa o passado do meu amigo. Foi chamado e disseram-lhe que afinal aquela vaga não existia e que ficaria a aguardar uma outra oportunidade. Passaram-se 3 anos e até hoje.Entretanto ele ainda se candidatou a outro lugar mais modesto e numa outra empresa mas, também aí, foram avisados e ao fim de 6 meses, apesar de trabalhador não lhe renovaram o contrato. Entretanto ele foi trabalhar para Espanha mas, segundo creio, está com recaída nas drogas ainda que de forma controlada.
Abraço

Michael disse...

Apesar das reticências em relação à experiência com crianças julgo que a mesma não será tão negativa quanto isso.As crianças que foram estigmatizadas lembrar-se-ão da dor de o ser antes de serem mazinhas para outros.Tudo depende da forma como depois o assunto foi tratado. O que está em causa contudo não é propriamente a experiência mas a facilidade como um estigma se dissimina e se transforma em verdade absoluta tirando a alegria de viver e a força de lutar e deixando os seus alvos sucumbidos a uma inevitabilidade contra a qual nada podem fazer.
Abraços

Joseph disse...

Se o que se pretende com este texto é abanar quem o lê para o facto do estigma ser como uma armadura de ferro que alguém escolheu para nós e a ela nos condenou impedindo que mostremos sentimentos tão humanos e profundos como as boas vontades que outros teimam em não ver, foi conseguido plenamente.
As pessoas transportam o seu passado estigmatizante como uma cruz. Conheci uma miúda que era lésbica e os pais afastavam dela as suas filhas com receio que alguém pensasse que as filhas eram como ela.
Há que chamar a atenção, de forma dura, para a crueldade e basismo destes procedimentos.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

SHEILA
O ser humano tem também muito de mauzinho e alimenta o ego baixando o dos outros. Só assim se justifica o prazer mórbido em estigmatizar.
Que todos, um por um, digamos não ao estigma e repensemos os nossos comportamentos e posições. É este o meu apelo e o meu objectivo.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Amigona
É revoltante o que contas sobre o caso dessa funcionária do "teu" lar de idosos. É o estigma a funcionar em toda a força. Como é possível que haja quem tenha uma mentalidade tão estreita?
Temos realmente muito caminho ainda para andar.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Eremita
Percebo perfeitamente a tua preocupação em relação às crianças, que já foi demonstrada por outros comentadores e que eu subscrevo.
Eu não faria tal experiência mesmo com garantias de que se poderiam corrigir efeitos colaterais. Todavia esse filme foi exibido numa aula de pós graduação, em comunicação, e eu retive-o não pelo aspecto da experiência em si mas porque revela que um estigma pode nascer do nada e passar a ser uma verdade absoluta que humilha e segrega com toda a crueldade.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

René
Tocaste num dos pontos que mais me aflige: o da quase impossibilidade de regenerar quem quer que seja. Quando damos tudo por tudo para trazer essa pessoa à superfície vericamos que não há lugar para ela porque todos a julgam pelo passado e não pelo esforço em se redimir.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Michael
É verdade que o estigma se alastra inexoravelmente. Mas uma estigma não é uma doença. O estigma é uma construção social e não depende senão de nós acabar com ele.
Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...

Joseph
O exemplo que citas é bem ilustrativo do que significa ser-se estigmatizado. É um atraso cultural a toda a prova porque não faz sentido essa discriminação primária e brutal que consiste em julgar como inferiores os que são diferentes.
Abraço

Fatyly disse...

Mais um excelente texto com uma "lição de vida". Também li os comentários e acho que é nesta troca de opiniões que aprendemos o que é a "dor do estigma".

No reino animal o ser humano é o maior "predador" emocional e físico em prol do seu ego! Basta olhar para os estigmas existentes em certas culturas e locais...onde a bestialidade humana não tem qualificação, cor, sexo e credo.

Beijos e um dia feliz para todos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fatyly
A dor do estigma.... O que mais me revolta é saber que é uma dor evitável e inútil. A menos que sirva para tirar proveito dos fragilizados o que é verdadeiramente condenável.


"No reino animal o ser humano é o maior "predador" emocional e físico em prol do seu ego! Basta olhar para os estigmas existentes em certas culturas e locais...onde a bestialidade humana não tem qualificação, cor, sexo e credo."

Infelizmente é assim.
Que a blogosfera sirva para nos humanizar e não para nos fazer regredir ainda mais.
Que destas trocas de opinião resulte uma necessidade de mudança no sentido positivo.

Abraço

Mário Relvas disse...

Caro Silêncio,

isso dos olhos azuis e castanhos, faz-me lembrar a canção de outrora, sempre linda de ouvir, cantada por Francisco José: "teus olhos castanhos"...
Focando-me no final do texto, digo que vale sempre a pena acreditar e lutar pela verdade, com ideais nobres.Sem mágoas, sem azedumes. Justiça é muito diferente de vingança. A justiça é mais difícil de se conseguir que a fácil e pobre vingança.Nunca é tarde...e a verdade é como o azeite.Dizem que vem sempre ao de cima!
Por vezes, cometem-se erros que podem levar ao estigma. Por vezes, esse estigma é anedótico qd se sabe algo sobre essas pessoas que criam "boatices" com intenção de denegrir os outros.

Sei que vais conseguindo entender entre linhas...Mas o tempo corre!

Saudações e um sorriso